Review Windows 11 | Uma promessa frutífera que ainda precisa amadurecer

Review Windows 11 | Uma promessa frutífera que ainda precisa amadurecer

Por Igor Almenara | Editado por Douglas Ciriaco | 13 de Outubro de 2021 às 17h02
Reprodução/Microsoft

A essa altura, se acompanha o Canaltech, você deve estar ciente de que o Windows 11 foi oficialmente lançado para todos os usuários. Apresentado em junho deste ano, o novo sistema operacional da Microsoft prometeu de tudo um pouco: mais funcionalidades, novo visual, loja de apps mais útil e segurança como princípio e chegou no começo de outubro para a alegria dos entusiastas da MS.

Muito se viu sobre o SO ao longo dos quatro meses em que ele esteve nas mãos dos membros do programa Windows Insider, incluindo a confirmação do modelo do seu antecessor de entregar uma experiência em constante evolução, abraçando conceitos de um software como serviço.

Contudo, será que vale fazer a virada de SO logo de cara? Seria o Windows 11 uma verdadeira “virada de página” para a família de sistemas da Microsoft, capaz de quebrar a tradição de erros e acertos a cada nova versão? O CT testou e traz neste artigo a avaliação de se vale a pena ou não trocar de sistema operacional.

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Novo visual: diferente, mas familiar

Diferente do que fez na transição no Win 10, a Microsoft fez questão de fazer o Menu Iniciar parecer e funcionar de uma forma diferente, mas não exagerou. A clássica seção do sistema quebra a tradição de gerações (sem mencionar o trágico Windows 8) e é centralizado na Barra de Tarefas por padrão.

O visual do Windows 11 é familiar para quem já conhece o sistema e até para quem vem de distros Linux (Captura: Igor Almenara/Canaltech)

Os Blocos Dinâmicos do Win 10 não existem mais, e no lugar deles há uma grade de aplicativos bem no estilo de sistemas operacionais para celular: as dimensões são fixas, há recomendações e “acessos recentes” na parte de baixo e atalhos permanentes no grupo superior. É tudo bem familiar, então não há grandes mudanças para o uso diário.

Barra de Tarefas e suas “novidades”

Ainda sobre essa área do sistema, é na Barra de Tarefas que estão algumas das mudanças desagradáveis do Windows 11. A seção perdeu várias de suas funcionalidades, não pode mais ser movida para outros cantos da tela (sem gambiarras nem a ajuda de terceiros) nem exibir rótulos completos de aplicativos. Goste ou não, o usuário só tem a opção de ter tudo sempre agrupado, cujos nomes ficam visíveis ao passar o mouse sobre os ícones.

Recheada de ícones de recursos nativos do Windows, a Barra de Tarefas está bem menos versátil (Captura: Igor Almenara/Canaltech)

Não dá mais para levar arquivos de um programa para outro a partir da Barra de Tarefas, nem clicar em qualquer área dela para ir abrir o Gerenciador de Tarefas. No geral, ela ficou bem menos versátil do que antes, o que faz questionar se vale trocar funções clássicas por tanta “modernidade”.

Particularmente, até gosto da nova Barra de Tarefas, apesar dos inconvenientes. O problema em meu primeiro uso, na verdade, estava na insistência de apps e ferramentas nativas — mais especificamente o Microsoft Teams, widgets e Busca. Assim que instalei, a primeira coisa que fiz foi desabilitar a exibição de todos eles, deixando o espaço apenas para aquilo que importa para o uso diário.

A área de notificações, logo ao lado, também continua útil. O visual mais sóbrio, integrado ao calendário, é até mais prático do que a do Windows 10. As configurações rápidas foram realocadas para um ícone posicionado logo ao lado, em um botão com ícone de rede e controle de som. Há um novo controle de mídia nessa área, também, o que torna tudo ainda mais conveniente.

O que há de bom (e ruim) em programas nativos

Para começar pelo melhor, a Microsoft acertou em cheio na atualização de visual de boa parte dos aplicativos. Alguns dos programas nativos não contam com qualquer funcionalidade totalmente inédita, mas só a nova interface foi suficiente para encher o catálogo de frescor. Novidades mais impactantes chegaram para utilitários, como o Relógio, e até o Paint recebeu um trato.

Demorou, mas o Paint finalmente recebeu um trato visual (Imagem: Reprodução/Microsoft)

Do novo conjunto, há um destaque extremamente importante: o Windows Terminal. O software é uma porta para a visão da Microsoft em sua relação mais amistosa com a comunidade Linux, e cumpre essa tarefa muito bem. A partir dele, usuários têm acesso aos terminais do sistema operacional (Prompt de Comando e Windows PowerShell), bem como às distros do Pinguim integradas ao Subsistema Linux para Windows (WSL), todas baixáveis por comados ou a partir da Microsoft Store.

O Ubuntu é uma das distros Linux que estão disponíveis para download na Microsoft Store (Captura: Igor Almenara/Canaltech)

É a partir dessa integração que também é possível abrir aplicativos com interface gráfica de usuário (GUI) Linux. A combinação estranha entre sistemas operacionais acontece em um mesmo ambiente, sem precisar de dual boot ou outras artimanhas. Foi-se o tempo que o Windows vivia em uma guerra contra o Linux, e o Windows 11 é a consolidação desse casamento antes improvável.

Os (não tão) novos Widgets

Para aproveitar a presença na maioria dos computadores, a Microsoft aposta de novo na distribuição massiva de seus principais programas e ferramentas. A Cortana já não é mais tão presente no sistema — se é que ela um dia foi, especialmente para quem fala português —, mas no lugar há o Microsoft Teams e os novos widgets, que até pareciam boas adições no começo, mas ainda precisam amadurecer.

Na prática, os widgets são mais interessantes para quem já está inserido no ecossistema da Microsoft (Captura: Igor Almenara/Canaltech)

Quanto aos widgets, eles soam melhor como ideia, especialmente para quem conhece os complementos do Windows 7. A diferença, porém, está na disponibilidade limitada desse recurso, em que as únicas opções do catálogo promovem ou fazem parte do ecossistema Microsoft — ou seja: pesquisas vão para o Bing, apps vão para a Microsoft Store e notícias vêm do Microsoft News ou MSN.

O Microsoft Edge já andou um longo caminho e é infinitamente melhor que a versão originalmente nativa no Windows 10, mas a MS faz feio em insistir que você o use no Windows 11. Se você clica num link dos widgets, é o Edge que é aberto, independentemente do navegador que estiver configurado como padrão. Então, isso pode incomodar bastante ao usar os novos complementos.

Superfície frágil

A modernidade do Windows 11 é visível em todo canto, mas ela reconhece que não dá para trocar tudo por interfaces excessivamente descomplicadas. O menu de contexto tradicional, por exemplo, está oculto em “Mostrar mais opções”; o Painel de Controle continua idêntico e há várias seções do sistema que permanecem intocadas — o Gerenciamento de Disco e o Gerenciador de Tarefas são exemplos disso.

Para não desagradar usuários antigos, a Microsoft mantém certas seções intocadas (Captura: Igor Almenara/Canaltech)

Sendo assim, dá para notar que a Microsoft não quis ir muito a fundo nas renovações, e isso é um baita acerto em usabilidade, mas não em consistência. Manter funções em seus devidos lugares é um ponto positivo também para a familiaridade, já que não é necessário reaprender a como mexer no SO para extrair o máximo dele.

O Explorador de Arquivos está "moderninho", mas ainda sem navegação com guias (Imagem: Igor Almenara/Canaltech)

A parte que acabou caindo na simplicidade exagerada foi o Explorador de Arquivos. Todo o conjunto de ferramentas da barra superior foi substituído por ícones nem sempre claros, e várias funcionalidades foram escondidas em submenus. Infelizmente, também, não há interface de navegação em guias, então o usuário ainda tem que se contentar com várias janelas do Explorer caso queira abrir várias pastas de uma só vez.

O melhor Windows para jogos?

Mais uma vez, a Microsoft promete que esse é o melhor Windows para gamers de PC. Apesar das polêmicas acerca de mecanismos de segurança com impacto negativo em desempenho, não dá para dizer que o sistema é ruim para a jogatina — talvez, porém, só não seja o momento ideal para adotá-lo no computador pessoal.

O app do Xbox já com o catálogo do Xbox Game Pass é uma adição importantíssima para atrair novos assinantes (Captura: Igor Almenara/Canaltech)

O aplicativo do Xbox, já integrado com o Xbox Game Pass, é o que favorece o gamer de PC por aqui. Diferente do que foi a tragédia com o Games for Windows Live, a união entre o ecossistema do console com o sistema operacional parece bem natural. Não há gamer de PC que não fique feliz em ter um catálogo recheado de opções para jogar por uma mensalidade mais acessível.

Mesmo com um processador AMD, cuja performance sofre um problema no Windows 11, minha experiência com jogos não foi impactada de forma significativa. Em títulos como Call of Duty: Warzone, Deathloop, Valorant e Death Stranding tudo pareceu estável, livre de travamentos, quedas inexplicáveis de quadros, telas azuis ou qualquer outro problema.

Comprar jogos direto da loja da Microsoft ainda é algo que precisaria me acostumar, mas não me vejo muito longe dessa realidade (desde que a Microsoft pratique valores mais competitivos, como os da Steam). E por falar na loja...

Nova Microsoft Store: uma promessa que requer tempo

As políticas mais flexíveis, a interface retrabalhada e o foco em abrigar todo tipo de app faz da nova Microsoft Store um ambiente propício para a construção do tão almejado “centro de aplicativos” que a Microsoft tanto promete. Agora, porém, é importante lidar com a outra parte: os usuários.

Aplicativos falsos ainda estão presentes em grande variedade na Microsoft Store, e isso é um problema gravíssimo (Captura: Igor Almenara/Canaltech)

Existem várias categorias de programas lá, incluindo web apps, mas fazer as pessoas optarem pelo download via Microsoft Store demandará uma campanha de bastante incentivo. Baixar e instalar executáveis é uma ação quase automática em PCs com Windows, então a dona do sistema teria que mostrar que a plataforma nativa é mais fácil (e melhor) para baixar softwares.

Windows 11: vale a pena?

A migração do Windows 10 para o Windows 11 não é tão suave quanto a Microsoft divulga, pelo menos não para a boa parte das pessoas. É bem provável que na sua transição seja necessário passar pelas configurações de BIOS, ao menos para colocar o TPM 2.0 em ação — o Canaltech falou sobre ele neste artigo. Portanto, de tranquilo, a experiência pouco tem, e a situação é ainda pior para quem não é afinado com informática.

O Windows 11 pode finalmente quebrar o ciclo de erros e acertos da Microsoft (Imagem: Reprodução/Microsoft)

Dito isso, é preciso pensar se vale fazer o salto — e, ao meu ver, vale. De certa forma, o Windows 11 é um refinamento daquilo que já era bom no Win 10: a interface, a navegabilidade e, principalmente, a familiaridade. Quem vem do sistema antigo vai se sentir em casa com o novo SO, levando apenas alguns minutos até entender a nova posição de algumas coisas e explorar praticamente tudo que há de novidade.

O grande lance do Windows 11, contudo, é na continuidade do suporte, e muito recurso ainda está pendente nele. A compatibilidade com aplicativos Android ainda está apenas no mundo das ideias, e alguns aplicativos, como o Groove Música, parecem parados no tempo, mas talvez evoluam exclusivamente no novo software.

Por isso, dá para notar que ainda tem muito para melhorar no Windows 11, e provavelmente isso deve acontecer. Bugs devem ser corrigidos, a loja deve ficar ainda mais rica em opções e por aí vai, mas só o tempo mostrará se realmente deu tudo certo.

Daí, vale atualizar agora? Eu diria que não, mas isso pode mudar em questão de semanas, então avalie a oportunidade sempre que possível.

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