Starlink quer lançar 1 milhão de satélites, mas Amazon quer barrar Musk
Por Léo Müller | •

A Amazon pediu ao regulador de telecomunicações dos Estados Unidos que rejeite um pedido feito pela SpaceX para ampliar drasticamente a rede da Starlink. A empresa de Jeff Bezos afirma que o plano da companhia liderada por Elon Musk, que prevê a criação de uma infraestrutura com até 1 milhão de satélites em órbita baixa, levanta dúvidas técnicas e regulatórias que ainda precisariam ser analisadas com mais profundidade.
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O pedido foi apresentado à Federal Communications Commission (FCC), órgão responsável por autorizar operações de telecomunicações no país — função semelhante à da Anatel no Brasil.
Segundo a Amazon, que tem sua própria operadora de internet via satélite em baixa órbita (Amazon Leo), a proposta da SpaceX envolve mudanças significativas no uso de satélites e poderia gerar impactos no gerenciamento do espectro de rádio e na segurança orbital.
A solicitação da SpaceX faz parte de um plano mais amplo para expandir as capacidades da Starlink. Além de fornecer internet para usuários no solo, os novos satélites seriam capazes de atuar como pequenos data centers no espaço, realizando processamento de dados diretamente em órbita. A ideia é reduzir a dependência de infraestrutura terrestre e diminuir a latência de alguns serviços.
Proposta da SpaceX é obscura, diz Amazon
Na avaliação da Amazon, porém, a proposta não esclarece completamente como funcionaria esse modelo de “data centers espaciais” nem quais seriam seus efeitos sobre outras redes de satélites.
A companhia argumenta que um projeto dessa escala — com potencial para chegar a um milhão de unidades em órbita — exigiria uma análise regulatória mais rigorosa antes de qualquer aprovação.
O documento que a Amazon Leo enviou à FCC é fortemente crítico:
O pedido da SpaceX apresenta apenas um esboço mínimo de como a SpaceX pretende cumprir essas ambições grandiosas. O documento carece de detalhes básicos, como o design dos satélites (ainda em desenvolvimento), três altitudes orbitais possíveis (entre 500 km e 2.000 km), características de radiofrequência (RF) — consideradas complexas demais para serem descritas integralmente e por isso apresentadas apenas para três satélites representativos — ou ainda qualquer plano crível para gerenciar conjunções orbitais ou interferências em uma escala de um milhão de satélites, oferecendo apenas afirmações genéricas em vez de avaliações ou demonstrações específicas. Em resumo, o pedido parece descrever uma ambição grandiosa em vez de um plano concreto e um marcador especulativo em vez de uma aplicação completa segundo as regras da FCC. Ainda assim, ele pode gerar consequências reais. A proposta já despertou preocupação entre astrônomos e grupos ambientais e pode agravar a reação internacional de reguladores que já demonstram receio sobre a monopolização de recursos orbitais.
A disputa ocorre em meio à crescente rivalidade entre as empresas na corrida pela internet via satélite. Enquanto a Starlink já conta com milhares de satélites em operação e milhões de usuários ao redor do mundo, a Amazon desenvolve sua própria constelação por meio do Amazon Leo, que pretende lançar mais de 3 mil satélites nos próximos anos.
Fonte: The Register