Publicidade

Operadora quer cobrar por token de IA em vez de GB de dados; entenda

Por  | 

Compartilhe:
Reprodução/Telecom Talk
Reprodução/Telecom Talk

Durante o MWC 26, em Barcelona, o CEO da Jio, Mathew Oommen, apresentou uma proposta que pode mudar a lógica do setor de telecomunicações: cobrar por tokens de IA em vez de gigabytes de dados. Para ele, o setor precisa deixar de ser um simples intermediário e passar a gerar valor diretamente na economia da inteligência artificial.

"Queremos ser um gerador de tokens. Jio será a primeira provedora escalável de serviços de tokens", afirmou o executivo durante sua palestra.

O que são tokens e por que isso importa

Canaltech
O Canaltech está no WhatsApp!Entre no canal e acompanhe notícias e dicas de tecnologia
Continua após a publicidade

Tokens são as unidades básicas que modelos de linguagem como GPT e Gemini utilizam para processar e gerar texto. Em termos simples, cerca de 1 token equivale a 4 caracteres em inglês, e é a partir dessa métrica que serviços de IA já cobram seus usuários hoje.

A lógica da Jio é aproveitar sua própria rede para processar esses tokens via edge computing, usando largura de banda, latência e resiliência como diferenciais competitivos. 

A crítica ao modelo atual é direta: "Alguns caras estão retendo 90% do valor da economia de IA. Telecom pode ser a malha da infraestrutura de IA." Explicou o executivo.

Outras operadoras também querem seu espaço

A discussão não ficou restrita à Jio. No mesmo painel, o CEO da TIM, Pietro Labriola, reforçou a dependência mútua entre redes e IA: "Sem rede, a nuvem não tem uso. Sem rede e sem nuvem, a IA não tem futuro."

Já o CEO da turca Turkcell, Ali Taha Koç, foi além e sugeriu que as operadoras podem ser a resposta para a soberania digital que governos ao redor do mundo buscam. Sua proposta envolve data centers locais controlados por operadoras nacionais, com comunicações protegidas por criptografia, regulamentação de IA e infraestrutura de energia sustentável.

E na África, o debate é diferente

Continua após a publicidade

Na mesma conferência, o CEO da MTN, Ralph Mupita, trouxe uma perspectiva distinta. Em boa parte da África, o 4G e o 5G ainda têm baixa penetração, então o foco imediato é outro: "Queremos deixar de ser um cano burro. Queremos oferecer serviços digitais sobre a conectividade", disse.

Sobre o avanço da IA, Mupita fez um alerta: é preciso garantir que o Sul Global não fique para trás enquanto EUA e China disputam a liderança tecnológica.

A MTN, por sua vez, deve manter o foco em 4G e 5G por pelo menos mais cinco anos antes de pensar em saltos maiores.

Leia mais

Continua após a publicidade

Fonte: Mobile Time