Baratas vivas e ameaças: ataque do eBay a jornalistas acaba em acordo milionário
Por Viviane França |
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O eBay e antigos executivos da empresa chegaram a um acordo judicial com os jornalistas Ina e David Steiner, encerrando um processo relacionado a uma campanha de perseguição e intimidação que aconteceu em 2019. O casal, dono do site e newsletter EcommerceBytes, vai receber milhões de dólares após ser alvo de uma ação de funcionários da empresa para tentar impedir críticas feitas por Ina Steiner.
O caso começou depois que reportagens da jornalista irritaram o então CEO do eBay, Devin Wenig. Segundo documentos apresentados no processo, Wenig pediu ao setor de comunicação da empresa para “derrubá-la”. Depois disso, o executivo de comunicação teria orientado o chefe da equipe de segurança a fazer “o que fosse necessário” para silenciar Ina Steiner, dando início a uma série de ataques contra os jornalistas.
Entre as ações realizadas estavam ameaças virtuais e o envio de objetos perturbadores para a casa dos Steiner, incluindo baratas vivas, uma máscara de porco com aparência ensanguentada, uma coroa de flores funerária e um livro sobre como lidar com a perda de um cônjuge. Em 2020, sete funcionários da equipe de segurança do eBay se declararam culpados por participação no esquema de perseguição.
O advogado do casal, Christopher Murphy, afirmou que o objetivo da ação era revelar o que aconteceu, responsabilizar os envolvidos e evitar que outros jornalistas e editores passem por situações semelhantes.
eBay pagará US$ 46 milhões em acordo
O acordo prevê que o eBay pague US$ 46,15 milhões ao casal. A empresa também fará uma doação de US$ 6 milhões para organizações sem fins lucrativos.
Outros envolvidos também terão de pagar indenizações:
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Devin Wenig, ex-CEO do eBay: US$ 2 milhões, além de US$ 1 milhão destinado a uma instituição ligada à defesa da liberdade de imprensa em nome de Ina Steiner;
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Wendy Jones, ex-executiva da empresa: US$ 500 mil;
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Steve Wymer, ex-executivo do eBay: US$ 50 mil.
eBay diz que comportamento "nunca deveria ter acontecido"
Em comunicado divulgado pelo Engadget, o eBay classificou as ações de 2019 como “erradas, repreensíveis e que nunca deveriam ter acontecido”. A empresa afirmou que o episódio não representa sua cultura atual e destacou mudanças feitas desde então, como a contratação de novos líderes e o reforço de políticas internas, controles e treinamentos de ética.
Wenig também se pronunciou e afirmou lamentar o que aconteceu com os jornalistas. O ex-CEO negou ter conhecimento prévio da campanha de assédio e disse que isso foi confirmado por uma auditoria independente, uma investigação federal e pelo depoimento sob juramento do funcionário apontado como líder do esquema de perseguição.
Segundo ele, as ações foram feitas sem sua autorização e seriam contrárias aos valores que defende. Wenig também afirmou apoiar a liberdade de imprensa e o direito dos Steiner de publicar críticas à empresa.
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