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Zenfone 4 [Análise Completa / Review]

15:00 | 03 de Outubro de 2017

Se a linha Zenfone Zoom da Asus traz experimentações e inovações na marca, a linha simplesmente chamada de Zenfone traz o que deu certo para o restante dos aparelhos da marca.

Esta é a análise do Zenfone 4 da Asus.

Semelhanças são mera coincidência

Pode ser que você se confunda num primeiro momento que olhar para o Zenfone 4, pensando que seja um cruzamento de Samsung Galaxy S7 com iPhone em sua frente (com uma pitada de Huawei Honor 8 em sua traseira). Isso faz com que o Zenfone 4 tenha uma pegada bem interessante, com a conhecida construção de vidro e metal que inúmeros aparelhos mais elaborados têm trazido para o mercado, garantindo segurança nas mãos por não deslizar facilmente como modelos mais lisos feitos somente em metal, principalmente na parte de trás dos aparelhos.

Porém essa semelhança toda com iPhone e Galaxys termina aqui. Apesar dessa combinação ser à prova d’água no S7 e S8, não é o caso do Zenfone 4, sendo sua união de metal e vidro apenas ideais para o manuseio, e não submersão ou exposição de qualquer tipo a líquidos. Ainda não foi dessa vez que a Asus seguiu o exemplo que cada vez mais se espalha pelo mercado, onde a resistência aos líquidos vem aparecendo em mais aparelhos (e não somente nos topos de linha das fabricantes).

Na traseira do Zenfone 4 temos a conhecida identidade visual da Asus, os círculos concêntricos, que guardam sua reflexividade por baixo da camada vítrea que reveste o modelo. Vale notar que falamos de proteção Gorilla Glass, tornando assim o modelo mais resistente aos riscos do dia-a-dia (porém sem exageros, afinal quedas violentas não estão inclusas).

Continuando a observar a frente do aparelho, temos uma pequena área em baixo relevo, que faz exatamente o que parece: a função do botão Home. A leitura de digitais também é feita nessa área do telefone, e ali ocorre o desbloqueio imediato do Zenfone 4 ao posicionar-se o dedo cadastrado, ativando a tela no processo.

Isso tudo está contido em aprox. 165g de peso, com cerca de 7.7mm de espessura, completando o que precisamos saber sobre o corpo e estrutura do Zenfone 4 com toda sua construção em metal e vidro.

E uma nota interessante: caso você queira usar uma capa de proteção no seu aparelho, é possível fazer isso no dia-zero de uso, afinal um case transparente acompanha o Zenfone 4 em sua caixa.

Display e Multimídia

Em sua tela de 5.5” LCD IPS temos boas, muito boas cores. Não existem exageros no contraste, e os tons são vivos e bem definidos. Resultado excelente, na nossa opinião. Mas LCD IPS também significa limitações nos tons escuros. Pretos OK dentro da limitação da tecnologia LCD, ainda um passo atrás das telas que utilizam a tecnologia AMOLED.

Dentro da nitidez que temos na tela, vale pontuar os ótimos ângulos de visão que permitem aproveitar as imagens sem distorções, mesmo com inclinação considerável do aparelho em relação ao usuário.

Com o advento do áudio estéreo nos iPhones, vemos lentamente a indústria correndo atrás dos anos que ignorou a qualidade sonora integrada em smartphones. A Asus tem mostrado sinais de melhora há algum tempo, e no Zenfone 4 temos alto-falantes estéreo, sendo um na região frontal e outro na clássica parte de baixo do modelo.

O resultado é um áudio estéreo interessante, com detalhes pequenos (como o som de estalar de dedos e afins) mais perceptíveis no alto falante frontal, deixando-o assim mais orientado para detalhes mais finos e pontuais das reproduções. Seria como um complemento para o funcionamento tradicional do alto-falante da parte de baixo, assim como um tweeter ou um woofer complementam uma caixa de som padrão.

Mas ainda assim falamos de um mobile, e não temos muito como fugir do estigma de “O som é de boa qualidade, mas não é envolvente”. Músicas com mais instrumentos mixados entre si tendem a perder nitidez com certa facilidade, unindo-se num ruído só. Sendo assim, o Zenfone 4 tem um bom som, melhor do que diversos aparelhos, porém ainda fica dentro da citação “caixinha de celular tocando”.

Vale notar que falamos das caixas de som integradas do aparelho, e não do uso com fones de ouvido. O Zenfone 4 conta com suporte ao áudio em alta resolução, caso você utilize fones de ouvido de boa qualidade. Basta plugar no conector físico e aproveitar música “high-res”.

Especificações

Números apelativos fazem parte do rol de especificações dos Zenfone mais parrudos, e no caso do Zenfone 4 temos números que comprovam esse hábito da Asus de colocar itens chamativos no pacote. Na unidade que recebemos para testes aqui no canal temos: 

  • Chipset Snapdragon 660 (4x2.2 GHz & 4x1.8 GHz)
  • GPU Adreno 512
  • 6 GB de RAM;
  • 64 GB de armazenamento interno;
  • NFC;
  • Bluetooth v5.0;
  • USB-C

 Em nossos testes notamos um fato interessante. O tempo de inicialização do Zenfone 4 é notavelmente mais curto do que o normal para a linha Zenfone, ligando em poucos segundos numa excelente velocidade de Boot (quando comparado com outros modelos da linha Zenfone).

Para os amantes de Benchmark e testes mais frios do tipo, segue nossa sequência padrão de testes.

Usabilidade e Desempenho

A série 600 do Snapdragon tem como significado o consumo eficaz de energia unido com entrega de potência sólida.

No caso do 660 que equipa o Zenfone 4, temos na ponta dos dedos exatamente isso, com 6GB de RAM para auxiliar tudo. É poder de fogo de sobra para rodar tudo que você encontrar na Play Store com excelente desempenho. Se você busca um aparelho potente, indicamos o Zenfone 4 como um dessa categoria.

Durante nossos testes o Zenfone 4 rodava o Android 7.1.1 Nougat e contava com a customização da ZenUI sobre o sistema.

Já falamos sobre isso aqui no Canaltech algumas vezes, e atualmente até mesmo as fabricantes mais voltadas ao Android Puro (ou seja, limpo de Bloatwares assim como o Google Pixel é), tem gradualmente poluído mais suas ROMs. No caso da Asus, vemos um esforço real de reverter sua intromissão excessiva sobre o sistema do Google.

Não confunda: Quando dissermos “Android PURO”, não quer dizer que ele veio FRESCO e DIRETO DO GOOGLE. Isso não existe, afinal as fabricantes precisam adequar e programar drivers de acordo com os componentes que vão montados dentro do aparelho. O código sozinho do Android sem essa intervenção das fabricantes não funciona em cada combinação de hardware existente por si só.

O que queremos dizer com Android Puro é justamente o quanto uma fabricante poluiu o Android em relação ao Google Pixel, colocando assistentes, pacotes de ícone e outras micagens pelo sistema.

É como uma pessoa sair colocando coisas num carrinho de ON supermercado, tentando aleatoriamente adivinhar o que você realmente quer… e depois pagar no caixa TUDO, mesmo o que você não precisava.

E apesar da melhora, a Asus ainda não chegou lá. A ZenUI apesar de mais CLEAN ainda traz gerenciadores diversos embarcados, fazendo “boost” e “super boost” de memória, “powermaster” (sobrepondo o gerenciamento nativo de energia do Google com uma solução proprietária questionável), além de outras alterações profundas (com privilégio super-usuário) nas rotinas do aparelho. Quase a totalidade desses recursos pode ser desativada, como boa notícia aos usuários avançados. 

Só não se surpreenda se ao abrir o Chrome você encontrar um marca-página flutuante da Asus que você esqueceu de eliminar do seu aparelho.

Câmeras

Na frente temos uma câmera tradicional de 8MP (f/2.0, 24mm), capaz de registrar com riqueza de detalhes Selfies em ambientes com boa iluminação.

Proporcionalmente ao decaimento de luz, o Zenfone 4 ajusta a exposição para que a qualquer custo a foto ainda assim mantenha-se o mais clara possível. Não notamos problemas cromáticos no processo, apenas fica evidente a exposição mais elevada
nas fotos e condições desfavoráveis de luz. Em resumo: boa câmera frontal para ambientes bem iluminados.

Se o Zenfone 3 Zoom trouxe a Asus para perto da proposta de duas câmera lado-a-lado para complementarem a fotografia uma da outra, no Zenfone 4 vemos que o recurso veio pra ficar.

Duas câmeras não significam ZOOM sempre, e podem ter duas funções diferentes. No caso do Zenfone 4, temos fotos normais ou panorâmicas de acordo com a câmera escolhida por você na hora da foto.

O sensor principal de 12 MP traz (f/1.8, 25mm, PDAF, OIS), realizando capturas de alta qualidade em 83 graus de amplitude. Essa é a principal diferença entre ele o sensor
secundário, sendo este aqui voltando para fotos com enquadramento tradicional e a maior qualidade possível de fotografia presente no Zenfone 4.

Ao lado temos o sensor secundário de 8 MP (f/2.2, 12mm) com 120 graus de amplitude, voltado especificamente para capturas panorâmicas dos momentos que você selecionar.

A ideia é justamente o que explicamos até agora: trocar entre as duas câmeras, conforme você julgar necessário. Se alguma paisagem não cabe na foto, use o sensor panorâmico; se a cena tem menos luz, use o sensor principal; inclusive, falemos sobre isso.

Menos luz é um momento crítico para fotos, e a abertura de 1.8 dá uma boa força para que as capturas estejam em qualidade alta; a junção de sensor e pós-processamento no Zenfone 4 é boa, e os resultados com pouca luz são muito
nítidos e com limpeza de ruídos excelente. A estabilização óptica também faz com que esse momento de uso seja possível sem dores de cabeça.

Em condições ideais de luz esse mesmo sensor faz excelentes fotos também, com riqueza de detalhes e pósprocessamento afinado, preservando linhas finas e
contornos sem problema algum, com resultado final ótimo em fotografia.

Adicionalmente, o Software da câmera permite fazer capturas de longa exposição e diversos outros ajustes manuais que podem interessar os mais versados em fotografia. A gravação de vídeos em 4K está presente. Porém não aplique essa qualidade que acabamos de citar ao outro sensor.

A câmera panorâmica do Zenfone 4 serve bem ao propósito de ampliar seu campo de visão, porém entrega muito ruído mesmo em ambientes completamente externos e bem iluminados, e isso inclui forte granulação em nuvens e no céu, por exemplo. Se você planeja fazer uso desse sensor em baixa luz, esqueça – ele serve meramente como complemento ao que existe na captura de foto padrão do Zenfone 4. É escolher entre o ótimo sensor principal para uma foto padrão e o mediano sensor secundário para mais área visível na foto.

Pelo menos, apesar da qualidade inferior, essa segunda câmera é de verdade e funciona, diferente de alguns ousados aparelhos chineses que tem uma segunda câmera falsa.

Quem você escolhe? O sensor principal que faz excelentes fotos, ou o secundário de baixo rendimento que consegue colocar todo mundo na mesma imagem?

Bateria e Acessórios

Temos 3300mAh dentro do Zenfone 4 para levar você até o final do dia, número interessante de bateria para o modelo e que numa análise fria fica dentro do esperado de mercado para qualquer telefone que julga haver um cérebro dentro
do consumidor.

Realizamos diversas sessões de estresse na bateria do aparelho, e o resultado é o seguinte: conseguimos 9:30 horas de tela com o aparelho em uso ativo, e cerca de 14 horas de uso misto de acordo com nossos procedimentos padrão de teste. Dá para chegar ao final do dia, mas sem muita margem de sobra se você for um usuário mais intenso.

O carregador incluso é dos bons. Vale notar que o nosso tem essa cara estranha porquê é do modelo internacional, o brasileiro possui os pinos corretos. De qualquer forma, ele é capaz de entregar carga rápida ao Zenfone 4 com 18W de potência.

Vale a pena?

Desempenho. Não é todo aparelho que traz uma performance forte como os modelos equipados com Chipset Snapdragon 820 ou superior, e temos isso no Zenfone 4 graças ao excelente chip que a Qualcomm conseguiu com o Snapdragon 660. Isso não podemos questionar no modelo.

Fotografia é um ponto muito positivo com o sensor principal do Zenfone 4, como já vimos em outros bons aparelhos aqui no Canaltech, porém sem toda essa histeria de “We Love Photo” que a Asus tempera em seu aparelho; a câmera secundária do Zenfone 4 é meramente complementar e totalmente opcional.

Até a data de publicação deste vídeo a Asus estava por oficializar o preço do Zenfone 4 no Brasil, portanto segue nossa conclusão atemporal de preço sobre o modelo. Na faixa de preço dos 1500 reais, temos um modelo “matador”, superando concorrentes diretos em potência, colocando o Zenfone 4 como “intermediário-TOP” de melhor
oferta no mercado brasileiro.

Indo para o segmento de 1600 a 1800 reais, temos que colocar na ponta do lápis Moto Z2 Play e Galaxy A7 2017, ambos com performance respeitável, fotografia OK e
possuidores de alguma resistência à água, fator que ainda joga qualquer Zenfone do ano para escanteio. No caso do Galay A7 2017 falamos de REAL resistência à água (ou seja, certificação IP68). Nessa faixa de preço, o Zenfone 4 seria um concorrente ligeiramente mais potente, porém sem fator decisivo de
compra entre seus competidores.

Acima disso, caso você veja o aparelho por fabulosos R$ 1900 reais, não aconselhamos a compra do Zenfone 4, sendo mais interessante optar pelos modelos similares citados agora há pouco e economizar uma boa grana.

E então? O que você achou do Zenfone 4? Afinal, qual o atributo mais chamativo dele? Conta pra gente aí nos comentários.