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Samsung Galaxy Tab S3 [Análise / Review]

13:06 | 31 de Julho de 2017

O mercado de tablets não é o mesmo de alguns anos atrás e faz tempo que não encostamos em um aparelho destes, potente e com Android. A Samsung, mesmo notando que cada vez menos pessoas compram tablets, resolveu trazer para o Brasil a terceira geração do Galaxy Tab S, com nome de Tab S3.

Será que ele consegue dar um tapa na concorrência e brilhar? É o que vamos te mostrar neste vídeo.

Cara de S7 esticado

Se você olhar para o Galaxy Tab S3 e o S7, vai notar algumas semelhanças bem grandes. Isso está longe de ser ruim, já que o conjunto de metal e vidro tem um poder especial de deixar smartphones e tablets, extremamente elegantes. O problema fica na capacidade do vidro de amar marcas de dedos. Sério, o Tab S3 ama a oleosidade dos seus dedos da mesma forma como o smartphone, só que o corpo dele é bem maior e você nota estas marcas com mais facilidade.

Olhando para o visual e esquecendo, ou tentando esquecer das marcas de dedo, o Tab S3 é premium de praticamente qualquer ângulo. Seja pelo cuidado de tornar o metal fosco nas bordas, ou pelo toque liso vidro. Ele é premium e deixa bem claro isso. Indo até mesmo para a cor da S Pen, que acompanha o pacote e a cor escolhida do tablet. E sobre ela, eu falo mais tarde.

Na parte da frente as comparações com smartphones da própria Samsung continuam. Ele vem com exatamente os mesmos três botões dos Galaxy mais recentes. Dois sensíveis ao toque e um, no meio, que funciona como leitor de impressões digitais e que é físico. O que muda, e me incomoda um pouco, é que a porta USB-C não é alinhada com o meio do aparelho, mas sim mais para o lado.

Colocar o cabo do carregador e ver que as coisas não estão alinhadas, dá um frio na espinha do meu TOC.

Infelizmente não há onde guardar a S Pen pro lado de dentro do corpo do aparelho, como fazem os Galaxy Note. Você vai precisar guardar em um local onde não vai perder. Até dá pra colocar grudada nos ímãs da lateral do tablet, só que encontrar o ponto exato onde tudo fica firme e seguro é trabalhoso.

Ah, por fim, os quase 440 gramas de peso são confortáveis para momentos em que você segura o Tab S3 com ambas as mãos, mas pesados para quando você está com uma só. Poderia ser um ponto negativo, mas os tablets grandes são assim mesmo.


Alto e bom som (e boa tela também)


A tela é de 9,7 polegadas, com tecnologia Super AMOLED, resolução de 2048 x 1536 pixels e é compatível com HDR. Infelizmente é raríssimo encontrar algo que tire proveito disso, mas imagine assim: você poderá, no HDR, ver partes da imagem que estavam muito escuras, exatamente da mesma forma como o HDR da sua câmera melhora a foto como um todo. Entendeu? Só não vai aproveitar muito, já que conteúdo com HDR é raro.

Deixando este ponto de lado, a tecnologia Super AMOLED é a velha de guerra que amamos por aqui. Contrastes fortíssimos, cores vivas e ângulos de visão generosos. Se você é um dos que prefere cores mais reais e saturação controlada, é só ir nas configurações e ajustar a tela para o modo básico. Nele, as cores ficam mais fiéis, algo que lembra bastante telas IPS LCD.

O áudio também recebeu atenção especial e evoluiu bastante, quando comparado ao Tab S2 de um ano e meio atrás. Agora são quatro saídas de som, sendo duas na parte de baixo e outras duas na parte de cima. Esta solução tem muitos pontos positivos, como um som ainda mais alto, mais envolvente e que não é abafado pelo usuário. Não importa como você segura o tablet, sempre terá ao menos dois falantes enviando som para você. Por fim, o acelerômetro do aparelho configura também o som. Independente de qual orientação você segura, as caixas de som são configuradas para sempre ter o melhor aproveitamento possível.

Especificações

Novamente o Tab S3 lembra o S7, desta vez no lado de dentro. Ah, claro, do S7 lançado nos Estados Unidos. No Tab S3 você recebe um Snapdragon 820, 4 GB de memória RAM e 32 GB de espaço interno, tudo controlado pelo Android 7.0.

* Qualcomm Snapdragon 820 (CPU quad-core 2.15 GHz);
* GPU Adreno 530;
* 4 GB de RAM;
* 32 GB de armazenamento interno (~24 GB livres);
* Android 7.0 Nougat.


Para vocês que amam benchmarks e testes frios, seguem alguns resultados promissores que conseguimos por aqui.


Android ainda sofre nos tablets

Antes de começar este ponto, vale a pena frisar que este não é um problema apenas da Samsung, mas de todos os tablets Android. São poucos e raros os apps que aproveitam a tela maior, mesmo dentro dos próprios apps do Google. O Google Maps utiliza bem este espaço extra, mas o Google Drive não! Entendeu? Continuando…

O desempenho, com tanto hardware, é exemplar. Rodei uma série de aplicativos ao mesmo tempo, de opções mais leves até outras mais pesadas e nada. Nenhum engasgo ou travamento. O Snapdragon deu conta do recado e os 4 GB de memória RAM conseguiram segurar tudo que estava suspenso.

Para jogos, a Adreno 530 também lida com folga. Testei títulos pesados como Injustice 2 e Asphalt Xtreme, todos rodando no máximo e sem quedas visíveis na taxa de quadros por segundo. A compatibilidade com a API Vulkan ajuda bastante e vai empolgar quem quer o tablet para games.

O problema aparece quando você tenta tirar proveito de toda a tela grande que está aqui. A Samsung até trouxe versões do Word, Excel e PowerPoint que ficam bem semelhantes ao que temos nos computadores, mas quando você vai para o Play Store e baixa, por exemplo, o Docs do Google, não vê mais este aproveitamento. Outros apps também sofrem com isso, como o Facebook. Sim, ele exibe mais conteúdo quando está na horizontal, mas...olhem só a quantidade de conteúdo extra que aparece quando eu abro o Facebook no Chrome! É muito mais coisa, no mesmo tamanho de tela.

Este ponto poderia ser questionado pela forma de interação com dedos, mas o Tab S3 vem com a S Pen na caixa, sem custos extras. Ela funciona como um ponteiro de mouse muito preciso e permite botões menores para isso. O Instagram, por exemplo, sequer permite utilizar o app na orientação de tela que estava até agora. Mesmo com a orientação travada, o app força ele a rodar de pé.

Mesmo depois do Android 4.0, que juntou tablets e smartphones num só sistema operacional, a imensa maioria dos apps ainda é feita focando no uso de um smartphone. Não no de um tablet e é nisso que o iPad toma a dianteira e continua lá por anos. Por lá o número de apps que tira proveito da tela grande é muito, mas muito maior.

Voltando para as soluções da Samsung, a S Pen continua como a melhor caneta que você pode utilizar em telas de toque - melhor até do que a Apple Pencil, que é um….lápis? A da Samsung tem exatamente as mesmas funções da linha Note. Isso significa que você pode fazer anotações com a tela desligada e apertar o botão dela para abrir um menu com extras, como traduzir uma palavra para outro idioma, criar uma nota e até fazer uma captura de tela e desenhar (ou escrever) por cima.

A ponta da S Pen tem 0,7 milímetros de espessura e faz fricção o suficiente com o vidro para não dar a impressão de que você não está num papel. Desenhar é muito confortável, pecando apenas em um ponto bastante chato: não há modo que cancela o toque da mão na tela, quando você desenha ou escreve. Parece bobeira, mas não poder ficar com a mão apoiada na tela, tira parte do conforto de utilizar a caneta.

Por outro lado, a stylus é maior do que nos Galaxy Note e encaixa quase que em um tamanho tradicional de caneta. De fato, é a melhor caneta que existe para telas. E, diferente da Apple Pencil, não precisa recarregar a bateria.

Câmeras

Eu pensei em, sinceramente, pular este ponto. Você não deve utilizar um aparelho deste tamanho para tirar fotos das férias, ou uma selfie para redes sociais. Mas...ok, vamos lá.

São 13 megapixels na parte traseira, com abertura de f/1.9 e que pode até filmar em 4K com 30 quadros por segundo. O resultado fica em fotos que exibem cores de forma bem balanceada, mas que sofre com o HDR - que está escondido dentro dos modos de fotografia. Ele não consegue trabalhar tão bem por aqui, como faz no S7. Este seria um ponto negativo, mas, convenhamos, a única utilidade de fato de uma câmera traseira em tablet é de escanear documentos ou fotografar bem raramente, certo? O smartphone é muito mais portátil e está sempre no seu bolso, algo que o tablet não faz.


As fotos noturnas recebem ajuda da abertura grande, mas o foco é teimoso e nem sempre fixa no ponto em que você toca na tela. O nível de granulado foi baixo nas fotos que eu tirei. Bem bacana para um...tablet.


Ah, a câmera frontal é de 5 megapixels e lida bem com chamadas de vídeo e algumas selfies descompromissadas. Nada além disso.


Bateria e acessórios

Por dentro são 6.000mAh de bateria, que...sinceramente, poderia ser maior. E eu falo isso quando comparo com o iPad Pro de mesmo tamanho de tela, que tem mais de 1.000mAh extras, com espessura muito semelhante e quase que mesmo peso. Dava pra dar um fôlego extra por aqui.

Mesmo assim, com menos bateria do que seu principal concorrente, o Tab S3 não faz feio não. No teste de reprodução de vídeo via Wi-Fi, com brilho no máximo, o tablet da Samsung registrou descarga média de 15% por hora. Utilizando no cotidiano, com vídeos, produzindo textos e navegando na web, consegui perto das 10 horas com facilidade.

Sim, a bateria extra não faz muita falta, mas...ter 20% a mais de bateria, poderia dar uma hora extra de uso. Vale a pena, principalmente para um aparelho que não precisa ser tão fino e leve.


Vale a pena?

O Galaxy Tab S3 entrega um dos melhores desempenhos em tablets com Android, tem, de longe, a melhor caneta para telas de toque (que vai deixar até mesmo artistas animados). E ainda tira algumas fotos boas. O problema dele não veio da Samsung, não está no hardware. É o software. A lista de apps que tira bom proveito de telas grandes é pequenina e, quando você olha para a produtividade que um Chromebook entrega, fica complicado pensar no Tab S3 para isso. Pra produtividade.

Se você é consumidor de mídia e gosta de ter isso em uma tela enorme, este é seu próximo tablet. Se quer utilizar para trabalho, minha experiência própria é de apontar um Chromebook. O Chromebook Plus, da própria Samsung, tem teclado físico confortável, versão completa do Chrome, roda quase que todos os apps de Android e é mais barato.

Eu utilizo o Chromebook para muita coisa e ele é a melhor ponte entre um tablet Android e um computador. Para produtividade, ele é o campeão, só que para assistir séries do Netflix e jogar, o Tab S3 vence. Ah, a S Pen dele é bem melhor do que a que vem no Chromebook.

Infelizmente a Samsung não nos enviou o teclado que vai conectado nestes pontos que ficam na base do Tab. Eu já utilizei ele e a produtividade melhora, mas ainda assim não ganha do Chromebook.

Ah, claro, o Tab S3 custa R$ 3 mil no site oficial da Samsung e já vem com a S Pen na caixa, sem custar nada além por isso. Pra você, vale a pena?