Meta encerra plataformas do metaverso e redireciona foco para IA
Por Redação |

A Meta estabeleceu o dia 16 de fevereiro de 2026 como o marco para o encerramento de operações centrais de seu ecossistema de realidade virtual, incluindo a desativação do ambiente de reuniões Horizon Workrooms e a interrupção das vendas do headset Quest para o mercado corporativo (B2B). A decisão consolida a mudança de estratégia da companhia, que redireciona investimentos para a inteligência artificial após a baixa adesão aos ambientes virtuais imersivos.
O movimento encerra um ciclo iniciado em 2021, quando a empresa alterou seu nome de Facebook para Meta. Segundo dados apresentados por Amanda Abreu, do Canaltech, a divisão Reality Labs, responsável pelo desenvolvimento dessas tecnologias, acumulou um prejuízo histórico de US$ 73 bilhões entre 2021 e 2026. Apenas no último trimestre de 2025, as perdas giraram em torno de US$ 4 bilhões.
A insustentabilidade financeira do projeto coincidiu com a ascensão das IAs generativas, que demonstraram aplicabilidade prática e retorno imediato para o mercado.
"A Meta entendeu que a IA veio, de fato, em primeiro lugar e traz lucro e retorno, algo que as empresas precisam ter", analisa Abreu.
A apresentadora destaca que, enquanto o metaverso exigia uma mudança comportamental complexa, a inteligência artificial foi integrada a fluxos de trabalho já existentes, otimizando tarefas repetitivas.
Barreiras de hardware e usabilidade
Além da questão financeira, barreiras físicas e de usabilidade dificultaram a popularização dos dispositivos de Realidade Virtual (VR). O conforto térmico e a ergonomia dos headsets foram pontos críticos para a rejeição do público, especialmente em países de clima tropical como o Brasil.
"O maior 'tiro no pé' da Meta foi ter apostado nesses óculos que são pesados e esquentam", avalia Amanda Abreu. Ela relata a inviabilidade de uso prolongado dos equipamentos:
"Não consegui ficar mais de 30 minutos com o Quest. O rosto começa a suar, o aparelho esquenta e se torna incômodo".
A analista aponta que a experiência de uso, muitas vezes, passava a sensação de algo "mal feito" ou "inacabado", o que afastou tanto consumidores finais quanto clientes corporativos.
Apesar do encerramento das plataformas imersivas totais, a tecnologia não deve desaparecer por completo, mas sim evoluir para formatos menos intrusivos. O sucesso de vendas dos óculos inteligentes Ray-Ban Meta, que integram câmeras e áudio sem bloquear a visão do usuário, indica um caminho mais promissor para a realidade aumentada (AR) em detrimento da imersão total proposta anteriormente.
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