Testamos o Cowork: o agente de IA do Claude promete, mas tem ressalvas
Por Bruno De Blasi |

O Cowork é o novo assistente de IA do Claude. Uma espécie de “colega de trabalho”, a plataforma não apenas consegue controlar o computador por você como realiza tarefas complexas, como preparar apresentações completas e criar aplicativos do zero.
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Nos últimos dias, o Canaltech explorou o agente, que ainda está em fase experimental. A seguir, entenda como a ferramenta funciona e se ela, realmente, cumpre o que promete:
- Afinal, o Cowork é tudo isso mesmo?
- Acessando e controlando o computador
- Criando do zero
- Alto consumo de tokens
- A segurança do Cowork
- Funcional, mas ainda com alguns bugs
Afinal, o Cowork é tudo isso mesmo?
O Cowork já está disponível para assinantes dos planos Max, que custam a partir de R$ 500. Para quem opta pelo pacote Pro, por volta de R$ 100 por mês, é necessário entrar na fila para receber o acesso à prévia do recurso.
Além disso, a plataforma só foi liberada no aplicativo para Mac. A Anthropic pretende expandir a novidade para outros sistemas, mas ainda não há previsão para chegar ao Windows, por exemplo.
Como assino o Pro, precisei me inscrever no programa de testes. Mas não esperei nem uma semana para abrir o app para macOS e ver o seguinte aviso: “A espera acabou: experimente o Cowork hoje”.
De imediato, o aplicativo ganhou uma nova aba: "Cowork". Assim como no chat, há um área para enviar comandos e selecionar os conectores, mas com um botão extra: “Trabalhar em uma pasta”. Nele, é possível indicar uma pasta do computador realizar as tarefas com base nos arquivos salvos ali dentro.
A interface do Cowork, porém, ainda mistura textos em português e em inglês. Afinal, é um recurso em desenvolvimento.
Acessando e controlando o computador
Ao escolher um diretório, o Claude primeiro solicita permissão para alterar os arquivos da pasta. Ele também orienta a evitar a exposição de informações confidenciais. Depois, é só enviar os comandos.
No primeiro teste, reproduzi o exemplo da Anthropic durante o lançamento do Cowork: organizar a área de trabalho com várias coisas espalhadas. Para isso, selecionei uma pasta com mais de 50 documentos, imagens, áudios e afins, e, um minuto após enviar o prompt, tudo foi separado em pastas por tipo de arquivo.
Esse não é o único poder do Cowork. Na sequência, reuni vários documentos com os textos na íntegra de análises, reportagens e demais artigos que li ao longo de um mês em uma pasta e solicitei um resumo de tudo.
Aqui, no entanto, o aplicativo “engasgou”: na primeira tentativa, uma falha pontual impediu a leitura dos arquivos da pasta. Diante do erro, precisei abrir uma nova tarefa e repetir o processo.
Cerca de cinco minutos depois, o Claude entregou um documento completo, com os principais tópicos, uma síntese dos temas discutidos e até algumas sugestões de ideias para trabalhar em cima desses artigos.
Um ponto interessante é que, em tarefas mais complexas, a barra lateral traz o indicador “Progresso” com os passos que o agente irá percorrer para realizar a ação solicitada. Nessa área, é possível escolher uma etapa para fazer perguntas ou até mesmo solicitar uma alteração.
Criando do zero
Ainda que a interação com o computador seja um dos diferencias da ferramenta, não é obrigatório selecionar uma pasta para usá-la. Em vez disso, basta enviar um prompt com tudo o que você precisa, e até ativar um conector, se preferir.
Por exemplo, ao preparar um relatório, você pode solicitar ao assistente para coletar dados e depois juntá-los em um arquivo com tudo diagramado. A ação ocorre com um único prompt com todas as etapas detalhadas, incluindo um pedido para questionar o que entrará no documento.
Após o envio, o Claude inicia o trabalho: primeiro, envia um formulário interativo ao usuário para definir o objetivo, ângulo, profundidade e afins. Depois, inicia uma pesquisa na web. Com todos os dados em mãos, o Cowork roda uma série de scripts para gerar o texto e formatá-lo em um arquivo do Word.
Neste caso, como o pedido envolveu uma apuração aprofundada sobre infraestrutura de IA no Brasil e na América Latina para investimentos, o agente levou mais de cinco minutos para finalizar o processo.
Mesmo assim, preparou um documento completo com sumário executivo, análise do setor, os principais players, tendências, oportunidades e desafios, quase pronto para ser entregue à chefia. Ao final, listou as fontes usadas com seus respectivos níveis de confiabilidade.
Também é possível criar protótipos de aplicativos. Durante o experimento, solicitei um webapp para freelancers calcularem os ganhos por tempo de trabalho. Neste caso, como fiz um comando mais “cru”, o agente solicitou mais detalhes no chat antes de gerar o código.
Contudo, na primeira tentativa, um erro me impossibilitou de abrir e baixar os arquivos no computador. Depois, enviei o prompt novamente em uma nova atividade e o assistente entregou tudo corretamente, sem problemas, mas consumiu mais tokens.
O Cowork realiza outras tarefas mais densas, como preparar apresentações de slides, coletar dados, preparar disparos de e-mails, e por aí vai. Ao abri-lo, a ferramenta ainda oferece algumas sugestões guiadas para o usuário iniciar o uso sem muita dificuldade.
Alto consumo de tokens
O trabalho mais intenso, por outro lado, tem um preço: o consumo maior de tokens. Afinal, em meia hora de teste com o Cowork, quase metade do limite de uso da sessão atual foi atingido.
Para quem assina o Claude Max, isso não chega a ser um problema, uma vez que o pacote é menos restrito. Mas, para assinantes do plano Pro, isso pode se tornar uma barreira para ações mais complexas ou para quem precisa utilizar a ferramenta por um longo período de tempo.
Essa, inclusive, é uma situação prevista pela Anthropic. Ao abrir o assistente, uma notificação informa que a ferramenta pode ter “uso intensivo” e sugere fazer um upgrade para o Claude Max para melhorar a experiência.
O mesmo é pontuado nos artigos de suporte do Claude:
“Trabalhar em tarefas com o Cowork consome mais da sua franquia de dados do que conversar com o Claude. Isso ocorre porque tarefas complexas e com várias etapas exigem muito poder de processamento e, consequentemente, mais tokens para serem executadas.”
Outro ponto a se considerar é o modelo utilizado. Durante o experimento, selecionei o Sonnet 4.5, uma opção “intermediária” para tarefas do dia a dia. Porém, o consumo seria maior ao optar pelo Opus 4.5, voltado para trabalhos mais complexos.
Portanto, se você já tem acesso à novidade, fique atento ao limite de uso da sua conta. Para verificar, acesse as configurações e entre na página “Uso”.
A segurança do Cowork
Por se tratar de uma ferramenta com acesso ao computador, existem algumas preocupações em relação à segurança do Cowork. Não à toa, a própria Anthropic alertou que é preciso estar ciente dos riscos de “ataque de injeção de prompt” no lançamento do assistente.
“Desenvolvemos defesas sofisticadas contra injeções instantâneas, mas a segurança do agente — ou seja, a tarefa de proteger as ações de Claude no mundo real – ainda é uma área de desenvolvimento ativo no setor”, avisou a empresa.
Durante o uso, não presenciamos nenhuma situação de risco. No entanto, não realizamos tarefas que precisavam acessar páginas da web pelo Chrome e nem lidamos com informações sensíveis.
Além disso, o aplicativo solicita permissões antes de abrir qualquer arquivo ou pasta, conforme explicado anteriormente. Antes de removê-los, a plataforma também envia uma confirmação ao usuários para evitar que nenhum dado importante seja perdido.
Por isso, é importante supervisionar as ações realizadas pelo Cowork. Inclusive, definir processos com etapas de confirmação no próprio prompt antes de iniciar os processos, o que funcionou bem durante os testes.
Ao carregar os arquivos, também criei uma cópia da pasta para executá-la no Claude. Essa medida pode não ser tão intuitiva, impede que dados importantes sejam perdidos por falhas ou até mesmo ao enviar um prompt errado por acidente, por exemplo.
Afinal, ainda que os comandos do agente sejam executados em uma máquina virtual, de maneira isolada, a ferramenta consegue editar documentos, fotos e afins.
Funcional, mas ainda com alguns bugs
O Cowork funciona bem. Os pedidos dos prompts foram respeitados, e os resultados estavam dentro do esperado em todas as vezes que o aplicativo finalizou a tarefa.
Aqui, destaco o relatório de investimento em IA e a calculadora gerados pelo Claude. No primeiro caso, a ferramenta criou um documento bem escrito e diagramado e utilizou fontes confiáveis. Mas nem todas as estavam completamente corretas.
No segundo, o aplicativo funcionou normalmente. Mesmo assim, não era completamente funcional devido a bugs que impossibilitou a conexão com o banco de dados em alguns momentos ao ser utilizado.
Em ambos os casos, foi necessário realizar uma revisão e fazer alguns ajustes. E tudo bem: afinal, as plataformas de inteligência artificial estão, de fato, suscetíveis a erros.
Além disso, como a versão final ainda não foi liberada, o Cowork não está imune a bugs. Pelo menos duas vezes, precisei reenviar o comando depois que o Claude não conseguiu acessar as pastas indicadas, como apontado anteriormente.
Através de uma máquina virtual, o app também utiliza recursos do PC para realizar as tarefas solicitadas. Em alguns momentos, como ao instalar um recurso via terminal para editar de arquivos do Word, houve registros de falhas que atrasaram o processo.
Por outro lado, isso não prejudicou o resultado final, pois o próprio agente buscou uma alternativa para contornar o problema. No caso do documento, por exemplo, a ferramenta gerou e executou um código em Python para diagramar o texto.
Cabe ressaltar que esses problemas tendem a ser solucionados com o tempo até a estreia da versão final do Cowork. Mas, até lá, é recomendável tomar alguns cuidados extras para evitar contratempos e, até mesmo, não perder os seus dados.
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