Google faz grandes mudanças no Gemini que vão frustrar usuários gratuitos
Por Marcelo Fischer Salvatico |

O Google implementou nesta terça-feira (19) uma mudança significativa na forma como calcula os limites de uso do Gemini. A plataforma abandona o sistema de número fixo de requisições por dia e adota um modelo baseado em consumo de processamento, o que, na prática, significa que tarefas mais pesadas passarão a consumir mais cota do que uma pergunta simples.
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Segundo a empresa, o novo sistema leva em conta três fatores: a complexidade do prompt, os recursos utilizados (como geração de imagens e vídeos, Deep Research e modelos com raciocínio avançado) e o tamanho do histórico de conversa. Os limites serão renovados a cada cinco horas, dentro de um teto semanal.
Antes, um assinante do Google AI Pro tinha direito a até 100 prompts por dia com o modelo Gemini Pro 3.1, independente do que fosse pedido.
Com a nova lógica, uma pesquisa aprofundada com o Deep Research pode consumir significativamente mais cota do que um prompt de texto simples, sem que o Google tenha divulgado uma tabela exata de equivalências.
Como cada plano é afetado
A diferença entre os planos pagos e o acesso gratuito ficou mais acentuada com a mudança. De acordo com a página de suporte do Google, os multiplicadores de capacidade em relação ao acesso padrão (sem assinatura) são:
- Google AI Plus: 2 vezes o limite padrão;
- Google AI Pro: 4 vezes o limite padrão;
- Google AI Ultra: 20 vezes o limite padrão.
O problema, especialmente para quem usa o plano gratuito, é que recursos mais avançados, justamente os que mais atraem novos usuários, passarão a "pesar mais" na cota disponível. Deep Research, geração de imagens com Nano Banana e modelos com raciocínio estendido entram nessa categoria.
Relato de uso
O Canaltech testou os novos limites do Gemini, utilizando uma conta com o plano Plus.
O pedido de criação de imagem simples, com o modelo "3 Flash" e a ferramenta Nano Banana, custou 1% da cota. Já ao pedir para criar a mesma imagem, em outro estilo, e com o modelo 3.1 Pro com raciocínio Estendido, foram consumidos mais 2% da cota.
Depois, pedi uma pesquisa com o Deep Research sobre a obra e vida de um escritor. E, enquanto a pesquisa acontecia, fiz uma consulta como "Quantos jogadores do Santos e do Corinthians já foram convocados para as Copas do Mundo?", com o modelo "3 Flash".
Ao fim de tudo, foram consumidos 22% da cota de "Uso atual" (o uso num período de 5 horas, segundo o Google), e 1% do limite semanal. É possível conferir o seu uso da cota em "Configurações" e depois em "Limites de uso".
Por que o Google está fazendo isso?
A mudança acompanha um movimento mais amplo do setor. No mês passado, o GitHub reformulou seus planos do Copilot de forma parecida, trocando "unidades de requisição premium" por "AI Credits" baseados nos tokens efetivamente usados.
O motivo está no avanço das funcionalidades agênticas de IA, sistemas que conseguem criar sub-agentes e processar dezenas de milhares de tokens em uma única conversa. Cobrar por requisição, nesse cenário, deixou de fazer sentido financeiro para as empresas.
Por ora, o Google não especificou unidades exatas de consumo nem uma tabela que permita ao usuário calcular quantas tarefas de cada tipo pode realizar antes de esgotar a cota.
A empresa apenas indica que haverá um indicador visível mostrando o quanto de capacidade ainda está disponível e quando ocorrerá a próxima renovação.