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Razer Phone: testamos o primeiro smartphone gamer da marca [Análise / Review]

18:17 | 18 de Dezembro de 2017

Temos em mãos um monstro. Lemos os comentários que vocês deixaram no unboxing do Razer Phone, e agora "My Little Canaltechers e My Little Ponies", chegou a hora de falarmos a fundo do primeiro smartphone de uma das marcas gamers mais conhecidas no mundo.

Razer Phone, é com você.

GAMER DE BOLSO?

Fisgando seu fiel público gamer para o mercado mobile, temos o Razer Phone, primeiro de uma provável linhagem de telefones de ponta com a bênção da marca sobre os modelos, refletindo sua postura "hardcore gamer" para quem gosta de jogos mobile, porém cobrando seu preço por isso.

Para quem chegou de pára-quedas a Razer é conhecida por seu portfólio gamer, porém é mais comumente lembrada por produzir acessórios gamers de alta qualidade e desempenho como mouses/teclados/headsets, com boa parte deles dentro do visual marcante "chroma" da empresa, onde luzes se acendem e dão tons "neon" para seus respectivos mouses/teclados/headsets e etc.

Vocês perguntaram muito sobre esse detalhe de "chroma" no unboxing dele... e não. Apesar dessa característica tão notável da marca, o Razer Phone não tem essa notável distinção que para muitos dá à Razer sua identidade. Esse símbolo na traseira dele não acende nem pulsa; todo o corpo do smartphone é neutro, sem aspectos "gamer".

Ele não passa desapercebido no entanto: seu corpo é construído com um formato "bem quadradão", lembrando um aparelho Xperia da Sony, porém com bom aproveitamento de tela nas laterais e grelhas de alto-falantes no topo e abaixo do aparelho.

Na lateral temos os botões de volume à esquerda; à direita está o botão de desbloqueio do telefone, com leitura de digitais integrada nele ao estilo "Xperia" que conhecemos por parte da Sony. A leitura necessita que o usuário pressione ativamente o botão para que a digital ative a tela, que é desbloqueada imediatamente após o pressionamento.

Nós do Canaltech sabemos que essa posição de digital divide opiniões, então vamos nos limitar a dizer que no Razer Phone funcionou corretamente durante nossos testes, porém esse "aperto" obrigatório parece um retrocesso desnecessário por parte da Razer; o correto para nós seria que apenas o contato com o dedo já resolvesse tudo e ativasse a tela no processo.

Seu corpo é todo de alumínio, numa textura usinada que parece macia ao toque... algo como um toque "aveludado" para o metal de tom fosco. Talvez você ache ele meio pesadinho, afinal temos aproximadamente 197g de peso.

DISPLAY + MULTIMÍDIA

A grande joia do Razer Phone é sua tela. Ela não é curva nem nada, porém traz em 5.7" uma tela IPS LCD "Ultramotion" com Gorilla Glass 3, rodando na resolução de 1.440 (x) 2.560px em proporção (16:9), com amplo espectro de cores. Não achou a cereja do bolo? Esse "Ultramotion" significam 120Hz de taxa de atualização de tela.

Esse número alto de Hz indica que a fluidez das imagens que estão presentes nessa tela é muito alta, e você aproveitará com muita nitidez e qualidade os games e vídeos que contam com alta taxa de quadros por segundo. Os menus do sistema e todo o uso tradicional do telefone se beneficia disso.

A impressão que dá é que tudo na tela do Razer se move rápido, efeito visual diretamente trazido pelos generosos 120Hz dessa tela. Você não terá essa noção através de nossas câmeras, então recomendamos que caso você pegue um Razer Phone na mão, note a generosa fluidez das imagens sem chance de borrões. Torcemos muito para que essa característica se torne tendências entre as fabricantes nos próximos anos.

Ativamos pelas configurações de desenvolvedor nativas do próprio Android a exibição dos FPS em tempo real, sobrepostos na tela. Assim fica mais fácil mostrar o seguinte para vocês. É esse numerosinho verde no meio da tela; caso esteja incomodado, lembre que o aparelho oculta isso por padrão, nós que ativamos o recurso para te mostrar, viu!

Certo, foco nos games; por ora são poucos games da Play Store que aproveitam isso os 120Hz dessa tela, sendo assim poucos produzem uma taxa de FPS mais alta para acompanhar o Razer Phone; porém jogos assim existem - Alto's Adventure é um exemplo. Note que ele mantém 120fps durante toda sua execução.

Porém, na maioria dos games temos limitações entre 40 e 60 fps, sendo isso obra dos desenvolvedores e algumas limitações de como o Android conversa com a CPU e GPU em algumas situações de esforço; o Razer Phone é o primeiro grande player a trazer esse suporte de 120fps ao Android, portanto não espere que o mundo já esteja pronto para essa novidade logo na estréia dele.

Como é um aparelho para gamers, faz sentido pensar que os usuários desse modelo consumirão gameplays no Razer Phone, e temos conteúdos em 60fps com abundância nesse segmento de vídeos. Quanto mais fluidez melhor.

Mas já faremos uma anotação técnica negativa aqui: a escolha do LCD implica ainda na limitação dos tons de preto que essa tela é capaz de produzir, e você poderá notar com muita observação os tons cinza nas áreas que deveriam ser plenamente pretas. Natural limitação do IPS LCD, qualquer aparelho que seja.

Temos mais um detalhe nessa tela; ela utiliza a tecnologia IGZO, competente em permitir a passagem de luz e capaz de criar cores extremamente precisas na tela, porém com alguma limitação no brilho máximo da tela. Pode ser que você sinta alguma necessidade de mais brilho por parte do Razer Phone em alguns ambientes com muita luz.

Dessa forma temos ao mesmo tempo uma das telas mais impressionantes que já passaram pelo Canaltech, porém com limitações padrão do LCD e com alguns pontos de brilho abaixo do que muitos usuários podem precisar. Observem o Razer Phone com brilho máximo lado-a-lado com alguns outros modelos aqui da redação.

Na frente do aparelho temos além da chamativa tela de alta qualidade uma combinação de dois alto-falantes, no topo e abaixo do Razer Phone. Eles possuem certificação THX, juntamente com Dolby Atmos.

O resultado é um áudio limpo, claro, de intensidade boa; não espere milagres, afinal temos pouco espaço físico para que graves poderosos saiam dali. Os sons tendem a ser flat, porém sem distorções nas reproduções de som; ao nível de um par de alto-falantes de celular, temos uma dupla de qualidade. Apenas vale notar que a proteção dos alto-falantes acumula poeira com facilidade.

Apesar desse foco no áudio ser algo bom nos alto-falantes, temos um erro da Razer no quesito "fones de ouvido". Sabemos que gamers preferem áudio cabeado em fones/headsets, e o Razer Phone faz a mesma porcaria que o iPhone e Pixel: não há entrada para fones de ouvido, e você precisará de um adaptador-gambiarra que vem acompanhando o produto. Parabéns Razer, removeu a entrada de fones num produto que nem mesmo é à prova d'água. Achamos engraçadíssimo.

ESPECIFICAÇÕES

Não é novidade termos um smartphone equipado com o poderoso chipset Snapdragon 835, e o Razer Phone conta com esse força. Temos nele:

- CPU Octa-core Kryo (4x2.35 GHz + 4x1.9 GHz)

- GPU Adreno 540

- 8 GB RAM

- Wi-Fi a/b/g/n/ac (dual-band)

- Bluetooth 4.2

- NFC

Já citamos em outras análises que Snapdragon 835 é uma solução forte, porém fique com os números exatos de benchmarks que vocês tanto gostam. Relembramos que estes testes não demonstram a usabilidade do dia-a-dia de um aparelho, apenas trazem números brutos do poder de processamento dos telefones. E no caso do Razer Phone serve para que você dispute com seus amiguinhos.

USABILIDADE + DESEMPENHO

Não acreditamos que o Razer Phone será comprado com a finalidade do usuário "ficar se mostrando" para os outros, porém a Razer aparentemente pensou nisso. Caso você rode benchmarks ou testes de esforço extremo continuamente, fazendo assim um uso irreal e de alta intensidade contínua, o aparelho sobreviverá bem ao processo.

Temos dentro dele grandes dissipadores de calor, como é possível notar em vídeos de desmonte do aparelho na internet; em nossos testes só conseguimos ultrapassar os 40º no aparelho após meia hora de uso forçado de todos os sensores e ajuste contínuo de CPU no máximo (via aplicativos de estresse).

Isso é ótimo, pois mesmo nessa situação artificial extrema ele conseguiu manter tudo sob controle; agora lembre que em uso normal (mesmo com games e uso contínuo) esse nível de estresse não acontece, então seu Razer Phone estará bem.

Talvez você precise ouvir isso, então aqui vai: o Razer Phone é virtualmente idêntico ao Galaxy Note 8 em performance, resumindo-se em um monstro de smartphone capaz de rodar com o pé nas costas qualquer opção presente na Play Store.

Ele faz parte do rol de aparelhos que está acima do que o próprio ambiente Android pode precisar, então é loucura falarmos de performance durante a execução de seus jogos e apps, sendo mais um dos aparelhos topo de linha que sentam-se acima do que é necessário para o máximo da experiência Android. É algo como atropelar uma ervilha com um trator.

Rodando o Android 7.1.1, temos uma clara indecisão da Razer quanto a interface e experiência de uso que pretende entregar. Ela adotou uma posição onde não é a Samsung/Asus/LG (que entregam soluções próprias para APPs de sistema e complementam o Android de acordo com seus gostos), porém também não adotou uma posição Google, com o Android sem modificações.

Logo de cara você notará que o "Nova Launcher Prime Razer Edition" é sua tela inicial, e como o Nova Launcher tradicional temos todas as opções de customização para ajustes ao gosto do usuário.

Porém isso é praticamente tudo que você encontrará de diferente no Razer Phone. Não há gerenciador de arquivos próprio (e caso houvessem, poderiam seguir o bom exemplo da Samsung/Asus/LG), porém existem APPs de downloads/contatos/relógio/calculadora com levíssimas modificações. De resto, a Razer deixou as soluções do Google para o usuário.

Aqui no Canaltech ainda dizemos: a melhor e mais eficaz opção é equipar os aparelhos com Android Puro, assim como os modelos Google Pixel tem, porém sabemos que existem bons recursos nos aparelhos customizados. A ZenUI da Asus oferece o melhor gerenciador de arquivos do mercado, a Samsung recebe inúmeros elogios no design de sua interface e a LG é reconhecida pela sua ativação de tela por padrões de batida.

O problema é que a Razer não optou por nenhuma das duas opções. Nem Android puro, nem customizado de fato. Assim a experiência de uso é uma quimera, meio termo, mais ou menos.

Uma nota: você encontra nas configurações do aparelho o menu "Game Booster" para ajustar o desempenho em máximo/equilíbrio/econômico, além do "Razer Preferences"... que apenas habilita ou não o envio de relatórios anônimos para a Razer.

Em conclusão: esse Android "meio termo" da Razer é leve, e você notará quem menos de 2GB da RAM estão ocupados, além da resposta de sistema ser extremamente rápida.

Mas falando em RAM... 8GB fazem tanta diferença assim? Claro. Entre na opção "memória" do telefone e delicie-se observando 6GB de RAM vazios, sobrando para todas as possibilidades do futuro.

É isso, acabou. 4GB de RAM já cumprem muito bem o necessário para o sistema Android e inúmeras coisas que você rodar de fundo no aparelho; 6GB de RAM é garantia suprema de que sempre haverá muita RAM livre, mesmo com o celular entulhado de aplicativos e coisas abertas; 8GB de RAM em 2017/2018 realmente é acima de qualquer necessidade, e serve para mostrar para seus amigos como você é especial e seu telefone é "descolado", nada mais. É exagero na sua forma mais pura.

CÂMERAS

Temos um par de câmeras presente no Razer Phone, mas não julguem isso como indicador de fotos inacreditáveis. Apesar da respeitadíssima experiência da empresa em gaming e hardware relacionado, temos aqui a estreia da Razer em mobile-photo, onde temos pouco espaço para sensores e um pós-processamento maduro é de primeira necessidade.

O conjunto ótico do aparelho é voltado ao zoom na câmera secundária, sendo a primária focada em mais qualidade para fotografias sem aproximação estendida.

Sendo assim temos uma dupla de 12 MP (f/1.8, 25mm) + 12 MP (f/2.6) para zoom ótico de 2x, contando o sistema com detecção de fase e dual-flash LED com suporte a vídeos em 4K.

No app de câmera do aparelho não temos indicação clara se está em uso a segunda câmera ou a principal, mostrando que a Razer pretende de forma interpolada entregar o zoom prometido, o que dá menos controle para você na hora da foto.

Modo manual? Modos avançados? Nada disso. É uma câmera presa no modo automático, com pouquíssimos ajustes possíveis. A captura de vídeo também está presa nessa premissa de "apenas o ajuste básico" disponível, e falamos apenas de ajustes de resolução.

Pode ser que no momento que você esteja assistindo a este vídeo a Razer já tenha soltado uma atualização que torne o controle da câmera incrível, com direito a modos de slow-motion verdadeiros e até mesmo controles manuais de alta qualidade... porém até a data de publicação deste vídeo era essa a experiência fotográfica do Razer Phone: crua e totalmente incompatível com o nível do aparelho. 

Se o controle e uso da câmera é um algo debilitado, como fica a qualidade das imagens? Resposta: mediana. Algumas capturas indicam registro com baixa qualidade de detalhes menores, e algumas situações mostram vazamento de luz, uma espécie de ofuscamento do sensor em fotografias onde outros aparelhos não costumam demonstrar este sintoma. É uma espécie de caixa de surpresas fotografar um dia ensolarado, e os resultados são mais estáveis em ambientes controlados bem iluminados; ainda assim as fotos parecerão um pouco mais "quentes" em seus tons.

Evite usar o "zoom" em ambientes com menos luz, de qualquer forma. Caso o aparelho opte pela interpolação com a câmera secundária sem indicação clara disso, temos um pulo de (f/1.8) para (f/2.6) na mistura, e você prefere (f/1.8) nessas situações, afinal isso indica mais luz entrando no seu sensor.

Para a câmera frontal temos uma unidade de 8MP (foco fixo) de f/2.0 que produz imagens interessantes em iluminação adequada. Novamente, não temos muito auxílio do software de captura, e o pós processamento também segue a regra das câmeras traseiras, suavizando detalhes menores para que a foto fique mais suavizada. Não é algo agressivo, porém é perceptível para os mais observadores.

BATERIA

Mover toda essa máquina necessita de uma bateria apropriada, e a Razer sentiu a vibração positiva do Canaltech no tempo e espaço, e colocou 4000 mAh num aparelho relativamente compacto. Como bônus para os usuários mais ávidos, temos o carregamento rápido (Quick Charge 4), com insanos 24W de carregamento rápido.

Logicamente você pode escolher a performance extrema do telefone para gaming, porém vamos lembrar que este smartphone é um telefone, antes de qualquer coisa. Dessa forma, leve em conta o uso equilibrado dele para o usuário médio. Se você for muito, muito hardcore, sempre seu uso será diferenciado das médias de energia que calculamos no Canaltech, e pelos nossos testes estimamos que você poderá drenar toda a carga do Razer Phone em 5 horas nessas condições.

Agora, com uso normal misto de gaming, vídeos e redes sociais, você conseguirá em atividade ininterrupta do aparelho de até 10 horas de uso, ou seja, uma descarga média entre 9~11% da bateria por hora ativa do telefone nesse cenário de teste. Lembre que em nossa situação de análise você "não colocaria o telefone no bolso" em momento algum dessas 10 horas de uso, portanto pessoas do mundo real tendem a ter ainda mais tempo de energia disponível, desde que não tenham milhares de aplicativos rodando em segundo plano. Dá para passar bem o dia com o Razer Phone.

E mais uma vez o aviso: se você regular o aparelho para "performance", brilho máximo e mandar ver em "gaming" com várias atividade de fundo, acreditamos que com todo seu esforço você corte pela metade o tempo real de uso do Razer Phone. Fora desse cenário maluco, a bateria dele é excelente.

VALE A PENA?

Preço oficial da loja Razer: US$ 699.99 (à venda oficialmente no Brasil? Não). Você talvez encontre ele em algumas revendas de importação com o enorme precinho que só os brasileiros conseguem...

Com esse valor você leva o smartphone com uma das telas mais inovadoras do mercado, porém sem conector de 3.5mm, carregamento sem fio e resistência à água.

Assim temos um telefone poderoso e luxuoso, cobrando tal como a Razer já faz em outros produtos pelo termo "luxuoso". Custo benefício passa longe do produto, porém entrega um smartphone com a curadoria da marca amplamente reconhecida pelo público gamer, tal como outras gigantes do mundo de e-sports.

Para o primeiro aparelho da Razer, temos acertos enormes e vários mini-equívocos, então vale perguntar para vocês que perguntaram tanto dele: você pagaria mais caro por um aparelho com as mãos da Razer nele?

Com grana na mão, você optaria pelos outros TOPs da linha da Samsung, Apple, Motorola, Asus, LG e afins... ou esse aqui chama mais sua atenção? Em custo-benefício nós do Canaltech sabemos que não vale a pena, e concluímos assim esse análise: não vale a pena. Mas queremos a sua opinião, principalmente se você é fã da marca. Conta pra gente nos comentários!