Ministro russo acusa Metal Gear de ser uma "arma" de manipulação jovem dos EUA

Por Rafael Rodrigues da Silva | 01 de Julho de 2019 às 10h07

Se você acha que os políticos brasileiros são meio “leigos” quando o assunto é videogame, você precisa ver o que tem feito os políticos da Rússia. No dia 20 de junho, durante uma reunião parlamentar, o Ministro da Defesa russo Andrei Kartapolov citou alguns supostos projetos que são exemplos de produtos desenvolvidos pelo Serviço de Inteligência dos Estados Unidos para manipular a opinião pública contra a Rússia — e um desses produtos seria o jogo de videogame Metal Gear.

De acordo com o jornal The Moscow Times, o ministro não apenas citou o jogo como uma criação do Serviço de Inteligência dos Estados Unidos, como ainda deixou claro que o motivo de ele ter sido criado foi fazer com que os jovens se voltassem contra o governo russo, encorajando que esses jovens efetuem protestos contra seus governantes e desenvolvam um sentimento de insatisfação para com autoridades.

E, pelo jeito, ninguém avisou o ministro do que exatamente se trata Metal Gear, ou mesmo quem foi que criou o jogo. Fruto da mente do brilhante desenvolvedor Hideo Kojima, o primeiro Metal Gear foi criado e publicado no Japão em 1987 como um jogo exclusivo do MSX2, um computador pessoal feito exclusivamente para o mercado japonês. O jogo só chegou no ocidente um ano depois, com um port para o NES, e se popularizou realmente apenas em 1998, com o lançamento de Metal Gear Solid para o primeiro PlayStation.

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E, ainda que o jogo tenha temática militar, nenhuma das críticas feitas por Kartapolov podem ser direcionadas a ele. Primeiro porque, ainda que o jogo critique algumas políticas armamentistas de governos, essa crítica não é voltado diretamente para a Rússia, mas é mais uma crítica geral para o sentimento de imperialismo e corrida armamentista que se manteve no mundo mesmo após o fim da Guerra Fria. Se existe um país que é criticado mais diretamente pela franquia é os Estados Unidos, que é acusado de criar terroristas com suas políticas antiguerra de bombardeio e ataques a países do Oriente Médio e de ter o governo controlado por uma organização privada que faz com que o país se mantenha constantemente em guerra para continuar aumentando seus lucros.

Além disso, não é possível dizer que a franquia Metal Gear encoraje a desobediência civil e um sentimento de insatisfação para com figuras de autoridade. Longe disso: os jogos da franquia sempre mostram a figura do “bom militar” e se esforçam para mostrar que, mesmo dentro de uma organização corrupta, ainda existem bons soldados que não exitarão em dar a vida pelo seu país — algo que ajuda a manter o sentimento de respeito pela figura do militar, totalmente o contrário daquilo que o ministro acusa o jogo de promover.

Fonte: Polygraph

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