Compartilhar trajetos de corridas nas redes sociais é perigoso? Entenda
Por André Lourenti Magalhães • Editado por Bruno De Blasi |

Postar o trajeto da corrida ou da caminhada diária nas redes sociais é um hábito comum entre brasileiros, principalmente como uma forma de registrar o progresso dos exercícios físicos. No entanto, a medida também pode apresentar um risco para a privacidade.
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Um simples print nos Stories pode revelar dados sensíveis, como a localização da pessoa ou o trajeto percorrido diariamente, e é muito importante evitar que desconhecidos tenham acesso a essas informações.
O Canaltech conversou com especialistas e explica quais as melhores práticas para não deixar de publicar sua rotina de exercícios na web.
Por que você não deve postar o mapa dos treinos
Publicar o trajeto constantemente pode expor muitas informações importantes da sua rotina: onde você costuma correr, o horário em que sai de casa ou o tempo gasto na rua. Criminosos podem usar essas informações no planejamento de crimes ou ameaças pessoais.
A advogada especialista em direito digital e proteção de dados do escritório Viseu Advogados, Antonielle Freitas, explica que os dados podem ser expostos em publicações simples.
Mapas e dados de GPS podem revelar horários recorrentes, caminhos utilizados com frequência e o ponto exato de início e fim das atividades, geralmente associados à residência ou ao local de trabalho. Esse tipo de exposição facilita perseguição, vigilância indevida, golpes baseados em rotina e até crimes patrimoniais. Mesmo publicações aparentemente inofensivas carregam metadados capazes de permitir a reconstrução dos deslocamentos. A previsibilidade dos hábitos, como treinar sempre no mesmo horário ou repetir o mesmo percurso, ampliam ainda mais esses riscos”, comenta a advogada.
Pesquisador da associação Data Privacy Brasil, voltada para oferecer cursos e boas práticas sobre privacidade, Pedro Henrique também alerta para o risco de ter a rotina mapeada nesses casos.
“Mesmo que o usuário escolha expor seus dados, ainda há pouco controle sobre como eles serão usados por outras pessoas e sobre o que é possível inferir a partir deles, afetando não só a privacidade, como também a autodeterminação informativa, princípio da própria LGPD (art. 2°, II)”, aponta.
Atividades físicas deixaram primeiro-ministro exposto
Um exemplo dessa exposição aconteceu com o primeiro-ministro da Suécia, Ulf Kristersson. De acordo com o jornal The Guardian, os seguranças do governante compartilhavam informações de corridas e treinos no aplicativo Strava e não aplicavam nenhuma configuração de privacidade para restringir os dados.
Nenhum ataque foi realizado contra Kristersson, mas o caso ganhou notoriedade no país por revelar destinos de férias, residências e encontros da agenda ministerial. O serviço de segurança sueco, responsável pelos guarda-costas, abriu uma investigação sobre o episódio.
Como evitar a exposição dos dados?
Algumas medidas ajudam a reduzir a exposição sem que você deixe de compartilhar seus treinos e corridas. Confira:
- Evite postar informações sobre os locais de início e fim da corrida;
- Ao postar informações sobre o treino, evite colocar o mapa do trajeto;
- Espere um pouco para postar as atividades nas redes e evite fazer isso em tempo real;
- Limite a quantidade de pessoas que podem ver seus posts ou use um perfil privado.
Pedro Henrique, da Data Privacy Brasil, compara as medidas tomadas com a mesma postura que as plataformas digitais precisam adotar para proteger os dados.
“Na LGPD, o princípio que informa esse tipo de precaução é o da minimização de dados (art. 6°, III): os agentes de tratamento precisam limitar o tratamento de dados ao mínimo necessário para atingir a finalidade de seu uso. Embora o usuário comum não seja um agente de tratamento e não seja obrigado a seguir tal princípio, a ideia aqui é pensar: se existe um modo de compartilhar uma atividade física expondo menos dados, por que não fazer dessa forma?”, pondera.
Strava recomenda ferramentas de privacidade
Um dos apps mais populares para monitorar corridas e outras atividades físicas, o Strava foi procurado pela reportagem do Canaltech sobre o tema e informou que oferece uma série de recursos de privacidade para limitar as informações de cada treino. É possível ocultar os pontos de início e fim, determinar quem pode ver cada atividade e fazer ajustes para publicações automáticas.
"O Strava foi criado para todas as pessoas que buscam um estilo de vida ativo, e incentivamos e capacitamos nossa comunidade a ter controle sobre o que compartilha na plataforma. Essas ferramentas foram desenvolvidas para oferecer confiança, flexibilidade e controle sobre os dados, sem abrir mão da motivação e da conexão com a comunidade que tornam o Strava especial", comentou um porta-voz do app.
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