Empresa de blockchain processa YouTube por golpes envolvendo criptomoedas

Por Rui Maciel | 23 de Abril de 2020 às 07h45
TMF Group
Tudo sobre

YouTube

Saiba tudo sobre YouTube

Ver mais

Especializada em soluções envolvendo Blockchain, a Ripple abriu um processo contra o YouTube na última terça-feira (21). A empresa alegou que a plataforma de streaming de vídeos do Google falhou em proteger seus consumidores de golpes envolvendo falsas ofertas de criptomoedas, ao permitir que criminosos usassem falsos perfis no site para enganar as vítimas e roubar-lhes o dinheiro. As informações são da agência de notícias Reuters.

No processo, a Ripple afirmou que os golpistas no YouTube estão se passando por representantes da empresa, bem como pelo seu CEO, Brad Garlinghouse. O esquema envolvia atrair os espectadores e fazer com que eles enviassem milhares de dólares em XRP, uma criptomoeda representada pela Ripple.

No golpe, os criminosos prometem enviar de volta até 5 milhões de XRPs, que estão avaliados em quase US$ 1 milhão. No entanto, os participantes da falsa promoção envolvendo esses "brindes" nunca transformar isso em dinheiro.

A ação judicial foi movida no Tribunal Distrital dos EUA do Distrito Norte da Califórnia e afirma que "o fracasso do YouTube em resolver a fraude generalizada e prejudicial criou sérioes danos à reputação da Ripple e de Garlinghouse". A Ripple afirma ainda "que milhões de pessoas viram os golpes no YouTube, o que permitiu a proliferação da fraude, ignorando suas demandas por que os vídeos fossem retirados, além da contínua venda de anúncios para os golpistas".

Além disso, o YouTube também teria atribuído um "crachá de verificação" a um canal invadido e que exibia uma foto de Garlinghouse como sua imagem de perfil, indicando falsamente aos espectadores que a conta era legítima, segundo o documento.

Lei que protege as big techs está na mira

O processo movido pela Ripple representa um novo desafio em torno da controversa Seção 230 da Lei de Decência das Comunicações. Ela protege o Google, o Facebook e outras empresas de internet da responsabilidade pelo material que os usuários publicam em suas plataformas.

Com o aumento no número de golpes, representantes de órgãos reguladores em Washington DC estão revendo se a ampla imunidade da lei é necessária. Tempos atrás, ela ajudou as empresas de tecnologia dos EUA a crescer, mas é vista cada vez mais como uma proteção exagerada, já que ela permite que algumas das big techs mais ricas do mundo deixem de investir para impedir diversos tipos de crimes, entre eles o extremismo e a desinformação online, a partir das fake news.

"Para cada golpe, doação, conspiração falsa que é derrubada, várias outras aparecem quase imediatamente", afirmou a Ripple por meio de um post em seu blog. "O YouTube e outras grandes plataformas de tecnologia e mídia social devem ser responsabilizadas por não implementar processos suficientes para combater esses golpes."

Garlinghouse, um executivo de longa data do Vale do Silício, disse que quer que o caso seja um "apelo à ação" para as empresas que administram as redes sociais. Ele argumenta que a lei atual foi escrita "em um momento em que não entendíamos como essas plataformas poderiam ser usadas para abusos” O executivo afirmou ter visto golpes semelhantes em outras plataformas de social, incluindo até mesmo o Instagram, mas direcionou o YouTube ao processo porque era o "mais lento para responder e menos proativo".

Fundada em 2012, a Ripple é uma mais conhecidas empresas a desenvolver soluções envolvendo o blockchain. Muitos de seus programas ajudam empresas de serviços financeiros a realizar pagamentos entre países usando a criptomoeda XRP.

O que diz o YouTube

Contatado pela Reuters, o porta-voz do YouTube, Alex Joseph, afirmou que a empresa leva a sério os abusos cometidos na plataforma e age "rapidamente quando são detectadas violações de nossas políticas, como fraudes ou personificações".

Fonte: RippleReuters    

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.