Análise | Microfone OEX MG 100 traz bom som, mas erra feio em estática

Por Wagner Wakka | 15 de Setembro de 2019 às 10h40
Wagner Wakka/Canaltech

Um dos pontos mais difíceis da vida de qualquer influenciador que queira começar a fazer lives de jogos é como tratar o som. Principalmente se você ainda não está naquele nível em que já vale adaptar todo um cômodo da casa para isso, um bom microfone com isolamento legal pode ser uma mão na roda.

Essa é a promessa do OEX Game MG 100, também chamado de Rook. O microfone é voltado para streamers, mas não custa muito caro nem pesa no bolso. Posicionado como um aparelho de entrada, o preço sugerido é de R$ 169. Ou seja, esta análise será feita levando em consideração que não estamos falando do melhor aparelho do mercado, mas pensando em um bom custo-benefício.

Aparelho indicado para lives e gravações (Foto: Wagner Wakka/Canaltech)

Será que ele funciona para necessidades de quem não tem um ambiente isolado e garante uma boa qualidade de som? Vejamos.

Estrutura

O OEX Rook é um microfone omnidirecional. Isso significa que ele é capaz de captar o áudio em 360º, com toda sorte de qualidades e defeitos que isso possa acarretar. Se, por um lado, você não precisa se preocupar com o posicionamento do aparelho próximo à boca, também não pode ter algo muito barulhento em volta.

Os aparelhos omnidirecionais são feitos para “pegar” tudo que está no ambiente. Assim, o barulho de teclado, mouse e outras interferências em volta podem aparecer nele.

O microfone vem com algumas características bem interessantes para um dispositivo de entrada. Primeiro, ele conta com um suporte antiderrapante de fábrica para colocar o aparelho. E esse minipedestal é muito útil por dois motivos. Primeiro, se estamos falando de um produto voltado para streamers, não é possível segurar o microfone e jogar ao mesmo tempo. Como um produto barato, ele também não exige que você compre um braço articulado ou algo assim.

Dispositivo já vem com pedestal para funcionamento (Foto: Wagner Wakka/Canaltech)

Ele também ajuda a diminuir um pouco da estática que assola este microfone, algo que vamos nos aprofundar mais para frente.

Ele é compatível com suportes de microfones convencionais, também chamado de popularmente de cachimbo. Logo, se você tiver um tripé em casa, também pode usar com este microfone da OEX.

Outra qualidade do suporte são dois pequenos pontos de presilha dos fios. Isso ajuda a esconder os cabos e manter a arrumação na mesa para live, fator importante para compor um cenário limpo.

Microfone

Agora vamos falar das especificações do microfone em si. Ele chega com um cabo generoso de 1,5 metro e conexão USB-A. Assim, não precisa de nenhum tipo de adaptação ou instalação para funcionar no computador. No pacote, há também uma espuminha de isolamento, ideal para evitar ruídos com ventos e sopros perto do microfone.

Aparelho conta com controle de volume na parte de cima (Foto: Wagner Wakka/Canaltech)

O Rook tem um botão de “ajuste de volume” na parte de cima, como apontado na descrição do aparelho. Na verdade, trata-se de um controle de ganho do aparelho. Isso determina o quão longe o microfone é capaz de captar.

Segundo o fabricante, a sensibilidade vai de + 58dB até - 2dB. Ou seja, uma boa captação de cerca de um palmo de distância do microfone, até um silêncio quase que absoluto. A seguir, há um teste feito pelo Canaltech de variação de sensibilidade do aparelho.

Para um microfone de entrada, ter esta regulação física no aparelho é um ponto bastante positivo. Contudo, a forma como a OEX escolheu para fazer isso foi bastante infeliz.

O microfone tem um switch que pode ser acionado aumentando ou diminuindo a abertura do aparelho. Porém, não há nenhuma indicação de nível. Como o dispositivo não tem saída de som como retorno, um influenciador menos experiente pode ter de ficar perguntando para audiência se o volume do microfone está legal ou não.

Aqui no Canaltech, só foi possível regular a sensibilidade acompanhando uma gravação pelo Adobe Audition. Ou seja, nada prático. Assim, o que poderia ser um bom atalho, acaba por se tornar mais um problema de ajuste.

Outra falha do aparelho da OEX é não ter indicações de funcionamento. Valeria ter uma luz ou algo do tipo apontando que o microfone está ligado e em funcionamento, o que ajudaria, mais uma vez, o público de entrada não habitual de aparelhos do tipo.

Dispositivo pode ser seprado do pedesstal (Foto: Wagner Wakka/Canaltech)

De resto, o microfone é todo feito em plástico, com um corpo bastante leve e pequeno, dando aparência de um produto frágil. Em se tratando de um aparelho de entrada, este não é exatamente um problema.

Gravação 

Passada a estrutura do Rook, vamos à parte mais importante: a gravação. Para medir a qualidade do dispositivo, fizemos a comparação com outras três configurações para casa.

A primeira é com o QuadCast, da HyperX. A ideia aqui é mostrar qual é a qualidade de um dispositivo topo do mercado, de alto preço (perto de R$ 800), em comparação com o modelo de entrada.

A segunda configuração é com um microfone de lapela da Greika LMX1, ligado a um smartphone. Ele também é um dispositivo de entrada, com preço na casa dos R$ 100.

Por fim, também fizemos a comparação com o headset A40 + MixAmp da Astro, voltado especialmente para streaming e jogatina online. Este conjunto também é um topo de linha, custando na casa dos R$ 1.500.

A seguir, portanto, vamos ao áudio da comparação:

O áudio do Rook se mostrou bastante satisfatório, principalmente na capacidade de não absorver muito do barulho ambiente, entregando um som bastante limpo. Ele é mais voltado para tons agudos e não dá aquela força no grave, como acontece com outros aparelhos melhores.

O sistema de ganho dele, embora seja difícil de configurar, permite um balanço bom entre o ruído externo e a fala do usuário. Ou seja, para o propósito do streaming, ele funciona de forma satisfatória.

Contudo, ele possui um defeito bastante complicado para um aparelho de áudio. O Rook conta com péssimo isolamento estático. É por isso que, no meio das gravações, é possível ouvir pequenas interferências no áudio, como se tivesse passando eletricidade pelo microfone.

Conjunto inclusi microfone e pedestal (Foto: Wagner Waka/Canaltech)

Quando está no suporte, em alguns momentos ele até que consegue manter um isolamento estático decente. Entretanto, se o usuário pega o dispositivo na mão, vai ter problemas sérios de estática.

Esse é um problema gigantesco, já que o Rook provavelmente estará em uma mesa compartilhada com outros dispositivos como fone, mouse, teclado, controle, placa de captura e outros. Ou seja, sem um isolamento bom, é quase certeza de que todos esses componentes, em algum momento, vão dar interferência elétrica nele.

Isso mina completamente a qualidade e segurança de indicar o OEX Rook para quem está buscando um aparelho de streaming.

Vale a pena? 

Bom, o OEX Game MG 100 oferece uma qualidade de som melhor do que o esperado para um aparelho de entrada. Contudo, ele ainda é bem aquém do que se pode comprar na faixa de R$ 150.

Isso porque vale mais investir em um bom headset, aproximando o microfone da boca, já unindo fone e microfone, do que optar por uma captação omnidirecional. Em termos de streaming, sem um ambiente projetado com bom isolamento acústico, mais vale investir ou em um bom microfone como o QuadCast, ou seguir para um aparelho que não tenha captação 360º.

No caso, a opção da lapela ligada ao computador ou mesmo um headset nesta faixa de preço se mostraram mais seguros que usar o Rook. A falta de isolamento estático também é um ponto bastante negativo do aparelho, e os zunidos durante a transmissão é rotineiro.

Deste modo, o Rook é mais um produto com estética gamer para tentar pegar um entusiasta de microfones para streaming sem oferecer o que realmente é necessário para uma boa captação. O baixo preço dele não compensa pela qualidade de áudio que pode ser muito bem alcançada com outros tipos de microfone.

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.