O que acontece quando seu celular para de receber atualizações?
Por Marcelo Fischer Salvatico • Editado por Bruno De Blasi |

Receber a notícia de que seu smartphone saiu da lista de atualizações da fabricante costuma gerar dúvidas imediatas sobre a vida útil do aparelho.
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Mas, o fim do suporte não significa que o dispositivo deixará de ligar ou operar de um dia para o outro. Ele marca o início de um processo de obsolescência que envolve segurança, compatibilidade de aplicativos e limitações de hardware.
O tema foi abordado no Podcast Canaltech, detalhando que esse "fim da vida útil" ocorre em camadas. Primeiro, encerram-se as grandes atualizações de sistema operacional (como a mudança de uma versão do Android para outra).
Em seguida, o aparelho entra em uma fase onde recebe apenas correções de segurança, até que, finalmente, o suporte é totalmente descontinuado.
O exemplo da linha Galaxy S21
Um caso recente que ilustra bem essa transição é a linha Galaxy S21. Lançados em 2021, estes aparelhos estão próximos de encerrar o ciclo de grandes updates do Android, mantendo apenas os pacotes de proteção por mais algum tempo.
Esse movimento é o padrão da indústria: as fabricantes definem um cronograma de suporte no lançamento. Enquanto modelos premium mais recentes chegam a oferecer sete anos de atualizações, aparelhos mais antigos ou de categorias de entrada possuem ciclos de vida consideravelmente menores.
A "gordura" de compatibilidade dos aplicativos
Uma das principais preocupações é se aplicativos essenciais, como WhatsApp e bancos, vão parar de funcionar. Existe, no entanto, uma "gordura" — um período de sobrevida — entre o fim das atualizações do sistema e a incompatibilidade dos apps.
Cada aplicativo tem a liberdade de escolher a versão mínima compatível. O WhatsApp, por exemplo, roda em qualquer Android que tenha a versão 5.0 ou posterior.
Isso permite que um celular continue executando as versões mais recentes de softwares populares por anos, mesmo que o sistema operacional em si esteja estagnado.
Segurança: o verdadeiro risco
Se a usabilidade se mantém por um tempo, o mesmo não pode ser dito da segurança. Quando um celular deixa de receber os patches de correção definitivos, ele se torna vulnerável a novas ameaças, malwares e brechas descobertas por criminosos que a fabricante não irá mais consertar.
Por isso, a recomendação geral de especialistas em segurança digital é ter cautela ao utilizar aplicativos bancários e carteiras digitais em dispositivos que não recebem atualizações de segurança há muito tempo.
Por que os celulares param de atualizar?
Além da estratégia comercial, o encerramento do suporte esbarra em limitações físicas. Recursos modernos de software exigem componentes que hardwares antigos não possuem. A Inteligência Artificial é o maior divisor de águas atual.
Hoje em dia, os celulares mais novos já contam com uma NPU (Unidade de Processamento Neural) dedicada para processar essas tarefas. Fica difícil garantir o mesmo desempenho em um celular que não possui esse componente.
Fatores como a quantidade de memória RAM também pesam: aparelhos com 4 GB de RAM, por exemplo, já enfrentam dificuldades técnicas para rodar as versões mais atuais e robustas dos sistemas operacionais com a fluidez necessária.
Confira a entrevista completa no Podcast Canaltech:
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