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Compartilhar trajetos de corridas nas redes sociais é perigoso? Entenda

Por  • Editado por Bruno De Blasi | 

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Jozsef Hocza/Unsplash
Jozsef Hocza/Unsplash

Postar o trajeto da corrida ou da caminhada diária nas redes sociais é um hábito comum entre brasileiros, principalmente como uma forma de registrar o progresso dos exercícios físicos. No entanto, a medida também pode apresentar um risco para a privacidade.

Um simples print nos Stories pode revelar dados sensíveis, como a localização da pessoa ou o trajeto percorrido diariamente, e é muito importante evitar que desconhecidos tenham acesso a essas informações.

O Canaltech conversou com especialistas e explica quais as melhores práticas para não deixar de publicar sua rotina de exercícios na web.

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Por que você não deve postar o mapa dos treinos

Publicar o trajeto constantemente pode expor muitas informações importantes da sua rotina: onde você costuma correr, o horário em que sai de casa ou o tempo gasto na rua. Criminosos podem usar essas informações no planejamento de crimes ou ameaças pessoais.

A advogada especialista em direito digital e proteção de dados do escritório Viseu Advogados, Antonielle Freitas, explica que os dados podem ser expostos em publicações simples.

Mapas e dados de GPS podem revelar horários recorrentes, caminhos utilizados com frequência e o ponto exato de início e fim das atividades, geralmente associados à residência ou ao local de trabalho. Esse tipo de exposição facilita perseguição, vigilância indevida, golpes baseados em rotina e até crimes patrimoniais. Mesmo publicações aparentemente inofensivas carregam metadados capazes de permitir a reconstrução dos deslocamentos. A previsibilidade dos hábitos, como treinar sempre no mesmo horário ou repetir o mesmo percurso, ampliam ainda mais esses riscos”, comenta a advogada.

Pesquisador da associação Data Privacy Brasil, voltada para oferecer cursos e boas práticas sobre privacidade, Pedro Henrique também alerta para o risco de ter a rotina mapeada nesses casos.

“Mesmo que o usuário escolha expor seus dados, ainda há pouco controle sobre como eles serão usados por outras pessoas e sobre o que é possível inferir a partir deles, afetando não só a privacidade, como também a autodeterminação informativa, princípio da própria LGPD (art. 2°, II)”, aponta.

Atividades físicas deixaram primeiro-ministro exposto

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Um exemplo dessa exposição aconteceu com o primeiro-ministro da Suécia, Ulf Kristersson. De acordo com o jornal The Guardian, os seguranças do governante compartilhavam informações de corridas e treinos no aplicativo Strava e não aplicavam nenhuma configuração de privacidade para restringir os dados.

Nenhum ataque foi realizado contra Kristersson, mas o caso ganhou notoriedade no país por revelar destinos de férias, residências e encontros da agenda ministerial. O serviço de segurança sueco, responsável pelos guarda-costas, abriu uma investigação sobre o episódio.

Como evitar a exposição dos dados?

Algumas medidas ajudam a reduzir a exposição sem que você deixe de compartilhar seus treinos e corridas. Confira:

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  • Evite postar informações sobre os locais de início e fim da corrida;
  • Ao postar informações sobre o treino, evite colocar o mapa do trajeto;
  • Espere um pouco para postar as atividades nas redes e evite fazer isso em tempo real;
  • Limite a quantidade de pessoas que podem ver seus posts ou use um perfil privado.

Pedro Henrique, da Data Privacy Brasil, compara as medidas tomadas com a mesma postura que as plataformas digitais precisam adotar para proteger os dados.

“Na LGPD, o princípio que informa esse tipo de precaução é o da minimização de dados (art. 6°, III): os agentes de tratamento precisam limitar o tratamento de dados ao mínimo necessário para atingir a finalidade de seu uso. Embora o usuário comum não seja um agente de tratamento e não seja obrigado a seguir tal princípio, a ideia aqui é pensar: se existe um modo de compartilhar uma atividade física expondo menos dados, por que não fazer dessa forma?”, pondera.

Strava recomenda ferramentas de privacidade

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Um dos apps mais populares para monitorar corridas e outras atividades físicas, o Strava foi procurado pela reportagem do Canaltech sobre o tema e informou que oferece uma série de recursos de privacidade para limitar as informações de cada treino. É possível ocultar os pontos de início e fim, determinar quem pode ver cada atividade e fazer ajustes para publicações automáticas.

"O Strava foi criado para todas as pessoas que buscam um estilo de vida ativo, e incentivamos e capacitamos nossa comunidade a ter controle sobre o que compartilha na plataforma. Essas ferramentas foram desenvolvidas para oferecer confiança, flexibilidade e controle sobre os dados, sem abrir mão da motivação e da conexão com a comunidade que tornam o Strava especial", comentou um porta-voz do app.

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