Conversor de TV 3.0 pode chegar grátis para famílias de baixa renda
Por Bruno Bertonzin |
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Famílias de baixa renda poderão receber gratuitamente conversores para acessar a TV 3.0 no Brasil. A Entidade Administradora da Faixa, a EAF, iniciou um estudo para avaliar a distribuição dos equipamentos e pretende concluir a análise em cerca de 30 dias.
A iniciativa ainda não está confirmada. Segundo a presidente da EAF, Gina Marques, o projeto depende de procedimentos técnicos e aprovação regulatória antes de qualquer distribuição. Caso receba sinal verde, as primeiras instalações poderão começar no início de 2027.
O estudo considera, inicialmente, famílias de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, justamente as três cidades que concentram a fase experimental da nova geração da televisão aberta. “Nosso papel é garantir que essa tecnologia chegue às pessoas que mais precisam”, afirmou Gina durante a SET Expo 2026.
Conversor grátis ainda depende de aprovação
A EAF recebeu autorização do Gaispi, grupo coordenado pela Anatel, para analisar projetos que poderão usar recursos remanescentes das obrigações estabelecidas no leilão do 5G. Uma das possibilidades é justamente custear os equipamentos necessários para levar a TV 3.0 ao público de baixa renda.
A entidade foi criada no contexto do leilão do 5G e já participou de outra grande mudança na televisão brasileira. Entre suas atribuições esteve a liberação da faixa de 3,5 GHz e a instalação de equipamentos para famílias afetadas pela migração da TV aberta via satélite.
O possível subsídio ganha importância porque os primeiros conversores de TV 3.0 ainda são caros. Modelos de Intelbras e Aquário chegaram ao mercado por mais de R$ 650, valor alto para um acessório necessário apenas para habilitar a nova tecnologia em televisores atuais.
O que é a TV 3.0?
A TV 3.0, também chamada de DTV+, é a nova geração da televisão aberta digital brasileira. O sinal continua gratuito e chega pela antena, mas o novo padrão acrescenta melhor qualidade de imagem e áudio, além de uma camada de interatividade que aproxima a experiência daquela encontrada em plataformas de streaming.
Entre os principais avanços estão imagem em 4K com HDR, suporte futuro a resoluções maiores e áudio imersivo MPEG-H. Esse último recurso permite, por exemplo, escolher diferentes faixas de áudio durante uma partida de futebol e até assistir ao jogo sem a narração, apenas com o som do estádio.
A conexão com a internet amplia as possibilidades. Com ela, emissoras podem oferecer conteúdos sob demanda, enquetes, votações, câmeras alternativas em transmissões ao vivo e informações complementares direto na tela. A interface também troca a tradicional navegação por números por uma experiência baseada em ícones e aplicativos de cada canal.
Quem não conecta o aparelho à internet ainda consegue assistir ao sinal aberto e aproveitar melhorias de imagem e áudio. Já os recursos interativos dependem de Wi-Fi ou conexão por cabo.
Por enquanto, televisores vendidos no Brasil precisam de um conversor externo compatível com DTV+ para receber o novo sinal. O equipamento fica conectado à TV pela entrada HDMI e à antena digital.
Nós já testamos a TV 3.0
O Canaltech já teve a oportunidade de testar um conversor da Intelbras durante a semifinal da Copa do Mundo entre Inglaterra e Argentina. Na ocasião, foi possível experimentar alguns dos principais diferenciais prometidos pela TV 3.0 em uma transmissão real.
Um dos recursos que mais chamou atenção foi a seleção de áudio. Era possível manter a transmissão tradicional, ouvir apenas os sons do campo ou da torcida e até remover narradores e comentaristas. Também testamos uma câmera alternativa, que mostrava o jogo de uma perspectiva superior.
A transmissão ainda oferecia estatísticas da partida, escalação, substituições e cartões direto na televisão, sem a necessidade de consultar o celular. A câmera alternativa apresentou alguns segundos de atraso, mas a experiência geral funcionou sem falhas relevantes durante o teste.
A resolução 4K também funcionou, mas com uma limitação importante: apenas o sinal oficial da FIFA era exibido nessa qualidade. Imagens produzidas pela própria Globo e outros conteúdos da grade ainda apareciam na definição tradicional.
Quais cidades têm cobertura inicial da TV 3.0?
Oficialmente, a fase experimental da TV 3.0 se concentra em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. No entanto, um material de divulgação da Intelbras mapeou o alcance inicial do sinal para 22 municípios das regiões metropolitanas de São Paulo e Rio de Janeiro, com algumas áreas de cobertura parcial.
Em São Paulo, são 13 municípios:
- São Paulo, com cobertura ampla e contínua;
- Osasco;
- Barueri;
- Taboão da Serra;
- Embu das Artes, com cobertura parcial;
- Cotia, principalmente na área urbana;
- Guarulhos;
- Itaquaquecetuba, com cobertura parcial;
- São Bernardo do Campo, principalmente nas áreas mais urbanizadas;
- Santo André, principalmente nas áreas mais urbanizadas;
- São Caetano do Sul;
- Diadema;
- Mauá, principalmente nas áreas mais urbanizadas.
No Rio de Janeiro, o levantamento inclui nove municípios:
- Rio de Janeiro, com cobertura ampla e parte da Zona Oeste de forma parcial;
- Niterói;
- São Gonçalo;
- Magé, na faixa litorânea da Baía de Guanabara;
- Duque de Caxias, na faixa litorânea da Baía de Guanabara;
- São João de Meriti;
- Nilópolis;
- Belford Roxo;
- Mesquita.
No Distrito Federal, o mesmo levantamento também apontou cobertura em áreas de Brasília, como Plano Piloto, Asa Sul, Asa Norte, Águas Claras, SIA, Sudoeste, Park Way, Riacho Fundo e Guará. Ao incluir essas regiões administrativas, o mapa de cobertura chega a 31 localidades.
A eventual distribuição gratuita de conversores poderá, portanto, eliminar uma das principais barreiras para a adoção da TV 3.0 entre famílias de baixa renda. Antes disso, porém, a EAF ainda precisa concluir o estudo e obter a aprovação necessária para que o projeto saia do papel.