BGS 2019 | Minecraft Dungeons é um bom Diablo com estética de bloquinhos

Por Wagner Wakka | 20 de Outubro de 2019 às 09h45
Wagner Wakka/Canaltech

Quando Minecraft foi lançado há 10 anos, a série Diablo já fazia sucesso há pelo menos 13 anos. O jogo criado pela Blizzard foi um dos precursores do gênero chamado dungeon crawler. A ideia é simples: o jogador desce por masmorras matando inimigos em busca de equipamentos e armas mais fortes para poder descer em outra masmorra e subir ainda mais de nível. Esse é o looping que fez Diablo tão famoso.

Agora, a Mojang, desenvolvedora de Minecraft, quer levar essa mesma experiência para o universo dos personagens de bloquinhos. Chamado de Minecraft Dungeons, o jogo foi um dos destaques do estande da Microsoft na Brasil Game Show. O Canaltech teve a oportunidade de testar o título.

Dungeons nada mais é que uma transposição de Diablo para o universo de Minecraft, uma aposta curiosa para uma marca que começou tão diferente disso. “Depois que a equipe decidiu o que o jogo seria, passaram a tentar fazer não só mais um Minecraft, mas seguindo as regras do que um dungeon crawler seria. Isso significa focar mais em ação, exploração e descoberta e menos em procurar elementos ou construir. Claro, foi uma decisão difícil deixar esses elementos de lado e aceitar os outros”, explica Jaime Limón, gerente global de produtos da Microsoft, em entrevista ao Canaltech.

Ele tem mais de 20 anos de carreira na empresa e ajudou a lançar games da série Gears of War, Halo e outros gigantes da publicadora. Agora, ele encara o desafio de explicar o que é Minecraft Dungeons.

O jogo foi todo produzido do zero usando a Unreal Engine, mas os assets de textura e alguns personagens foram reaproveitados aqui. “O que a gente quer é que, quando você olhar para ele, lembre-se ainda de que é um jogo sobre Minecraft. Por isso, reaproveitamos algumas coisas”, explica.

De fato, o game ainda tem aquela cara de Minecraft, mas muita coisa mudou. A demo da BGS colocava o jogador já dentro de uma masmorra bastante parecida com Diablo, mas sem a estética demoníaca do jogo da Blizzard. Os inimigos, embora sejam esqueletos, aranhas e morcegos, ainda são figuras carismáticas e quadriculadas como acontece na versão original de Minecraft. Tudo para que uma criança também possa aproveitar a jogatina.

A visão também muda, passando da primeira pessoa para um 3D isométrico típico de dungeon crawler. Contudo, o jogo ainda permanece sendo muito Minecraft na estética e elementos das fases. Por exemplo, as espadinhas, picaretas e arco-e-flecha quadriculados são bastante reconhecíveis e continuam como armas possíveis por aqui.

Jogo traz a complexidade de menus de un dungeon crawler (Foto: Wagner Wakka/Canaltech)

“Nós sabemos que uma grande parcela dos jogadores de Minecraft convencional se focam em sobrevivência e menos em criar. Então, pensamos, pode ser uma boa experiência ter um estilo de gameplay diferente aqui. O desafio foi: como fazer um jogo deste e continuar parecendo Minecraft”, conta Limón.

As mecânicas de dungeon crawler funcionam especificamente bem com Minecraft. O jogador conta com um arsenal bastante interessante de armas e poderes dentro do inventário. No menu, o jogador pode escolher os equipamentos, além de colocar magias que podem ser usadas.

Assim como em Diablo, existe um botão de ataque normal, um para magia, outro de usar itens de cura escolhidos previamente. As mecânicas se mostraram bastante complexas e com profundidade como os dungeons crawlers mais recentes.

O ponto interessante é que a Mojang parece ter entrado de cabeça nas versões mais recentes, com boas modificações que adicionam qualidade de vida ao jogo. Por exemplo, não é preciso entrar sempre no menu para trocar de itens ou armas, basta segurar o botão relativo a ataque ou item que um pop-up surge com acesso rápido para os equipamentos principais.

O que a demo mostra é que, em termos de gameplay e mecânicas, Minecraft Dungeons tem tudo para ser um excelente dungeon crawler. Contudo, ainda existe o outro lado que é ter uma história profunda e competente que amarre toda essa jogabilidade. Isso ainda não foi mostrado na demo.

Minecraft raiz? 

Uma das principais características de Minecraft, com certeza, é a criação. Não somente usando as ferramentas internas do jogo, mas explorando mods nas versões de computador. Contudo, infelizmente, essa não será uma possibilidade aqui.

Perguntado sobre mods, Limón foi claro: “Não teremos. O time estava explorando como isso poderia funcionar. Porque a engine que estamos usando dificulta isso. Não é tão aberta quanto java no Minecraft. Assim, misturar tudo seria difícil para o time”.

A ideia também é adicionar multiplayer ao título, mas isso ainda não está pronto. Esta será uma mecânica bastante central do game, já que trabalhar em equipe pode render melhores itens. “Por enquanto, estamos testando o single player, mas ele fica muito mais divertido quando você joga com outras pessoas, em cooperação. Quanto mais gente você tem jogando, mais difícil é, por consequência, você também tem melhores recompensas. Ou seja, é o nosso jeito de estimular a cooperação”, disse Limón.

Game tem toda cara de um Diablo em Minecraft (Foto: Wagner Wakka/Canaltech)

Atualmente, a Microsoft também está trabalhando com a Nvidia em um projeto chamado Minecraft RTX. Aqui, todo ambiente do jogo foi recriado para uma estética realista, aproveitando as possibilidades do ray tracing. Será que existe a possibilidade destes gráficos migrarem para o Dungeons?

“Eu acho que não. Este jogo [Minecraft RTX] é bem específico para o ray tracing. Não estamos na mesma engine, Dungeons está sendo feito em Unreal. Também, se fizéssemos algo tão realista, talvez não fosse realmente Minecraft. Para Dungeons, o que temos é isso que está aqui”, finaliza Limón.

Minecraft Dungeons será lançado em conjunto para Xbox One, PC, PlayStation 4 e Switch. O executivo contou que está trabalhando no crossplay entre as plataformas, mas ainda não há confirmação de que isso realmente chegue ao jogo final. Até o momento, será possível jogar somente entre Xbox One e PC.

A previsão é de lançamento no começo de 2020, mas ainda sem data específica.

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