Cryptolands.io | Startup nacional "vende terrenos" na Lua para ajudar o planeta

Por Luciana Zaramela | 07 de Junho de 2019 às 20h10
Nasa/Divugação

Você já imaginou ser dono de um terreno na Lua, ou em algum planeta do Sistema Solar? Bom, enquanto a ideia, na prática, ainda não se torna realidade, você pode comprar virtualmente um lugar extraterrestre como uma cratera na Lua, por exemplo, para chamar de seu e, ainda, ajudar o nosso planeta. Calma, a gente explica.

Uma startup brasileira chamada Cryptolands.io está com um projeto audacioso de plataforma gamificada que disponibiliza a comercialização ficcional de planetas, crateras e terrenos nos planetas e luas do Sistema Solar. Para a coisa tomar forma e ter efeito, a comercialização das "terras" é toda feita em blockchain e Bitcoin, o que facilita na hora de internacionalizar o processo. Assim, o uso global acontece de maneira direta, inclusive com rastreabilidade.

Com a grana gerada pela compra e venda de terrenos, doações são feitas para causas e ONGs que buscam melhorar o mundo. Umas das ONGs pioneiras que apoiam o projeto é a Sr. Jack Sim, com a World Toilet Organization.

A plataforma funciona da seguinte maneira: cada terreno em um planeta ou lua corresponde a um ativo, vendido em Bitcoin e com direito a cashback. A ideia é que um comprador receba o valor investido de volta quando um novo cryptolander (assim chamada a pessoa que adquire um ativo) resolve pagar mais pelo mesmo local. A maior parte desse valor é destinada às causas, enquanto as demais partes ficam com a plataforma e, claro, com o comprador, como retorno de investimento.

O internauta é quem escolhe a causa que deseja ajudar e pode comprar um ativo sempre que quiser. Qualquer pessoa pode participar. Imediatamente após a compra, o terreno será colocado novamente à venda, com um preço maior — de 60% a 100%, como preferir o "dono". Quando um novo interessado comprar seu terreno, você ganha mais 20% sobre o valor como retorno. Há também os 10% em forma de dividendos, que a plataforma distribui para outros landers para fazer a roda girar. Ou seja: ao mesmo tempo em que você investe, você doa.

"Ao comprar um ativo de US$ 20 (em Bitcoin), a partir do momento que alguém se dispuser a pagar o dobro do valor (US$ 40), o comprador recebe os US$ 20 de volta, com mais 20% de ROI. Outros 10% ficam com a plataforma para gerar dividendos, de onde sai a remuneração para o dono da cratera e/ou o dono do planeta, e 10% ficam com a Cryptolands. No momento que você compra, você escolhe para qual causa vai doar 60% do valor", exemplifica Anna Graboski, uma das mentes criativas por trás do projeto. A grande sacada da Cryptolands.io é o internauta doar e receber o valor em cashback.

Da esquerda para a direita: Anna Graboski, Ricardo Capucio e Henrique Mascarenhas, da Cryptolands.io (Foto: Anna Graboski/Arquivo pessoal)

A empresa está, atualmente, fazendo um processo de qualificação de novas ONGs para cadastrar suas doações. Atualmente, são quatro causas para você escolher: Wildlife & Environmental, Health & Disease Control, Aid for Africa e a já citada World Toilet Organization.

Venda de crateras e planetas

No site da Cryptolands, o internauta pode viajar em um mapa interativo do Sistema Solar e encontrar um terreno à venda. Aliás, conforme revelou Graboski ao Canaltech, Marte já está reservado para ninguém menos que Elon Musk!

A startup lançou uma nova cratera na Lua nesta sexta (7) e, conforme as doações forem aumentando, lançará novos "lotes" em outros locais, também. Batizada de Camelot, essa cratera é a mesma que o astronauta Harrison "Jack" Schimidtt explorou em 1972, durante a missão Apollo 12, quando se tornou mundialmente famoso ao caminhar cantando e se divertindo com a gravidade reduzida no nosso satélite natural. Essa homenagem foi anunciada durante uma visita do Global Startup Program (GSP) da Singularity University à NASA Aimes, em Mount View, Califórnia.

Inclusive, o programa é reconhecido por unir empreendedores de diferentes países com iniciativas de impacto e, através de workshops, trabalhos de campo e conexões com professores, empresários, mentores e investidores, aceleram o lançamento e a escalabilidade global de projetos que buscam resolver os grandes desafios globais, como a fome, a falta de abrigo, a resiliência natural ao desastre, a questão da água, e, também, o espaço.

Quadro de atuais cryptolanders (como são chamados os donos dos ativos/terrenos virtuais) pelo mundo

Se você tem Bitcoins na carteira, ficou interessado em comprar um terreno na cratera recém-lançada e quer ajudar uma causa, conheça todo o processo no site oficial da Cryptolands.io.

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.