Navios chineses rondam cabos de Google e Meta e acendem alerta nos EUA
Por João Melo |
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Navios chineses nas proximidades de cabos submarinos no Pacífico acenderam um alerta nos Estados Unidos sobre possíveis riscos de sabotagem contra a infraestrutura que sustenta parte da internet mundial. Um relatório ligado ao Congresso americano cita conexões associadas à Google, à Meta e à Verizon entre as mais vulneráveis, mas não comprova que as embarcações estejam preparando ataques.
O documento da Comissão de Revisão Econômica e de Segurança EUA-China (USCC) avalia capacidades atribuídas à China e possíveis pontos frágeis das redes. Preparado pelo China Strategic Risks Institute a pedido da USCC, o trabalho apresenta um índice para ajudar autoridades americanas a identificar e priorizar os trechos mais expostos a possíveis ações hostis.
A classificação leva em conta características das rotas, como a profundidade das águas, movimento de embarcações e a localização dos cabos. Questões geopolíticas, incluindo as reivindicações territoriais da China sobre Taiwan, também entram na avaliação.
Randy Schriver, presidente da comissão, afirma que a infraestrutura tem importância estratégica crescente e que o desenvolvimento de recursos submarinos pela China pode ampliar os riscos para essas conexões.
“Os cabos submarinos, que transportam a grande maioria do tráfego internacional de dados, são a espinha dorsal da economia digital global e estão cada vez mais ligados à segurança nacional. Este relatório aponta que a China está desenvolvendo uma série de capacidades para alcançar o ‘Comando do Mar Profundo’, com potencial para provocar grandes interrupções nessas redes", afirmou Schriver em comunicado.
O documento também menciona tecnologias de uso duplo, que podem atender a atividades civis ou militares, incluindo submersíveis capazes de alcançar 10 mil metros de profundidade e plataformas não tripuladas que operam de forma coordenada.
Quatro cabos em desenvolvimento estão entre os mais vulneráveis
Segundo o relatório, quatro projetos ainda em desenvolvimento aparecem entre os dez cabos trans-Pacífico com maior pontuação de risco:
- E2A, com participação da Verizon;
- TPU, de propriedade do Google;
- ORCA, pertencente à Meta;
- ACC-1, desenvolvido pela Inligo Networks.
A exposição dessas conexões está relacionada às características das rotas e ao cenário geopolítico da região. O levantamento identifica Taiwan, Japão e Filipinas como áreas especialmente sensíveis, tanto pelas tensões políticas quanto pela passagem de cabos por águas rasas e corredores marítimos movimentados.
O documento aponta que uma interrupção grave poderia obrigar parte dos dados a percorrer caminhos mais longos até chegar ao destino. Se vários cabos fossem afetados simultaneamente, a capacidade de comunicação entre os Estados Unidos e a Ásia poderia sofrer uma pressão ainda maior, com possíveis reflexos para serviços de internet, computação em nuvem e operações financeiras.
A classificação, no entanto, representa uma avaliação preventiva por parte dos órgãos norte-americanos. Isso porque estar entre os projetos mais vulneráveis não significa que um cabo tenha sido atacado ou que exista uma operação confirmada para danificá-lo.
Comissão defende medidas para proteger a infraestrutura
Para reduzir os riscos, a USCC recomenda ampliar o monitoramento marítimo em parceria com aliados, renovar a frota internacional usada para reparar cabos e investir em recursos submarinos voltados à proteção dessas estruturas.
Hal Brands, integrante da comissão e copresidente do grupo de trabalho responsável pela pesquisa, defende que a proteção não dependa apenas da recuperação das redes depois de eventuais danos.
“Para proteger essa infraestrutura crítica, o relatório recomenda novas ferramentas para identificar vulnerabilidades e melhorar o monitoramento, a resiliência e a coordenação com aliados antes que uma crise ocorra, ajudando a garantir que essas redes críticas permaneçam seguras e confiáveis", enfatizou Brands.
As recomendações refletem a preocupação americana com possíveis ações que provoquem danos sem desencadear um confronto militar aberto, conhecidas como táticas de zona cinzenta. Ainda assim, vale destacar que o relatório não comprova que Pequim esteja preparando ataques contra os cabos mencionados.
Citada no relatório, a Meta anunciou recentemente que vai construir cabo submarino gigante que transmite 1 petabit por segundo.