Preço da Starlink vai baixar no Brasil? Concorrente chinesa pode forçar queda
Por Vinícius Moschen • Editado por Léo Müller |

Após a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) ter concedido à empresa chinesa SpaceSail o direito de exploração de satélites de órbita baixa (LEO) no Brasil, foi cogitada a possibilidade de a internet via satélite ficar mais barata no país.
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Essa possibilidade é considerada real com base em tendências gerais de mercado, ainda que a velocidade e a profundidade desse fenômeno sejam incertas.
Afinal, a chegada da SpaceSail introduz uma concorrente direta para a Starlink, da SpaceX, que atualmente lidera o segmento no país com certa “folga”.
De acordo com levantamento de 2025 do portal Teletime, a Starlink detém mais de 78% do mercado de internet via satélite para pessoas físicas no Brasil. Esse poder de mercado é considerado alto e não será revertido de forma rápida.
Além disso, a Starlink possui uma rede ampla de satélites em funcionamento no Brasil, com mais de 7 mil unidades autorizadas pela Anatel no ano passado. Para referência, a SpaceSail recebeu permissão para operar até 324 satélites na operação no Brasil, e tem atualmente apenas 108 satélites em órbita.
Para o futuro, a empresa chinesa tem o objetivo de ultrapassar 600 equipamentos até o fim de 2026. O plano global da marca prevê a colocação de 15 mil satélites em órbita até 2030 para disputar a liderança mundial.
Chegada da SpaceSail pode reduzir preços
Mesmo sem a perspectiva de mudanças imediatas, o aumento da concorrência é visto como um aspecto relevante para pressionar os preços em médio ou longo prazo.
O resultado dependerá do nível de agressividade que a SpaceSail adotará no mercado nacional. Além da Starlink, o setor já conta com outros competidores como HughesNet e SES.
Para além da questão dos preços, a chegada da nova operadora tende a aumentar a cobertura e fornecer maior redundância de redes para serviços críticos e logística no Brasil. Em geral, a empresa possui objetivos muito próximos aos da Starlink, com público-alvo que abrange residências, corporações e governos.
Já o foco geográfico está em áreas remotas, regiões rurais, localidades amazônicas, embarcações e propriedades agrícolas onde a infraestrutura terrestre de fibra óptica é limitada.
A licença concedida pela Anatel possui validade até julho de 2031. A empresa tem um prazo máximo de dois anos para iniciar o serviço, e deve lançar ao menos 10% dos satélites autorizados nesse período.
A SpaceSail é controlada pela Shanghai Spacecom Satellite Technology (SSST). A companhia recebe apoio do governo de Xangai, de investidores estatais e de instituições científicas chinesas.
O movimento faz parte de uma estratégia da China para reduzir a dependência de tecnologias ocidentais, em um setor estratégico que atualmente é dominado pelos Estados Unidos.
É previsto que a oferta de serviços no Brasil seja iniciada no quarto trimestre de 2026. No fim de 2024, a SpaceSail firmou um acordo com a Telebras para o fornecimento de sinal, em parceria que contará com o apoio de data centers e da rede de fibra óptica já existente no Brasil.