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Moto X4 [Análise / Review] - Canaltech

12:57 | Por Redação | 27 de Outubro de 2017
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A Motorola fez um sucesso enorme ao lançar a primeira versão do Moto X, lá em 2013. De lá pra cá tivemos outros modelos, sempre com bom desempenho e preço justo, em um Android puro. Chegamos então na quarta geração, que não tem um sistema operacional tão limpo como antes, não é mais um topo de linha e adota duas câmeras na traseira.

Será que ele ainda é o smartphone tão incrível lá de 2013?

VISUAL ARROJADO E PROTEGIDO

A primeira coisa que chama atenção no Moto X4 é o design. Na quarta geração a Motorola, controlada pela Lenovo, colocou uma mistura bastante bonita de metal e vidro, abandonando de vez qualquer outro material possível. Ah, sim, você nota fácil que a parte da frente lembra o visual do Galaxy S7 flat, enquanto a traseira lembra ainda mais o Galaxy S7, só que a versão Edge. Se por um lado o smartphone ficou bonito, por outro ele ficou escorregadio. Muito escorregadio.

Outra mudança bastante positiva é a proteção contra água e poeira. A certificação que a fabricante utiliza é IP68, que significa proteção extra contra poeira e água, permitindo que o aparelho mergulhe em água doce, em até um metro e meio de profundidade por 30 minutos, sem correnteza. O suficiente para uma piscina, nada além disso.

A traseira em vidro entrega sim beleza incomum no segmento, mas também é amante de marcas de dedo. Durante todos os dias que passei com o Moto X4 como meu smartphone principal, não notei nenhum risco ou arranhão.

Pela primeira vez na linha Moto X, agora há um leitor de impressões digitais. O espaço que o leitor toma é semelhante ao dos Moto Z mais recentes. Grande o suficiente para que o dedo encontre sua posição mesmo sem olhar para a frente do aparelho. Ah, claro, ele é tão veloz como em outros modelos da Motorola, e também permite controlar funções dos botões virtuais do Android, ao passar o dedo para um lado ou para o outro.

Por fim, a Motorola escolheu a bandeja híbrida para acomodar o SIM card e o cartão de memória. Como temos 32 GB de espaço, você precisa obrigatoriamente escolher entre mais espaço interno, ou duas linhas ao mesmo tempo.

BOM LCD, MAS MERECIA AMOLED

O Moto X4 tem boa tela, o suficiente para em suas 5.2 polegadas Full HD, exibir cores com tonalidade próxima ao objeto real e densidade de pixels o suficiente para a imensa maioria dos usuários. O problema é que alguns smartphones de preço próximo ao Moto X4 já adotam telas AMOLED, nossas queridinhas e que são superiores até mesmo em ambientes bem iluminados. Um smartphone próximo do Moto X4, com este tipo de tela e ainda dentro da Motorola é o Moto Z2 Play.

Voltando para a qualidade deste smartphone, não seu concorrente, os ângulos de visão são generosos, mas não é impossível notar mudança cromática sutil, puxando para tons mais escuros quando você está mais para o lado. Não é algo realmente negativo, mas chama atenção.

O Moto Tela continua por aqui, mas como o Moto X4 tem tela LCD e não AMOLED, como já teve em gerações passadas, o recurso não passa de perfumaria para gastar mais energia do que o normal. Já que pixels não iluminados de telas LCD continuam recebendo a mesma luz, do que pixels claros.

ESPECIFICAÇÕES

O Moto X4 deixou de ser um flagship, passando para o concorrido mercado intermediário. Ele vem com Snapdragon 630, rodando 3 GB de memória RAM e 32 GB de espaço interno. O suficiente para deixar claro que ele está abaixo do que tem o Moto Z2 Play.

* Processador Snapdragon 630
* Octa-core de até 2.2 GHz
* 32 GB
* 3 GB de RAM
* GPU Adreno 508
* Android 7.1 Nougat

E para você, você e todos vocês que amam benchmarks, seguem alguns resultados que conseguimos com o Moto X4.

MAIS DISTANTE DO ANDROID PURO

Assim que recebemos o Moto X4, as primeiras configurações passaram e notei que aqui que praticamente a metade da memória interna estava ocupada, por teoricamente nada. O que assusta é que a Motorola é conhecida por trabalhar com um Android bastante limpo, até mesmo ela utiliza a frase “Android puro”.

Deixando o problemão de lado, o Snapdragon 630 é realmente uma das melhores escolhas para quem tem um celular e quer vender na gama média, com um fôlego extra para tudo. Mesmo com menos memória RAM do que alguns concorrentes mais pomposos, notei que o Moto X4 não é dos mais problemáticos e travamentos foram realmente raros. Vários apps podem rodar ao mesmo tempo e precisam de muita vontade sua para recarregar uma página que está no chrome, junto de Facebook, Instagram, WhatsApp e até um jogo rodando no fundo.

Em jogos, o Moto X4 conseguiu rodar todos que testamos. Passando por alguns mais leves como o viciante Tape It e também Super Mario Run. Como funciona e sem engasgos, Unkilled e Breakneck foram os seguintes. Novamente sem dificuldades e tudo com gráfico no máximo.

Ponto importante e que deixa claro que a linha que separa os Snapragon 600 dos 800 está cada vez menor, mais fina.

No software o Moto X4...não é mais o que a Motorola foi, quando começou a trabalhar com o Android limpo, ou puro. Como nos modelos mais recentes, o launcher mudou do Now Launcher para algo bem próximo do que o Google faz com os Pixel. Isso significa que a bandeja de apps só pode ser acessada com um gesto para cima, na tela inicial.

Além disso, os ícones continuam como nos Moto G mais novos. Com um pacote separado e que é parecido com papel amassado. O problema é que nem todos os ícones seguem o padrão circular com este visual, ficando no formato padrão. Uma quebra na continuidade de vários ícones circulares, para outros em formatos distintos.

Ah, lá no exterior o Moto X4 vem com a Alexa da Amazon, instalada e já pronta para usar. Como esta assistente não está disponível no Brasil, temos o Google Assistant, que funciona como em qualquer outro smartphone.

Deixando de lado o visual menos puro do Android, o Moto X4 também vem com os recursos bacanas que ficaram famosos em outros modelos. Como o de girar o pulso para ligar a câmera, agitar o smartphone para ligar a lanterna, junto de um novo: captura da tela com três dedos no display ao mesmo tempo.

Esta pode e é uma ferramenta interessante, mas a animação de captura de tela não é completa e a sensação é de que o comando não foi executado corretamente, quando na verdade foi.

Uma adição é o modo, ainda dentro do app Moto, chamado de Moto Key. O objetivo é de servir como gerenciador de senhas salvas em sites e apps. Só que ele vai além, serve também como ferramenta para autenticação para computador, com a impressão digital do usuário que é captada pelo smartphone.

Eu só não consegui configurar esta última função. Mas ela está lá.

CÂMERAS, DUAS CÂMERAS

Assim como muitos de seus concorrentes, a Motorola colocou duas lentes para trabalharem juntas no Moto X4. Uma delas é de 12 megapixels e abertura de f/2.0, enquanto que a segunda é de 8 megapixels com abertura de f/2.2. Além da resolução e da forma como cada um dos sensores captura imagens em baixa luz, uma lente trabalha com visual que lembra bastante uma GoPro, com ângulo de visão enorme. Chega aos 120 graus de campo de visão.

Esta lente facilita o enquadramento de mais pessoas na cena, ou de mais fundo na foto que você vai tirar durante as férias. Olhando para os resultados, há pouco sharpening e as cores são bem representadas. Só me incomoda o fato de que a temperatura de cor é diferente quando você troca a lente. Na média, as fotos com grande angular ficaram com tons mais quentes, ou amarelados. Já a mesma foto, tirada no mesmo lugar e mesmo momento, mudando apenas a lente, passa a ter um tom mais azulado, ou frio.

E, sim, eu tirei todas as fotos no automático. Tirei do bolso, bati a foto, troquei de lente e bati mais uma vez. Ponto final.

As fotos com baixa condição de luz preservam muito do ambiente, mas sofrem com um problema - que não é exclusividade de fotos noturnas, mas fica acentuado nelas. Todas sofrem com a lentidão do app em registrar o momento. Há alguns segundos entre você tocar no botão do disparador e a imagem aparecer capturada. O suficiente para fotos borradas, como esta da avenida paulista. Outro problema que ajuda nas fotos tremidas é a falta de estabilizador ótico. Não há, em nenhuma das duas lentes.

Ah, sim, como nos smartphones recentes, o Moto X4 faz fotos em modo retrato. Ele costuma funcionar bem com pessoas, até mesmo selecionando uma só cor para ficar visível. O problema é com outros objetos. Nesta foto, do cachorro, o corte da imagem está errado entre as orelhas.

BATERIA

Assim como seus antecessores, o Moto X4 vem com bateria não removível. Neste modelo ela trabalha com 3.000mAh, mesma capacidade que estava lá no Moto X Style, geração anterior e que ainda estava trabalhando no segmento de topo de linha. Durante o cotidiano, como meu smartphone principal, o que significa 4G ligado o tempo todo, junto de bluetooth e Wi-Fi, junto de jogos, navegação pelo Google Maps, redes sociais e e-mails em push de duas contas, o celular terminou o dia com mais ou menos 20%.

Reproduzindo vídeo em streaming em Full HD, com brilho no máximo, o Moto X4 chegou em uma média dois filmes inteiros no Netflix, com uma sobra para pedir a pizza e postar uns stories dela no Instagram. Querem números? Então aqui: foram 15% de descarga por hora.

Por fim, o carregador que vem na caixa, sem custos extras, é capaz de encher a bateria do Moto X4, de zero até 100%, em mais ou menos 1 hora e 20 minutos.

VALE A PENA?

O Moto X4 é uma grata surpresa da Motorola, trazendo novamente um de seus mais famosos smartphones para o Brasil. O problema é que, hoje, há um número muito maior de modelos da mesma fabricante no mercado, ficando próximos do Moto X4, como é o caso do Moto Z2 Play. Ele é superior em quase tudo, apenas perdendo na falta do modo retrato e na capacidade de de mergulhar em água doce, junto de um processador da geração anterior. Por outro lado, o Moto Z2 Play aceita qualquer Moto Snap lançado até hoje, algo impossível no Moto X4. Além disso, vem com o dobro de memória interna, 1 GB extra de memória RAM e tela AMOLED.

A diferença de preço fica em R$ 100 mais ou menos. Se fosse para ser o meu smartphone novo, eu levaria o Moto Z2 Play. E você? Concorda? Prefere o Moto X4? Coloque aqui nos comentários.

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