Em crise, Oi tenta vender fios de cobre para se manter viva
Por Bruno Bertonzin • Editado por Léo Müller | •
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A Oi tenta obter autorização da Justiça para vender cabos aéreos de cobre à R.Log, empresa sediada em Belo Horizonte. O acordo pode render até R$ 95 milhões e faz parte das medidas emergenciais adotadas pela operadora diante do risco de seu caixa se esgotar em agosto.
O contrato foi firmado em março, mas recebeu questionamentos sobre o preço definido para o material. O impasse está sob análise da 7ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, responsável pelo segundo processo de recuperação judicial da companhia.
O observador judicial do processo pediu explicações sobre o valor líquido de R$ 9,50 por kg e a quantidade total de metal que será vendida. Os questionamentos também receberam apoio do Ministério Público.
A gestão judicial da Oi afirmou nesta semana que ainda não consegue determinar o volume exato de cobre disponível. A estimativa inicial é de 10 mil toneladas, mas a quantidade definitiva só será conhecida após a retirada e a pesagem dos cabos.
Oi explica preço abaixo da cotação internacional
O preço acertado com a R.Log está distante da cotação do cobre puro na London Metal Exchange. O metal refinado tem sido negociado por cerca de US$ 13,5 mil por tonelada, o equivalente a aproximadamente R$ 68 por kg com o câmbio atual.
A Oi argumenta, porém, que essa cotação não serve como parâmetro para o contrato. A operação envolve sucata de cabos instalados em postes, e não cobre refinado pronto para comercialização no mercado internacional.
Como a operadora enfrenta restrições de caixa, a R.Log deverá assumir os custos de retirada, transporte e beneficiamento do material, estimados em R$ 15 por kg. Já os R$ 9,50 por kg correspondem ao valor líquido que entraria no caixa da Oi.
Caso a estimativa de 10 mil toneladas seja confirmada, a operação poderá gerar R$ 95 milhões para a empresa.
A Oi afirma que não há como medir antecipadamente quanto cobre existe nos cabos. A quantificação definitiva só poderá ocorrer após a extração do material e sua pesagem.
Furtos aumentam urgência da operação
A companhia também defende uma solução rápida para o impasse por causa dos furtos e roubos de cabos. Segundo a Oi, a sucata ainda perde valor com o passar do tempo por causa de sua deterioração.
Além da R.Log, a operadora recebeu uma proposta da Metalpronto, que ofereceu R$ 12,50 por kg. A oferta foi desconsiderada porque também incluía cabos subterrâneos da rede.
De acordo com a Oi, esses ativos ainda não estão liberados para venda e possuem valor superior ao dos cabos metálicos aéreos.
Em novembro de 2025, a operadora firmou outro contrato para a venda de sucata de cobre, desta vez com a San Lien Exportadora e Importadora. O preço ficou em R$ 9,05 por kg, valor R$ 0,45 inferior ao proposto agora pela R.Log.
A operação recebeu autorização da Justiça e colocou R$ 23,4 milhões no caixa da Oi.
Caixa pode acabar em 10 de agosto
A liberação da venda dos cabos faz parte de um conjunto de medidas emergenciais solicitado pela Oi à Justiça nesta semana.
A companhia também pediu autorização para realizar a segunda e a terceira chamadas do leilão judicial da Oi Soluções, com uma data a ser definida pela Justiça.
Outro pedido busca aval para demitir parte dos trabalhadores e adiar o pagamento das verbas rescisórias.
A Oi projeta encerrar julho com R$ 19,6 milhões em caixa. Para agosto e setembro, as previsões já indicam liquidez negativa, com o esgotamento dos recursos disponíveis em 10 de agosto.
A situação da operadora é ainda bastante crítica, e a Oi pode ficar sem dinheiro em 2 semanas, e quer demitir funcionários sem pagar indenizações.