Motoristas da Uber | Veja como foram os protestos pelo mundo nesta quarta (8)

Por Rafael Rodrigues da Silva | 09 de Maio de 2019 às 15h45
Tudo sobre

Uber

Saiba tudo sobre Uber

Ver mais

Na última quarta-feira (8), motoristas de apps de transporte coletivo, como Uber e Lyft, paralisaram suas atividades em praticamente todo o mundo, exigindo melhores salários e condições de trabalho das empresas que administram os aplicativos.

Esses trabalhadores escolheram o dia 8 de maio para paralisar suas atividades por ser nesta data que a Uber, a maior empresa do mundo neste setor, está oficialmente deixando de ser uma startup e se tornando uma empresa de capital aberto, fazendo sua entrada na Bolsa de Valores de Nova York. Analistas do mercado acreditam que essa entrada da Uber na bolsa fará com que o CEO da empresa, Travis Kalanick, se torne alguns bilhões de dólares mais rico do dia pra noite — algo que os motoristas do app estão chamando de “uma orgia de ganância”.

Motoristas da Uber em Londres protestaram em frente à sede da empresa (Imagem: Henry Nicholls/Reuters)

Durante todo o dia, os motoristas mantiveram seus aplicativos desligados — não aceitando, assim, nenhuma corrida — e, em algumas cidades do mundo (como Londres, Nova York e Glasgow) a categoria também organizou protestos que fecharam algumas das principais ruas destas cidades e exigiam melhorias para a profissão.

Participe do nosso Grupo de Cupons e Descontos no Whatsapp e garanta sempre o menor preço em suas compras de produtos de tecnologia.

As principais exigências dos motoristas vieram por maior estabilidade na função e um aumento no valor repassado a eles, que seria conseguido ao estabelecer um “limite” para a porcentagem que a empresa pode exigir de cada corrida.

Recentemente, a Uber aumentou a porcentagem que a empresa pega por cada corrida, e motoristas da costa oeste dos EUA passaram de um valor de US$ 0,80 por quilômetro rodado para US$ 0,60 por quilômetro — o que significa que essas pessoas, se continuassem trabalhando no mesmo ritmo, teriam seus salários diminuídos em 25% ao fim do mês. A exigência dos motoristas é de que a empresa assegure que pelo menos 80% do valor da corrida seja repassado para os motoristas.

Na cidade de Londres, motoristas ficaram com os os aplicativos desligados entre as sete da manhã e as quatro da tarde, e se reuniram em frente à sede da empresa para protestar por melhores condições de trabalho. Assim como em outros países, a diminuição agressiva no valor repassado aos motorista tem afetado bastante os motoristas de Londres.

Em entrevista para o Business Insider, Muhumed Ali, que dirige para a Uber há quatro anos, conta que quando começou a trabalhar como motorista para o app, conseguia cobrir suas despesas gerais trabalhando cerca de seis horas por dia. Hoje, para conseguir apenas pagar suas necessidades básicas (aluguel, conta de luz, mercado, etc), durante pelo menos quatro dias da semana ele é obrigado a dirigir por cerca de 14h, e mesmo nesse ritmo de trabalho ele ainda recebe no fim do mês um valor menor do que o salário mínimo do país. Em média, motoristas de Uber da Inglaterra recebem cerca de US$ 6,50 por hora trabalhada, enquanto o salário mínimo no país é de US$ 10,70 a hora.

Manifestantes protestaram em frente a Bolsa de Valores em Nova York (Imagem: Mark Lennihan/AP Photo)

Nos Estados Unidos, a maior concentração de protesto aconteceu na cidade de Nova York, onde uma enorme caravana de motoristas da Uber tomou em protesto a Ponte do Brooklyn e levou essa “carreata” até Wall Street, onde protestaram em frente à Bolsa de Valores enquanto as primeiras ações da Uber eram vendidas para futuros acionistas.

Já no Brasil, motoristas dos aplicativos Uber, Cabify e 99 se reuniram em protesto no Vale do Anhangabaú, e entre as principais exigências estavam uma diminuição na porcentagem exigida pela Uber (de 25% para 15% do valor da corrida), um aumento de R$ 2 na tarifa básica paga pelos passageiros, e um aumento no valor do quilômetro rodado.

Por enquanto, ainda não há uma posição oficial da Uber sobre os protestos, mas na segunda-feira (6), dois dias antes da paralisação, um porta voz da empresa havia afirmado para a imprensa dos Estados Unidos que os motoristas são os principais responsáveis pelo sucesso da empresa, e que ela continuaria se esforçando para melhorar a experiência não apenas dos clientes, mas também dos motoristas com a empresa.

Fonte: Business Insider

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.