Ex-funcionário denuncia tráfico de drogas e espionagem em fábrica da Tesla

Por Felipe Demartini | 17 de Agosto de 2018 às 11h33
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Quando se trata de Elon Musk e da Tesla às vezes pode se ter a impressão de que as notícias não poderiam ficar mais bizarras. E isso é bem verdade quando se leva em conta a denúncia recente de um ex-funcionário da montadora, que entregou à justiça americana um suposto esquema de tráfico de drogas e espionagem de funcionários na unidade de fabricação de baterias da empresa em Storey County, no estado americano de Nevada.

Karl Hansen trabalhou durante anos na equipe de segurança interna e investigações. Agora, afirma que a Gigafactory, como é chamado o local, foi o centro de um esquema de distribuição de cocaína e metanfetamina orquestrado por um grupo de funcionários e com ligações ao Cartel de Sinaloa. Aqui, estamos falando de uma das maiores e mais poderosas organizações criminosas não apenas do México, mas de todo o mundo.

A descoberta do caso teria sido feita em parceria com os times internos da Tesla e a polícia de Storey County, com envolvimento, também, do DEA, administração responsável pela guerra às drogas nos Estados Unidos. Porém, de acordo com Hansen, o caso teria sido abafado por executivos de alto escalão, incluindo o próprio CEO Elon Musk. O suposto líder do esquema de tráfico nem mesmo chegou a ser demitido, com a empresa apenas afirmando à polícia que lidaria internamente com a questão, algo que o delator acredita jamais ter acontecido.

Pior ainda, o caso não teria sido compartilhado com o quadro de diretores da Tesla e nem com seus acionistas, motivos que teriam levado Hansen a falar sobre o assunto diante da Comissão de Valores Mobiliários dos EUA. Se essa alegação for comprovada, a montadora pode ser acusada de omissão e obstrução de justiça, além de estar sujeita a penas relacionadas às regras de transparência.

Interceptação de comunicação

A Gigafactory, onde baterias da Tesla são produzidas, está no centro de mais um escândalo (Imagem: Reprodução/Electrek)

Além do esquema de tráfico de cocaína e metanfetamina, o ex-funcionário também denunciou um esquema de espionagem contra os próprios funcionários. Os roteadores que fornecem internet aos trabalhadores, por exemplo, teriam sido configurados para capturar todas as conversas e registros de chamadas dos celulares utilizados, como uma forma de vigilância contra vazamentos de informação.

O ato teria relação com outro delator, Martin Tripp, que teria roubado segredos da companhia e revelado à imprensa que a Tesla estaria utilizando sucata e materiais danificados para fabricar baterias, colocando a segurança dos usuários em risco. Ele foi demitido em junho e, desde então, está envolvido em uma batalha legal e também na mídia, com troca de acusações e milhões de dólares em indenizações e compensações.

De acordo com Hansen, a recomendação mais comum entre as equipes de segurança da Tesla é que os funcionários não denunciem irregularidades à polícia, mas sim as indiquem aos times internos de investigação. Foi assim, por exemplo, quando o delator descobriu um roubo de US$ 37 milhões em matéria-prima, também em um esquema envolvendo funcionários e realizado no primeiro semestre. Ele afirma que uma investigação sobre isso jamais ocorreu e que ele próprio foi ordenado por superiores a não fazer isso.

Acima de tudo, o delator afirma que sua demissão, em julho deste ano, estaria relacionada às descobertas e sua resistência quanto às políticas adotadas diante dos casos. Ele, agora, diz estar interessado em não apenas trazer as suas descobertas ao público, contra a vontade da Tesla, mas também mover ações contra a empresa pelo que acredita ter sido uma dispensa infundada e irregular.

A resposta de Musk veio por meio de uma mensagem privada, enviada via Twitter ao site Gizmodo. Na declaração, ele afirma que Hansen é maluco e que suas alegações não fazem sentido, uma vez que ele aponta graves falhas no esquema de segurança da Tesla ao mesmo tempo em que a acusa de contar com um amplo e avançado sistema de segurança.

Por fim, o CEO até admite que o esquema de segurança interna de sua empresa pode não ser dos melhores, mas indica, novamente, que as declarações do delator não fazem muito sentido. “Tenho certeza de que não somos um braço do cartel de Sinaloa”, afirmou Musk.

Fonte: The Next Web, Gizmodo

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