Conversor de TV 3.0: quanto custa e quem realmente precisa comprar?
Por Bruno Bertonzin • Editado por Léo Müller |
:quality(85)/94313250-3b88-40cc-9041-0e13cbdc0219.png)
Os primeiros conversores de TV 3.0 já estão disponíveis no Brasil, mas ninguém precisa comprar um aparelho para continuar assistindo à televisão aberta. O sinal digital atual seguirá funcionando normalmente.
O equipamento serve para adicionar os recursos da DTV+ a televisores que ainda não possuem suporte nativo ao novo padrão. Entre eles estão a resolução 4K, estatísticas integradas, enquetes, opções de áudio e câmeras alternativas em transmissões compatíveis.
Apesar das novidades, a tecnologia ainda passa por testes e tem alcance limitado. O sinal funciona oficialmente apenas em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, enquanto somente a Globo aderiu ao padrão até o momento.
Para que serve o conversor de TV 3.0?
O conversor recebe o sinal da DTV+ e libera seus recursos em uma televisão convencional. Ele funciona de forma parecida com os antigos aparelhos usados na transição da TV analógica para a digital, mas acrescenta funções conectadas à internet.
Durante uma partida de futebol, por exemplo, o telespectador pode consultar escalações, substituições, cartões e estatísticas pelo controle remoto. As emissoras também podem oferecer enquetes e informações complementares sobre o conteúdo exibido.
Outro diferencial está no áudio. Em transmissões compatíveis, é possível silenciar a narração e manter apenas o som do campo ou da torcida. Alguns eventos ainda podem oferecer uma câmera adicional, com outro ângulo da partida.
A TV 3.0 também abre espaço para conteúdos em 4K na televisão aberta. Porém, o conversor não melhora automaticamente a resolução de toda a programação. O 4K e os recursos interativos dependem do material preparado pela emissora.
Durante nossos testes na semifinal da Copa do Mundo entre Inglaterra e Argentina, apenas o sinal oficial fornecido pela FIFA estava em 4K. As imagens produzidas pela própria Globo, como as da cabine de transmissão, ainda apareciam em definição padrão.
Quanto custa um conversor de TV 3.0?
O receptor DTV+ da Intelbras é encontrado por mais de R$ 600. O kit já inclui uma antena interna, usada para captar o sinal, e um controle remoto para acessar os canais e recursos interativos.
A instalação é simples. Basta conectar a antena ao receptor, ligar o equipamento à televisão e iniciar a busca pelos canais disponíveis. A configuração leva pouco tempo e não exige conhecimento técnico avançado.
A Aquário também vende um conversor de TV 3.0, com preço próximo de R$ 700. Assim, o investimento inicial fica entre R$ 600 e R$ 700, dependendo do modelo e da loja.
O valor ainda é alto diante da quantidade de conteúdo disponível. Por enquanto, o usuário compra um aparelho relativamente caro para acessar recursos concentrados em uma emissora e em algumas transmissões específicas.
Quem deve comprar o conversor de TV 3.0?
Hoje, o conversor faz sentido principalmente para entusiastas que moram em São Paulo, Rio de Janeiro ou Brasília e querem experimentar a DTV+ desde o início.
Também pode valer a pena para quem acompanha muitas transmissões esportivas da Globo, já possui uma televisão 4K e tem interesse em recursos como áudio personalizado, estatísticas pelo controle remoto e câmeras adicionais.
Mesmo para esse público, a compra funciona mais como um acesso antecipado à tecnologia do que como uma necessidade. Nem todos os programas oferecem interatividade, e os conteúdos em 4K ainda são raros.
Para a maioria das pessoas, o melhor é esperar. Quem mora fora das três capitais atendidas pode nem conseguir captar o sinal, enquanto quem assiste pouco à Globo terá poucas oportunidades para aproveitar o equipamento.
A recomendação também vale para quem espera usar a TV 3.0 em vários canais. As demais emissoras continuam disponíveis pelo sinal digital tradicional, mas sem os recursos da DTV+.
A tecnologia funciona bem e mostra um caminho interessante para a televisão aberta. Porém, o investimento ficará mais fácil de justificar quando houver mais emissoras, cidades e conteúdos compatíveis, além de televisores com suporte nativo ao padrão.
Até lá, os conversores da Intelbras e da Aquário atendem a um público específico. Quem só quer continuar assistindo aos canais abertos não precisa comprar nada agora.