Brasil adere ao protesto mundial contra Uber e motoristas devem parar amanhã (8)

Por Wagner Wakka | 07 de Maio de 2019 às 12h53
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Motoristas de aplicativo devem parar nesta quarta-feira (8) em protesto contra os serviços, em especial a Uber. Os trabalhadores se organizaram em grupos que vão protestar por melhores condições de trabalho com apps desligados no momento em que a Uber deve fazer sua entrada na Bolsa de Valores, chamada de IPO. Embora haja engajamento internacional, aqui no Brasil lideranças do serviço confirmaram ao Canaltech a recomendação de aderir ao movimento em todo país, desligando inclusive apps concorrentes da Uber.

“As entidades apenas vão apoiar a recomendação mundial. A ideia é do Uber Off, ou seja, que os motoristas desliguem seus apps durante todo o dia”, aponta Eduardo Lima de Souza, presidente da Associação de Motoristas de Aplicativo de São Paulo (Amasp).

Na capital paulista, ainda, há intenção de manifestação concentrando motoristas no pátio do Vale do Anhangabaú a partir das 8h da manhã desta quarta-feira (8). O presidente, contudo, aponta que a Amasp não tem relação com essa movimentação. “A Amasp não é contra nenhum tipo de manifestação, mas vai seguir as associações mundiais em apenas recomendar que motoristas desliguem seus apps”, esclarece.

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Reivindicações

As reclamações são relacionadas a mudanças no modo de pagamento dos serviços de transporte, como Uber e 99. Os motoristas explicam que antes havia cobrança de taxa para o trabalhador diferente do que é hoje.

Protestos já aconteceram em outros momentos contra a empresa (Foto: Reprodução/Gizmodo)

Anterior à mudança, a Uber repassava ao motorista uma porcentagem relativa ao pagamento do usuário. Agora, o cálculo é feito sobre a distância percorrida e o tempo que o passageiro fica no carro, não mais relativo ao total cobrado do usuário. “Não sei se você sabe, mas a Uber não recebe hoje mais 25% do motorista apenas. Ela pega do motorista como se fosse um taxímetro, que varia de acordo com a corrida. Ela cobra por distância ou por tempo decorrido, de acordo com a cobrança da corrida. Se uma viagem deu, por exemplo, R$ 50, ela não vai dar para o motorista 75%. Isso é fantasia. Hoje, ela cobra até 40%”, relata Diogo Nunes Portela, motorista de aplicativo e criador de uma plataforma regional chamada Mova.

A mudança é considerada abusiva pelos motoristas. Segundo Souza, presidente da Amasp, isso já foi cobrado da Uber. A justificativa da empresa é que subir o repasse da tarifa significa onerar o usuário. “O argumento deles é de que se aumentar a tarifa, cai a demanda. A gente faz a pressão, mas eles devem vir com o mesmo argumento”, reclama o presidente.

Segurança

Um outro líder dos motoristas,Thiago Silva, liderança no Recife, consultado pelo Canaltech também apontou que a segurança de quem trabalha é um outro tema desse protesto. Silva contou que a visão é de que o app “protege somente o usuário”, escondendo informações que podem ajudar os motoristas a identificarem fraudes e ações maliciosas. O resultado é um grande número de assaltos e riscos para quem trabalha principalmente de noite.

“A gente tem grande preocupação com a segurança dos motoristas. Eles fazem o cadastro para o passageiro, mas não dão informações para gente. Isso gera crimes. Queremos cobrar que as empresa invistam em segurança e qualidade de vida para os motoristas”, informou o líder.

Sistema permite que usuários possam indicar problemas. Motoristas pedem mais atenção (Foto: Uber)

Federação

Um grupo de cerca de 15 associações está reunido nesta terça-feira (7) em Vitória (ES) em um fórum para discutir melhorias no serviço. Embora pareça uma reunião relacionada ao protesto, os líderes ressaltam que o encontro tem outro objetivo.

Eles querem criar a Federação dos Motoristas de Aplicativo do Brasil (Fembrapp), a qual pode ajudar a dar mais união à classe, além de buscar pressão conjunta. A reunião para a formação do grupo está agendada para amanhã, exatamente no dia da paralisação.

"A reunião será para montar a ideia da Fembrapp para buscar melhorias para a categoria. A promoção de políticas sociais, para potencializar os ganhos, ter mais segurança, toda essa discussão nacional. Não tem nada a ver com greve, mas um encontro. A mobilização até aconteceu no meio disso”, explica Silva.

Movimento mundial

Segundo jornais internacionais, os motoristas prometem não oferecer os serviços de Uber e Lyft nos chamados horários de pico do. A expectativa é de que a Uber anuncie a sua oferta pública na Bolsa nesta quinta (9).

Os motoristas de aplicativo em Nova Iorque, Filadélfia, Boston e Los Angeles já anunciaram parada nos Estados Unidos. Além deles, outra cidades do Reino Unido, como Londres, Birmingham e Glasgow, também devem ter paralisações do serviço.

As principais reclamações, de acordo com a organização de motoristas New York Taxi Workers Alliance, é sobre aumento no número de pessoas retiradas do app. Eles ainda pedem o fim de preços iniciais para corridas e um teto para a parcela que a Uber pode cobrar do trabalhador por corrida.

A Uber reconhece os problemas e sabe que os motoristas não estão satisfeitos com o serviço. Quando entrou com o pedido de oferta pública, a empresa já havia indicado a questão, uma vez que tem diminuído investimentos em incentivos para os trabalhadores. “Além disso, nós estamos investindo em uma estratégia de carros autônomos, o que pode deixar motoristas mais insatisfeitos com o tempo, na medida em que haja redução da demanda de motoristas”, apontou a companhia no documento.

A IPO da Uber é aguardada como uma das maiores do setor de tecnologia dos últimos tempos. A companhia colocou para uma fatia entre US$ 44 e US$ 50 o preço das ações que serão vendidas na Bolsa de Valores. No total, serão 180 milhões de papéis em oferta, somando US$ 9 bilhões em potenciais investimentos.

A expectativa de analistas é de que a Uber passe a ser avaliada na casa dos US$ 84 bilhões. Apesar de o número ser bastante alto, ainda é muito abaixo das expectativas iniciais. Por exemplo, analistas da Reuters acreditavam em um valor de marca de até US$ 120 bilhões, muito acima da situação atual.

Já a Lyft abriu seu capital em março, sendo que suas ações seguem em decadência desde então.

O Canaltech entrou em contato com a Uber no Brasil para comentar as movimentações, mas ainda não obteve resposta.

Fonte: The Verge

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