Dona da TIM pode ser vendida por US$ 12 bilhões a fundo dos EUA

Dona da TIM pode ser vendida por US$ 12 bilhões a fundo dos EUA

Por Felipe Demartini | Editado por Jones Oliveira | 22 de Novembro de 2021 às 12h41
Divulgação/TIM

O fundo de investimentos KKR apresentou neste domingo (21) uma proposta de US$ 12,2 bilhões para a compra da Telecom Italia, dona da TIM Brasil. A proposta foi encarada como amigável pela empresa de telecom e ainda depende de uma auditoria que deve durar quatro semanas, bem como do aval do governo italiano, para ser concretizada. Desde já, porém, este deve ser o assunto da semana no noticiário econômico.

Um dos motivos para isso é que estamos falando da maior aquisição de uma empresa privada europeia da história. Caso o valor ofertado pela KKR seja concretizado, o fundo de private equity estaria oferecendo um ganho de 45% sobre cada ação da Telecom Italia, na comparação com o fechamento do pregão de sexta (19), levando o valor da operadora a US$ 12,03 bilhões.

A negociação ainda está em andamento e, como dito, não deve ser concluída em 2021. Por outro lado, os olhos já se voltam para a TIM Brasil, com analistas de mercado apontando que a operação brasileira deve ser vendida após a conclusão e aprovação da compra da Telecom Italia pela KKR. De acordo com apuração do Valor junto à Ativa Investimentos, o motivo para isso seria o interesse dos principais acionistas da empresa italiana, com um movimento que também deve demorar para acontecer.

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Por enquanto, o quadro de diretores da Telecom Italia não deu sinais positivos nem negativos quanto à aquisição, mas ela já está fazendo bem às ações, que apresentam alta de 29,8% já no pregão desta segunda (22) na Bolsa de Valores de Milão. Boas notícias, também, no Brasil, com os papéis da TIM abrindo as negociações em alta de 4,5%, um reflexo direto da notícia internacional.

Hoje, a KKR já é detentora de 37,5% das ações da Telecom Italia, mas agora pretende assumir o controle da companhia como um todo. Uma das ideias para essa nova gestão seria separar os negócios de redes e os setores corporativos dos negócios voltados aos consumidores, como forma de agregar mais valor às ofertas e potencializar a performance das adquiridas. Isso vale especialmente para uma companhia que vem apresentando resultados abaixo do esperado e já alertou acionistas sobre quedas no rendimento para os próximos trimestres.

Operação brasileira da TIM faz parte de negócio internacional, com analistas apostando em uma venda posterior da porção nacional da empresa (Imagem: Divulgação/TIM)

Por outro lado, não estamos falando de um campo exatamente fértil, com a Telecom Italia já tendo sido fruto de batalhas entre fundos de investimentos e até operadoras estrangeiras, que brigaram ao longo dos últimos anos pelo controle da empresa. Entre os envolvidos em disputas recentes estiveram a Telefónica, da Espanha, e a AT&T, também dos EUA; a oferta da KKR também chamou a atenção de outros fundos de investimento, com nomes como CVC e Advent não confirmando nem negando estarem dispostos a fazerem uma oferta.

“Bons olhos”

Além da guerra corporativa, outro ponto focal da possível aquisição da Telecom Italia pela KKR é a aprovação governamental, que já disse enxergar a proposta como uma boa notícia. Em comunicado oficial, o departamento do tesouro italiano disse que a notícia é positiva para o país e que, apesar de cautelas recentes quanto à compra de companhias locais por estrangeiros, avaliaria a questão com cuidado.

Mais do que isso, a compra teria soado como interessante para os projetos de expansão da rede de telefonia na Itália, parte de um plano de recuperação econômica do país. Desde já, entretanto, o governo disse não estar disposto a abrir mão de infraestruturas estratégicas, como redes primárias e cabos de alta densidade, mas disse que acompanhia as negociações de perto.

Um caminho para lidar com a questão, de acordo com o Financial Times, seria a separação da Telecom Italia em duas empresas, com os negócios relacionados a infraestruturas essenciais sendo passados ao controle de empresas estatais italianas. Tais questões também devem fazer parte das conversas que devem acontecer ao longo das próximas semanas, enquanto a própria operadora também realiza suas auditorias e discussões sobre o assunto.

Fonte: The Financial Times, Valor Investe

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