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Essential Phone: premium com software refinado [Análise / Review]

12:38 | Por André Fogaça | 23 de Janeiro de 2018

Andy Rubin, um dos moços responsáveis pelo Android, antes mesmo do Google comprar o sistema operacional, estava sem ter o que fazer. Com muito dinheiro e no ócio, ele resolveu criar isso. O Essential Phone. Um smartphone Android belíssimo, com tela imensa, design extremamente atraente e que nasceu direto do pai do próprio Android.

Premium, mais do que qualquer outro

A primeira coisa que você nota ao olhar o Essential Phone, é que ele é premium. Com belíssimo acabamento em titânio nas bordas, cerâmica atrás e vidro na frente. Cara de quadradão, mas sem o visual antiquado dos Xperias atuais. Isso define muito bem o Essential. A cereja do bolo sequer é um destes pontos, mas sim a ausência de qualquer nome no produto.

Você não tem nome de nada impresso nele, perfeito para apenas ser o smartphone potente que ele é. Sem propagandas, o que me agradou muito. Muito mesmo. A identidade visual do aparelho e da marca está na tela, nesta verruga que fica na parte de cima e, sobre ela, eu falo mais tarde.

Ainda no corpo, temos alto-falante apenas mono e que fica na parte inferior. O de cima é muito bem escondido junto de um micro LED que diz se há notificações. Há duas lentes na traseira, laser para ajudar no foco e estes dois pequenos pontos dourados. Eles são conectores, no estilo dos Moto Snaps, que aceitam acessórios e que, até o momento da gravação deste vídeo, inclui apenas uma câmera 360.

Tudo maravilhoso, com dois pontos ruins. Primeiro: a gaveta para o SIM card não tem espaço para dois SIM cards e nem mesmo para expansão da memória. Ela fica num local único: na parte inferior. Segundo e extremamente negativo: ONDE É QUE FOI PARA O CONECTOR PARA FONES DE OUVIDO? CADÊ?

Claro, a Essental envia um dongle para plugar seu fone, mas...Wellginton, o que acontece com o dongle na vida do humano? Ah, por fim, claro, o leitor de impressões digitais está exatamente onde deve estar...quando ele não fica na frente.


Belíssima tela... com uma verruga

Um dos pontos principais do Essential é a tela. Como disse, ela é a parte visual que difere este de qualquer outro smartphone já lançado. Até mesmo do iPhone X, aparelho mais semelhante na tela.

Em números, o Essential vem com um display de 5.7 polegadas e que ocupa 85% da frente do celular. Ele é uma mistura da barra inferior do Galaxy S8, com o topo de um iPhone X, só que com notch menor.

No lugar de descer a câmera frontal, LED de notificações e falante, Rubin espremeu tudo que podia no topo, deixando apenas a câmera para dentro da tela. E ela tem seu espaço reservado. Uma verruga, que eu senti mais estranheza do que ao utilizar o iPhone X.

Ao menos um ponto negativo do Android vira positivo aqui: a maioria dos apps não está adaptado para a proporções que são diferentes do 16:9. Temos aqui 19:10, diferente do S8, Note 8, G6 e também do iPhone X. Por conta disso, os aplicativos não chegam até lá pra cima e deixam a área separada apenas para ícones de notificações. Em alguns a parte de cima é preta e você acaba esquecendo da câmera frontal.

Na qualidade de cores e detalhes, o IPS LCD protegido com Gorilla Glass 5 exibe conteúdo com o que você espera do LCD: cores menos vivas, mas branco que é menos azul...é branco. Cores mais fiéis, mas sem a facilidade do AMOLED em lidar com luz solar direta.

Resumindo: é uma das melhores telas LCD do mercado, perdendo apenas para o que a LG sabe fazer com seus flagships, ou o que a Apple faz com os iPhones.

Especificações

Além de parte externa bastante bacana, por dentro o Essential é extremamente poderoso. Está longe de ser o mais potente smartphone de 2017, mas faz bem o suficiente seu trabalho para que entregue desempenho de sobra para qualquer situação.

Por dentro nós temos um Snapdragon 835 com 4 GB de memória RAM e 128 GB de espaço interno, em sua única opção. E, como disse antes, não há qualquer possibilidade de aumentar a memória com um microSD.

* Processador Snapdragon 835
* Octa-core (4x2.45 GHz Kryo e 4x1.9 GHz Kryo)
* 128 GB
* 4 GB de RAM
* GPU Adreno 540

E vocês, amantes de testes frios e todo este mundo de benchmarks...seguem alguns resultados que conseguimos com o Essential.

Android 99,9% puro

De fábrica recebemos o aparelho com o Android Nougat, mas já está mais do que certo que ele será atualizado para o Android Oreo. Deixando este pequeno detalhe de lado, vamos aos fatos: assim como qualquer topo de linha de 2017, com exceção do LG G6, não há nada na Play Store que não rode com os dois pés nas costas do Essential. Tudo rodou bem, mesmo com enorme quantidade de apps abertos no fundo.

Durante todos os dias que utilizei como meu smartphone pessoal, não notei nenhum travamento ou queda na taxa de quadros por segundo. Seja em app mais leve, como o Twitter, ou mesmo apps pesados como um editor de imagens.

Em jogos o cenário é idêntico. Tudo vai rodar bem, desde Mario Run até Asphalt Xtreme ou Warhammer Freeblade. Nada, ao menos até o começo de 2018, apareceu como uma barreira trabalhosa para o Essential Phone.

Olhando para o sistema operacional, ele é o Android 99% puro que tanto preferimos aqui no Canaltech. Esta é a imagem da lista de apps instalados logo depois de uma formatação do Essential. Só isso, quatro linhas de opções. Nada mais, ponto final. Apenas, literalmente, o essencial.

E todo resto você baixa da Play Store. Sem bloatwares, porcarias ou lixos que a fabricante acredita que você vai amar.

A interface é quase que a mesma dos Pixel e as duas únicas alterações visuais da interface estão no app de câmera e em uma opção dentro do menu de configurações, que permite enviar dados para a Essential. Só. É isso. Um paraíso do Android Puro.

Câmeras

A Essential entrou na jogada de duas lentes e entrega dois sensores de 13 megapixels, mas deixa de lado as opções de zoom ótico ou grande angular, para colocar um sensor colorido e outro sem cores. A ideia é de tirar fotos em pb com boa qualidade, mas...sinceramente, qual das duas é melhor neste ponto? A 1, ou a 2? Uma delas é preto e branco direto do sensor e a outra virou preto e branco depois, em edição. Eu respondo qual é a nativa do sensor, no final deste review.

Voltando, a câmera é onde a Essential não trabalhou de forma tão bela. As imagens são boas, claro, só que não tão incríveis quanto o que concorrentes próximos entregam. Concorrente como Pixel 2, iPhone 8 Plus ou X, indo até o G6 da LG e o Note 8 da Samsung. No geral as fotos do Essential ficam menos saturadas e o HDR nem sequer consegue trabalhar o alcance dinâmico com facilidade.

O app onde você controla é básico como no Pixel 2, só que ele não tem a mesma garantia de te entregar uma foto incrível mesmo no modo automático. Há alguns erros aqui, como a lenta transição de quase dois segundos entre uma lente e outra, ou então o flash automático que fica ligado no momento em que você escolhe o modo HDR.

Em fotos noturnas o resultado também fica abaixo da concorrência, com mais granulado (já que a lente tem abertura de 1.9 em ambos os sensore). É mais difícil conseguir uma foto nítida no Essential do que em qualquer concorrente próximo. Mas, de noite, a foto em preto e branco fica realmente bonita, como nestas que você viu agora.

Ah, claro, ele filma em até 4K com 30 quadros por segundo e os problemas de HDR e de cores mais pastel continuam no vídeo também. Até mesmo a câmera frontal, de 8 megapixels, filma em 4K.

Bateria dentro do esperado

Temos 3.040 mAh de bateria dentro do Essential, o que parece pouco para uma tela que ocupa tanto do espaço - o que, claro, consome mais bateria por ter mais pixels para gerar, iluminar e exibir para você, do que um smartphone de tela menor.

No cotidiano, nos dias que eu passei com este smartphone no meu bolso como meu celular pessoal, o Essential marcou um dia inteiro de uso, chegando em casa de noite com 20% de bateria. Ele saiu da tomada por volta das 10 da manhã e voltou para a tomada só por volta das 11 horas da noite.

Viveu com pouco mais de 4 horas de tela acesa. O que é...esperado para um smartphone de hoje em dia, com um extra por ter tela grande.

Em nossos testes, reproduzimos um vídeo em Full HD no app do YouTube, via Wi-Fi e com o brilho no máximo. O Essential conseguiu 17% por hora de descarga. Parece bacana, mas seu concorrente mais próximo, o Note 8, fez 13,5% por hora. O S8, menor, fez 12% por hora.

Felizmente o carregador é rápido e consegue entregar 100% de energia para o Essential em menos de duas horas.

Vale a pena?

Infelizmente o Essential não é vendido no Brasil e sequer há previsão para isso mudar. Assim, como com qualquer produto importado e sem empresa representada no Brasil, temos o ponto negativo mais pesado e automático: garantia, junto do suporte. Não há garantia no Brasil e nem mesmo suporte técnico autorizado pela Essential. Se algo acontecer, ou você aciona a garantia onde comprou (levando até lá ou enviando via correios), ou compra outro.

Pulando para os pontos do aparelho, ele custa US$ 699 nos Estados Unidos, o que dá mais ou menos R$ 2.5 mil em cotação de hoje, janeiro de 2018 e sem considerar qualquer imposto, como os 60% de imposto de importação. Lá fora ele custa menos do que o Note 8, iPhone X, Pixel 2 XL e o S8 Plus.

Perde para todos os concorrentes em câmera, ganha em software mais refinado e na esperança de receber maior cuidado justamente por ser um produto feito pelo pai do Android. E ganha por ser, em média, US$ 180 mais barato.

Levando em conta o preço, dá pra aceitar que você perde na câmera e, por isso, para quem mora lá fora, ele pode ser uma ótima pedida. Para o Brasil, adicione o problema de tudo que é importado e sem suporte, sem ajuda até mesmo da justiça caso algo aconteça, e faça sua decisão.

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