2019, o ano de nascimento das redes 5G

Por José Otero | 09 de Janeiro de 2020 às 19h50
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Começamos 2020, um ano que para o mundo das telecomunicações está repleto de promessas e muitas expectativas. A primeira, sendo o desenvolvimento da 5G na América Latina e no Caribe, pois, por alguma razão, temos a impressão de que em nosso pedaço do globo terráqueo esta tecnologia está demorando mais do que o normal para chegar.

A evidência histórica nos mostra que é o contrário: a 5G é a tecnologia sem fio para serviços fixos e móveis com a mais rápida chegada a este canto do mundo. Enquanto no primeiro lançamento global vimos que a 3G tardou cinco anos para chegar à região, a 4G levou cerca de dois anos e, para a 5G, encontramos 4 operadoras de mercados distintos que lançaram no mesmo ano que as mais importantes operadoras móveis do mundo começaram a oferecer esta tecnologia aos seus clientes.

O resultado deste avanço dependerá da perspectiva que queira adotar. Para quem deseja ver o copo meio cheio, pois terminou o atraso na adoção das novas tecnologias. O perfil do usuário latino-americano e caribenho não dista muito de seu desejo por utilizar novas aplicações e tecnologias que consumidores estadunidenses, europeus e coreanos.

No entanto, quem prefere ver o copo meio vazio dirá que quatro redes em um ano não provam nada e que os telefones são extremamente caros por terem um nível de adoção acelerado. Aqui um pequeno detalhe é óbvio: quando uma tecnologia móvel é comercializada anos além do seu primeiro lançamento global, há tempo para desenvolver um ecossistema diversificado de dispositivos que inclui desde telefones celulares a modems para acesso fixo, entre outras coisas.

Na realidade, quando os serviços são lançados simultaneamente, é que os dispositivos não terão o mesmo suporte que fornece a maturidade de uma tecnologia em termos de empresas, dispositivos de fabricação, variedade de modelos ou até o número de mercados que atribuíram as frequências selecionadas para implantações 5G iniciais. Se você puxar na memória, é possível lembrar de que a LTE chegou à América Latina e ao Caribe em 2011 com lançamentos no Brasil, Porto Rico e Uruguai.

Não obstante, desde a data até os grandes níveis de crescimento da tecnologia passaram cerca de 4 a 5 anos pelo que o crescimento acelerado em dois dígitos percentuais não foi até os trimestres de 2015 e 2016 em toda a região. Obviamente, antes dessa adoção acelerada, havia várias ondas de lançamentos e implantação de infraestrutura para oferecer cobertura ao maior número possível de pessoas.

O crescimento da 5G seguirá o mesmo padrão que o de gerações prévias, ainda que um pouco mais acelerada. Ainda com esta capacidade, os próximos 2 ou 3 anos serão de lançamentos e expansões de cobertura para a nova tecnologia. Uma expansão que se apresenta com mais complicações que as observadas em gerações anteriores pelo tipo de frequências a serem utilizadas e os modelos de negócio que realmente podem beneficiar a curto prazo de uma tenolocia que pode suportar des vezes mais a quantidade de dispositivos conectados que a geração que a precede. Em outras palavras, o inicio da massificação da 5G na América Latina e no Caribe não ocorrerá antes de 2023. Para esta data, ainda estaremos melhorando o desempenho da tecnologia para poder garantir que as velocidades mencionadas continuem na imprensa.

E assim como a adoção da tecnologia levará anos, a mudança paradigmática que as pessoas terão em suas vidas diárias, na condução dos negócios ou na nova literatura regulatória a ser escrita levará décadas para acontecer.

Contabilizar a transformação total de nosso modus operandi em meses ou anos, graças à tecnologia, é vender fumaça.

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