Australia deve banir Huawei de lançamento da tecnologia 5G

Por Felipe Demartini | 11 de Julho de 2018 às 12h06
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O governo da Austrália estaria se preparando para interromper qualquer tipo de laço com a Huawei para o lançamento de sua infraestrutura 5G. A informação ainda não foi confirmada oficialmente, mas, de acordo com fontes nas agências de inteligência do país, os temores quanto à associação entre a fabricante e o governo chinês seriam os responsáveis pelo corte da relação, que impedirá a companhia de fornecer dispositivos de rede, segurança e outros equipamentos essenciais para o funcionamento da conexão.

O medo, como sempre, é da espionagem. Por mais que provas concretas de ligações desse tipo jamais tenham sido publicadas, o governo americano, por exemplo, é um dos mais vocais ao apontar a ligação de companhias como a Huawei ao governo chinês. Na visão das agências de segurança nacional, então, prevenir é melhor do que remediar e a melhor ideia, aparentemente, é manter tais dispositivos longe das redes essenciais de telecomunicações.

A própria companhia também sabe disso e, como prova de boa-fé, fechou um acordo para que todos os seus aparelhos sejam analisados por um time de especialistas na Austrália, Reino Unido e outros países da Europa. Essa iniciativa de transparência total, afirma a Huawei, seria suficiente para provar que, apesar de sua origem chinesa, não existe nenhum tipo de relação entre ela e o governo de sua terra natal, ainda mais no que toca operações de espionagem e vigilância internacional.

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Isso, porém, não teria sido suficiente para o governo australiano. De acordo com as fontes que revelaram o banimento à agência de notícias Reuters, mesmo que não existam indícios de backdoors ou outras vulnerabilidades de segurança, a Huawei, ainda assim, é uma companhia baseada em território chinês e será obrigada a atender aos pedidos das autoridades locais caso seja necessário. Existem leis que obrigam a prestação desse tipo de suporte, caso exigido, e esse é um risco que o país não deseja correr.

O temor é que medidas sejam tomadas para reduzir a capacidade da rede ou, então, obter dados que trafegam por ela. A ideia da Austrália é construir uma infraestrutura federal para a rede 5G e alugá-la para operadoras de telefonia. Sendo assim, as informações carregadas seriam tanto de cidadãos comuns quanto de empresas e órgãos governamentais, algo que, em absolutamente todos os casos, constitui um risco para a segurança nacional.

Não ajuda, ainda, as tensões comerciais e diplomáticas entre as duas nações. No final de 2017, o primeiro-ministro australiano Malcolm Turnbull acusou a China de tentar obter informações e manipular decisões federais a seu favor. Em resposta, o governo chinês respondeu com uma “operação tartaruga”, aumentando o trâmite, o escrutínio e, por consequência, o tempo de transporte de importações que chegavam da Austrália ou partiam para lá.

Em resposta, o diretor da Huawei na Austrália, John Lord, afirmou que as alegações são falsas e não têm procedência alguma. Ele lembrou, ainda, que as leis que obrigam empresas a prestarem assistência ao governo só têm validade em território chinês, não sendo aplicadas em operações realizadas fora do país. O executivo garantiu a segurança dos equipamentos fornecidos e lamentou a possibilidade de quebra na parceria. O governo australiano, entretanto, não confirmou nem negou o corte de laços com a Huawei.

Fonte: Reuters

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