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Samsung DeX Station [Análise / Review]

09:35 | 27 de Julho de 2017

Todos nós sabemos que o Galaxy S8 e S8+ têm potência suficiente de um computador tradicional, superando até mesmo alguns modelos do mercado. No entanto, substituir um PC usando somente o smartphone não é uma tarefa simples para todos.

Com uma proposta similar a da Microsoft, a Samsung trouxe com os seus mais novos smartphones o DeX Station, que serve, basicamente, de HUB para você conectar periféricos e usar uma tela maior de um monitor, só que com interface para trabalhar num computador, mesmo.

Proposta boa, mas será que realmente o DeX pode suprir todo o conjunto oferecido por um desktop?

O que é o DeX?

Computadores de bolso. Assim são chamados os smartphones recentes, e de fato eles são. Você pode capturar, editar e publicar uma imagem em questão de pouquíssimos minutos, mas sem todo aquele detalhamento oferecido por um computador real. Mas a Samsung quer ir além, e trouxe o DeX Station para oferecer uma experiência mais próxima disto.

Basicamente, o DeX pega o seu S8 e molda a interface para algo próximo do Windows. Ele é um dock inteligente que faz o processo de ligação de um monitor, periféricos e o “computador”, que no caso é o S8.

O formato arredondado e achatado ocupa pouco espaço na mesa, e sozinho ele pesa 241 gramas. Quando você desliza a tampa superior, encontra o conector USB-C que faz a ligação do acessório com o smartphone. Mas a peculiaridade aqui é que o DeX se assemelha bastante com um porta jóias, ou como um amigo disse uma vez, com um cinzeiro de plástico muito caro.

Brincadeiras à parte, o DeX tem uma porta HDMI 2.0 (4K@30fps), 2 portas USB 2.0 e uma Ethernet/LAN de 100 Mbps. E como o hardware fica por conta do Galaxy S8, você pode conectar um teclado ou mouse sem fio direto ao aparelho, deixando uma das portas USB livre para conectar um pendrive, por exemplo.

Para iniciar a interface, basta conectar o celular no acessório e, em questão de poucos segundos, está tudo funcionando. Sim, o processo é bem rápido, e a vantagem aqui é ter acesso às funções do S8 sem, de fato, precisar pegar o celular na mão.

Outra coisa legal é que na medida em que você vai usando o DeX, pode ouvir a pequena ventoinha funcionando. Isso não acontece o tempo todo, mas ajuda o aparelho a se manter resfriado. E, diga-se de passagem, o modelo do S8+ que nós utilizamos para os testes não chegou a esquentar consideravelmente em nenhum momento.

Software e Apps

Algumas fabricantes já se aventuraram nessa coisa de transformar os smartphones em computadores, mas foram apenas tentativas. A Samsung moldou a interface do S8 para algo próximo do que vemos nos Chromebooks, só que com experiência inferior.

Quando você inicia o DeX plugando o S8, a área de trabalho é exibida com a barra de atalhos, bandeja de aplicativos parecida com a do menu iniciar, botões de navegação similares ao do Android, e, também, os seus aplicativos que já estavam abertos no smartphone.

O legal é que você também pode fixar alguns aplicativos na barra inferior, como no Windows. E também existem atalhos como alt+tab, ctrl+c e ctrl+v e outros mais simples, como o tradicional clique com o botão direito. Outra coisa legal do DeX é que ele oferece acesso às notificações e ligações do smartphone. Se você utiliza algum fone Bluetooth, a experiência acaba sendo bem bacana.

Esteticamente falando, o software é bonito. As fortes referências da TouchWiz estão presentes, porém sem pesar muito. Outra coisa bem interessante é a autenticação por biometria. Você simplesmente deixa o DeX na mesa, pluga o S8 e desbloqueia o “computador” utilizando a íris, sem precisar digitar ou clicar em nada.

De qualquer maneira, usar aplicativos no DeX dá uma sensação de “hmm… algo não está tão certo”. Digo isto pois, em exemplo prático, o navegador da Samsung carrega os sites no formato para desktop, enquanto que o Chrome os carrega no formato mobile.

Achou pouco? O YouTube, por exemplo, fica no modo tablet quando o DeX está conectado. Alguns aplicativos, principalmente os da Samsung, já foram otimizados para a interface, mas a esmagadora maioria ainda não foi. Eu costumo utilizar o Lightroom para editar fotos, e ele exibe gestos de toque na tela no lugar de ações com o mouse.

A falta de uma interface aprimorada para os aplicativos é um ponto crucial, visto que boa parte dos aplicativos de produtividade ainda exibem a versão mobile. A Microsoft também entrou nessa onda com seus apps, mas para usá-los você precisa de uma conta do Office 365. Isso não atrapalha muito se você for flexível e optar por outros apps, como o Google Docs.

A experiência

Quando eu decidi que utilizaria somente o DeX como ferramenta de trabalho desktop nos últimos dias, sabia que iria encontrar pela frente um desafio muito interessante e talvez estressante. O legal é que o navegador padrão da Samsung oferece uma experiência rápida de uso no DeX, melhor até mesmo que o próprio Chrome.

Configurar os ajustes de teclado para o padrão brasileiro não foi tããão simples, mas é possível indo nos ajustes do sistema. A navegação é fluida e você não passará raiva com atrasos ou limitações de hardware. O S8 tem o suficiente para abrir alguns aplicativos ao mesmo tempo tranquilamente, mas se o número for muito alto, você vai notar alguns avisos de pouca memória.

Estranhamente, ou talvez por teimosia, deixei que estes avisos fossem aparecendo. O desempenho do DeX foi caindo aos poucos, mas ele continuou utilizável.

Mas se você é um usuário avançado, fique longe dele. Ele não vai ter a liberdade de um Windows ou Mac OS, e será bastante limitado quando você precisar fazer trabalhos detalhados. Mas, sim, é possível trabalhar com ele, desde que você realize atividades mais corriqueiras e sem exigir muito do conjunto.

Mas, agora, se você viaja muito a trabalho e não quer carregar um notebook pesado, aí sim o DeX pode ser uma ótima opção. Utilizá-lo para editar textos simples, responder e-mails e até mesmo assistir alguma coisa no YouTube ou Netflix é tranquilo, mas, novamente, não se iluda: o número de apps compatíveis com o tamanho de tela projetado pelo DeX é limitado.

Para conferir os aplicativos compatíveis com o DeX, basta abrir a gaveta de aplicativos do sistema e clicar em “Apps for DeX”.

Ah, e outra coisa bacana do DeX: se você plugar o seu S8 sem um HDMI, o ponteiro do mouse funcionará normalmente, bem como o próprio teclado. Enquanto isso, ele também vai carregando o smartphone - e é compatível com outros smartphones apenas para isto, desde que tenham porta USB-C.

Vale a pena?

De fato, o DeX fornece uma experiência agradável, e respondendo uma pergunta simples de muita gente: sim, ele funciona. E funciona bem. Mas, ainda assim, não espere a experiência do Windows.

Aqui no Brasil, o acessório custa, separadamente, R$ 650. O S8, sozinho, também nas lojas da Samsung, a partir de R$ 3.999. Não é nada barato ter toda essa experiência legalzinha e futurista, e também não pode ser tão confortável para boa parte dos usuários. Se você alguma vez na vida teve contato com um Chromebook, a experiência será… parecida, mas ainda abaixo.

Por outro lado, o DeX pode nos reservar novidades interessantes para o futuro. Ainda existem limitações chatas e uma quantidade não tão considerável de aplicativos compatíveis com a interface, e definitivamente ele não substitui o seu computador por completo.

Quer fazer trabalhos mais simples? Tudo bem, o DeX vai ajudá-lo com essa questão. No geral, o produto ainda parece ser bem nichado, considerando também o valor cobrado por ele.

No mais, é um negócio bem divertido utilizar o DeX e o flagship da Samsung no dia-a-dia, só que não é muito vantajoso para quem precisa de um computador, de verdade, para trabalhar.