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Governança Corporativa | Por que as startups precisam disso?

Por Stephanie Kohn | 26 de Março de 2019 às 12h52

O número de startups mais do que dobrou no Brasil nos últimos seis anos, atingindo a marca de 62 mil empreendedores e 6 mil empresas, segundo dados da Associação Brasileira de Startups (ABStartups). No entanto, pesquisas mostram que a taxa de mortalidade das startups é muito alta (pode chegar a 75%), e a adoção de boas práticas de Governança Corporativa pode representar o diferencial para reduzir o risco de insucesso.   

Um estudo da Fundação Dom Cabral descobriu que a mortalidade de startups no Brasil está relacionada em maior grau com o ambiente em que a empresa está inserida e à estrutura determinada no momento de sua concepção, como o número de sócios envolvidos, o volume de capital que irá investir e o local onde será instalada no início das operações.

“Antes a Governança Corporativa era sinônimo de grandes empresas e organizações maduras, hoje sabe-se que o sistema deve ser aplicado a qualquer negócio, independente do tamanho ou maturidade”, comentou Max Carlomagno, consultor nas áreas de estratégia, inovação e crescimento, e coordenador da publicação organizada pelo Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) em entrevista exclusiva ao Canaltech.

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Com isso em mente, o IBGC desenvolveu um guia para apoiar startups e scale-ups – empresas de rápido crescimento - na adoção de práticas de governança e gestão que contribuam para a sustentabilidade e sucesso do negócio. O objetivo do documento é contribuir para que a Governança Corporativa seja levada em conta desde a criação da empresa, até o momento em que ela ganha escala e deixa de ser uma startup, tornando-se uma scale-up.

Dentre orientações de governança apresentadas estão: o alinhamento de expectativas dos fundadores em relação à startup; a discussão sobre a capacidade financeira e a perda suportável pelos fundadores; definição de como cada sócio irá contribuir para a sociedade; proteção da propriedade intelectual gerada e dos segredos de negócios; e criação de um acordo de fundadores (founders agreement), entre outras.    

“Durante 12 meses desenvolvemos o documento e chegamos as premissas para cada uma das quatro fases das startups: ideação, validação, tração e escala”, explica Max.

Cada fase tem as suas peculiaridades e prioridades. A governança requerida varia de acordo com o momento e a fase de desenvolvimento da empresa. Em cada uma dessas fases, espera-se que a governança avance, levando-se em conta quatro pilares: estratégia & sociedade, pessoas & recursos, tecnologia & propriedade intelectual e processos & accountability. 

Vale lembrar que Governança Corporativa está fundamentada em quatro princípios básicos: transparência, equidade, prestação de contas (accountability) e responsabilidade corporativa. Esses princípios devem ser observados desde o surgimento da startup, mesmo que ela vá desenvolvendo a sua governança paulatinamente. A taxa de mortalidade das startups é alta, mas o risco de insucesso pode ser reduzido por meio da adoção de boas práticas de governança.

Mas, cuidado com excessos. O coordenador da publicação revela que o exagero em táticas de controle pode ser tão nocivo quanto o abandono. “Existem casos de startups que implementaram coisas muito cedo e perdem o foco. Governança é como um remédio, deve ser tomado na dose certa”, finaliza.

A versão online da publicação é gratuita e está disponível no Portal do Conhecimento, plataforma desenvolvida pelo IBGC.

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