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Amazfit Pace: o smartwatch da Xiaomi [Análise / Review]

07:38 | Por André Fogaça | 17 de Janeiro de 2018
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A vida de quem ficou órfão do Pebble é dura. Ou você utiliza um Apple Watch, com bateria de dois dias, ou Android Wear também com dois dias de vida. Poucas marcas oferecem algo próximo dos dez dias de autonomia que eu tinha antes. Uma delas criou o Amazfit Pace, que chega perto, falhando em alguns pontos e acertando em outros.

Chega mais que eu te explico quais são estes pontos…

Cara de relógio, não de morfador

Corpo redondo, bordas revestidas de cerâmica e tela que não apaga. Com o mostrador correto, você passa fácil a sensação de que este é um relógio com funções inteligentes. Não um nano computador que, por um acaso, mostra a hora só de vez em quando. Esta é a parte externa do Pace, que não é exageradamente grande, mas que vai ficar espaçosa em pulsos mais finos.

A pulseira que acompanha o relógio é de borracha, perfeita para sobreviver ao suor do corpo e também aos riscos e arranhões que vai sofrer durante sua vida. Mas, se você é como eu e prefere outras pulseiras, é só procurar em qualquer relojoaria, por uma pulseira de 22 milímetros. Remover a trava da pulseira que vem na caixa do Pace e substituir por outra. Como esta outra pulseira.

Tela ligada o tempo todo

Um dos recursos que mais chama atenção no Pace é a tela. Não, ela não tem resolução enorme ou cores incríveis, mas é um dos raros relógios inteligentes que mostram o conteúdo durante todo o tempo. Sem modo ambiente do Android Wear e, principalmente, sem drenar a bateria por isso.

Falando em bateria, nos testes que eu fiz com este smartwatch, a autonomia ficou em uma semana de uso, ou sete dias. Recebendo notificações e com a tela ligada 100% do tempo. Não usei o GPS que vem nele. Com ele ligado, a autonomia não passa de um dia de uso.

Esta autonomia, sem o GPS, é exatamente o que eu buscava ao ficar órfão do Pebble. Colocar o relógio para carregar toda noite é algo pouco inteligente. É extremamente satisfatório passar o final de semana viajando, sem levar o carregador. E a bateria leva mais de uma hora e meia para sair do vazio e ir até 100% de carga.

A magia da tela acontece por conta do LCD escolhido pela Amazfit. Ele é capaz de refletir muito da luz que bate, exatamente como um relógio tradicional faz. Por conta disso, iluminar a tela em locais bem iluminados não é necessário. De noite, ou em locais mais escuros, até a luz fraca do display é o suficiente. Poderia ser mais forte, mas já é o suficiente.

Junto disso, a tela trabalha de forma semelhante ao e-ink que está nos Kindles e também nos Pebbles mais recentes. Ela tem cores, exibe taxa de atualização satisfatória para um smartwatch...que não é onde você vai assistir este review, nem mesmo o clipe de música que acabou de lançar.

Para quem gosta de números, temos 1.34 polegadas de tamanho e resolução de 300 x 320 pixels. Mais do que o necessário para ver as horas, algumas notificações e até acompanhar os dados do seu treino.

O sistema precisa de polimento

Ok, o visual é agradável e a tela fica ligada o tempo todo e a autonomia é muito superior ao que a concorrência entrega. O problema é a interação com o relógio. O sistema operacional é próprio da Amazfit, o que tem seu lado positivo e o lado negativo. O positivo é justamente a autonomia de bateria, mas o negativo é a limitação de uso.

A experiência de uso fica restrita ao acompanhamento de exercícios físicos, previsão do tempo, bússola digital (seja lá para que isso existe aqui), cronômetro, acompanhamento de sono e notificações. Nada além disso. Mesmo com o Android Wear limitado, este sistema operacional é ainda mais.

Se você busca um relógio que apenas reflete as notificações do celular e tem funções de relógio, ele encaixa bem nas expectativas.

Se você espera um smartwatch que conversa mais com o celular, ficará decepcionado. Eu fiquei.

Se você quer pedir um Uber com o smartwatch, não vai. Se quer ver o mapa da caminhada no Google Maps, não vai. Se quiser fazer uma anotação no Evernote, ou Google Keep, também não vai. Quer usar o smartwatch como disparador remoto para a câmera do smartphone? Não vai. Entendeu?

Ah, sim, se você quer especificações sobre o relógio, seguem as principais:

  • Processador de 1.2 GHz
  • 512 MB de RAM
  • 4 GB de memória interna
  • Bluetooth 4.0 com LE
  • Wi-Fi / GPS + GLONASS
  • Proteção IP68

Se você pensa nele apenas como um relógio que acompanha exercícios, funciona. Dentro, nas configurações, dá para configurar o leitor de batimentos cardíacos para fazer leituras o tempo todo. Ou de tempo em tempo. O mesmo vale para o GPS. Para finalizar, os 4 GB de memória interna permitem que músicas em MP3 fiquem do lado de dentro, para reproduzir com um fone de ouvido Bluetooth.

Vale a pena?

Como qualquer produto importado, há um ponto negativo automático: garantia. A Amazfit, uma divisão da Xiaomi, não existe no Brasil e isso significa que você estará sem qualquer suporte por aqui. Junte isso com a ineficiência dos correios do Brasil, que podem sumir com sua encomenda, que leva uns dois meses para chegar por aqui.

Passado o susto automático, vamos aos pontos do produto. Ele é um ótimo substituto para o Pebble, por ter tela ligada o tempo todo e bateria que fica fácil sete dias longe da tomada. Incomoda a falta de suporte de apps terceiros ao relógio e também ao baixo estoque de mostradores no app do Amazfit.

Até dá para colocar outros mostradores, mas de forma não oficial e que nós não recomendamos e nem ensinaremos como se faz. Ficou curioso? Dá um Google.

O acabamento em cerâmica dá um ar sofisticado pouco comum em relógios inteligentes com um pé em esportes. Que sempre são emborrachados e menos bonitos.

Junte isso ao custo de aproximadamente R$ 450 e temos um bom aparelho. Levando sempre em conta os riscos e problemas que podem aparecer em qualquer aparelho importado e sem representantes no Brasil.

Se você ficou animado, temos um link que leva direto para a Amazfit Pace.

E ai, curtiu este review? Tem outros pontos que podem ser levados em conta? Já tem um Pace? É só colocar aqui na parte dos comentários.

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