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Smartphones recentes x Flagships antigos

09:38 | Por Wellington Arruda | 03 de Abril de 2018

Um estudo da IDC revelado em dezembro do ano passado mostrou que 41,9% dos brasileiros tendem a troca de smartphone a cada dois anos. Seja por causa da capacidade da bateria ou pelas qualidades das câmeras, essa vontade de ter o mais atual existe, e não é de hoje.

Eles também se tornaram companheiros fiéis, que nos ajudam tanto no trabalho, no estudos, facilitam a comunicação e por aí vai. Mas será que os dispositivos mais antigos realmente ficaram tão para trás, assim?

Bom, vamos voltar cinco aninhos no passado. Em 2013, celulares como o Moto X, iPhone 5S, LG G2, Galaxy Note 3 e outros faziam um sucesso tremendo entre os consumidores. Naquela época, até mesmo a Nokia, aquela lá da família Lumia de smartphones, trazia o 1020 com uma câmera bem poderosa para o mercado.

Agora, pulando para 2015, já começamos a ver o LG G4, Galaxy S6 Edge e outros. Estes dois últimos aparelhos ainda são encontrados no mercado brasileiros por valores abaixo dos R$ 1.500, mas no lançamento, respectivamente, eles chegaram a custar R$ 2.999 e R$ 3.799.

Atualizações

A primeira coisa que você tem que saber é que nem todo smartphone lançado em 2013, 14 ou 15 tinha garantia de receber atualizações até hoje. Isso porque a grande maioria das fabricantes dão suporte de atualizações (de software) por dois anos.

De qualquer forma, muitos destes aparelhos seguem recebendo updates de segurança, mas não os novos recursos do Android.

Mas, tudo bem, vamos supor que você é uma pessoa que só quer um smartphone que seja relativamente potente para usar as redes sociais e trocar mensagens. Naturalmente, celulares topo de linha que foram lançados nos últimos 3, 4 ou 5 anos conseguem rodar até hoje estes apps, e sem muita complicação.

Só que muitos outros aplicativos já estão exigindo versões mais recentes do Android, então alguns destes modelos acabam sendo desfavorecidos. E, se você também não se importa com recursos novos e só quer o básico, talvez eles possam até quebrar um bom galho - mesmo sem as melhorias de autonomia, segurança e todo o resto.

É aquela coisa: dá pra usar? Claro que dá! Ainda existem Custom ROMs, mas aí já fica por conta e risco dos usuários. A diferença é que um smartphone mais recente tem mais garantias de ser atualizado por mais tempo, é claro. E também traz os novos recursos do Android, que podem ser importantes dependendo do seu uso.

Display e design

O design dos smartphones, assim como os displays, mudaram muito nos últimos anos. Tanto que agora nós temos, nitidamente, mais tela do que tudo na frente da grande maioria dos aparelhos, seguindo o formato 18:9.

Nos modelos dos últimos anos a coisa não é bem assim, mas nós já tínhamos celulares com painéis Super AMOLED e com resolução Full HD ou superior, não é mesmo?

Pois bem, o negócio é que na hora de optar por um celular que já foi topster no passado, pensando nos últimos anos, a gente consegue ter modelos com boa resolução e bons ajustes de calibração.

É claro que as tecnologias são atualizadas e você sempre consegue extrair o máximo com hardwares mais avançados. No entanto, estes celulares que já rodam há algum tempo ainda podem oferecer qualidade bacana de exibição.

Note, também, que alguns intermediários também já contam com painéis Full HD, também. E naquela época, alguns dispositivos Android já traziam telas com 5 polegadas ou mais de tamanho, o que não é tão diferente de hoje em dia.

O que fica de diferente, mesmo, é a proporção. Agora, alguns smartphones conseguem ter o corpo menor, mas com um display maior, aproveitando mais o espaço frontal.

Mas, se você não se importa com o visual, é bom ficar de olho em problemas no hardware. Dead pixel, pontos de arranhões mais profundos no vidro e mais são detalhes que podem influenciar no uso geral dos aparelhos.

Desempenho

O desempenho está ligado diretamente ao software, embora estejamos falando de celulares que eram topo de linha contra modelos intermediários da atualidade. Resumidamente, estas duas categorias, considerando a diferença de tempo, não competiriam diretamente entre si.

Isso porque muita coisa mudou. Os novos chipsets são fabricados em novos padrões, como temos hoje em dia alguns feitos em 14nm e não 20nm, que é o caso do Snapdragon 810. Além dos chipsets mais recentes ocuparem menos espaço, eles também trazem GPUs mais otimizadas e melhorias no gerenciamento de energia e afins.

Isso por até não acontecer de modo geral, mas os intermediários de hoje em dia são bem equiparáveis aos topo de linha do passado recente. Eles tendem a ser mais fluidos em relação ao software e não engasgam tanto com apps e jogos lançados há pouco tempo.

Quer um caso recente para mostrar isso? A Apple, no fim do ano passado, reduziu o clock de modelos do iPhone 6s porque a bateria deles já não era mais a mesma, preservando a integridade dos celulares. E tem esse problema, também, pois o hardware pode ficar desgastado, além de defasado de certa forma.

Mas, com hardware funcionando numa boa, um celular topo de linha de 2014/2015 nitidamente não vai fazer feio nos dias de hoje. As diferenças podem ser vistas, é claro, mas com aplicativos e jogos mais tradicionais os problemas de travamento são bem menores.

Só que todo o conjunto também pode ser atualizado. Novas formas de autenticação, leitores biométricos mais rápidos e úteis, aplicações para pagamentos móveis e muito mais podem ser encontrados em celulares intermediário/premium de hoje.

E alguns destes recursos até podem ter aparecido nos outros topo de linha dos últimos anos, mas eles melhoraram muito desde então. Se você não liga para nada disso, então siga em frente.

Câmera e bateria

Duas coisas que também mudaram um pouquinho nos últimos anos: câmeras e baterias. Hoje em dia, quem reina são os celulares com duas câmeras, e as opções são várias. Desde o zoom óptico de 2X, passando pelas lentes grandes angular e até mesmo as monocromáticas, as fotografias ganharam um belo boost.

Mais configurações e ajustes das próprias fabricantes, sensores mais atuais e recursos de gravação que não existem em versões mais antigas do Android. Ok, as câmeras mais recentes, de fato, são melhores. Mas nem tanto assim.

Smartphones topo de linha lançados de 2013 pra cá, por exemplo, ainda podem fazer um trabalho legal com as fotos. É claro que eles não terão os mesmos presets de HDR e nem lentes com aberturas tão grandes, mas ainda rola pegar um LG G4 e sair por aí fotografando numa boa.

O problema, mesmo, fica na bateria. Alguns destes aparelhos tinham autonomia um tanto quanto… resumida; e hoje em dia elas são ainda mais resumidas. Tudo bem que os smartphones da atualidade não são os reis da autonomia, mas os seus componentes estão novos, logo eles têm mais chance de passar mais tempo ligados.

O único modo de contornar isso seria trocando a bateria do tal flagship do passado, para que ele então pudesse voltar a funcionar lindamente. E tem mais um detalhe: o

carregamento rápido! Se o flagship escolhido por você é compatível com a tecnologia, isso pode ser um bom sinal. Mas os mais novinhos ainda se aproveitam da USB-C, que também pode transferir dados mais rapidamente.

Mas...e aí?

No fim das contas, esse debate gira em torno da grana. Será que ainda é viável investir num topo de linha do passado, mesmo? Ou é mais fácil comprar um intermediário, ou um “intermediário premium”?

Tudo vai depender do que você precisa no seu smartphone. Estes dois grupos conseguem rodar apps numa boa, mas têm diferenças no software; também podem fazer ótimas fotos, mas sem as otimizações mais recentes.

Mas, numa resposta rápida, ainda vale a pena, sim. Mas isso se você não for tão longe, assim. Nós citamos exemplos de até 2013, pois alguns de vocês nos perguntaram exatamente isso. Só que, considerando modelos de 2015 pra cá, a coisa pode sim funcionar numa boa, e de modo bastante equiparável.

E vocês, comprariam um celular de até R$ 1.500 de 2017/18 ou preferem um topo de linha de 2014, 2015 ou anterior? Contem aqui pra gente!

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