Microsoft se rende e lança antivírus do Windows para Linux
Por Marcelo Fischer |
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A Microsoft anunciou a chegada do seu antivírus Defender aos computadores com Linux. A novidade, divulgada na quarta-feira (14), permite que empresas utilizem a ferramenta de segurança da criadora do Windows em desktops com sistemas como Ubuntu, Debian e Fedora. O recurso já está disponível em versão de testes.
Segundo a empresa, a expansão do Microsoft Defender for Endpoint tem como principal público os desenvolvedores e profissionais de tecnologia que utilizam Linux no trabalho.
A ferramenta permite identificar ameaças, monitorar atividades suspeitas e proteger computadores que possuem acesso a informações corporativas.
Apesar da novidade, o Defender já funcionava em servidores Linux desde 2020. A mudança anunciada agora amplia oficialmente o suporte para computadores de trabalho, permitindo que empresas adotem a mesma solução de segurança em diferentes sistemas operacionais.
O que o antivírus da Microsoft faz no Linux?
A nova versão do Defender oferece ferramentas semelhantes às utilizadas pela Microsoft para proteger computadores com Windows e servidores Linux.
Entre os recursos estão a identificação de vírus e outros programas maliciosos, a detecção de comportamentos suspeitos e o monitoramento de vulnerabilidades que podem ser exploradas por criminosos.
O software também possui um sistema chamado EDR (detecção e resposta em endpoints), que permite identificar possíveis ataques e investigar atividades realizadas nos dispositivos.
Caso uma ameaça seja detectada, os administradores podem executar comandos remotamente e até isolar o computador da rede para impedir que um ataque se espalhe.
A Microsoft justifica o lançamento pelo uso crescente de Linux entre desenvolvedores. Segundo a empresa, esses computadores frequentemente possuem acesso a repositórios de códigos, serviços em nuvem e ferramentas internas que podem ser exploradas em ataques cibernéticos.
Com a novidade, equipes de segurança poderão acompanhar computadores Linux, Windows e macOS em uma plataforma centralizada.
Quem pode usar o Microsoft Defender no Linux?
Por enquanto, a novidade está disponível em prévia pública e exige uma assinatura corporativa. O antivírus gratuito que acompanha o Windows não está sendo oferecido aos usuários domésticos de Linux.
Segundo a documentação da Microsoft, o suporte aos desktops está incluído nas seguintes licenças: Microsoft Defender for Endpoint Plano 2 (P2), Microsoft 365 E5 e Microsoft 365 E7.
O software pode ser instalado nas distribuições Linux que já eram compatíveis com a ferramenta de segurança para servidores. A relação inclui Ubuntu, Debian, Fedora, Red Hat Enterprise Linux, CentOS, openSUSE e outras versões do sistema.
Além disso, a Microsoft informa que os mesmos métodos de instalação utilizados nos servidores poderão ser aproveitados pelos administradores para configurar o Defender nos computadores de trabalho.
A empresa ainda não informou quando a nova modalidade deixará a fase de testes e será lançada em sua versão definitiva.
Microsoft já considerou o Linux uma ameaça
A chegada do Defender aos desktops Linux representa mais um capítulo de uma relação que mudou bastante nas últimas décadas.
Em 2001, o então CEO da Microsoft, Steve Ballmer, chegou a comparar o Linux a um "câncer", ao criticar o modelo de licenciamento de softwares de código aberto. Na época, a empresa enxergava o sistema como um concorrente do Windows.
Essa postura mudou com a chegada de Satya Nadella ao comando da Microsoft. Em 2014, o executivo apresentou publicamente a mensagem "Microsoft ama Linux", reforçando uma estratégia de aproximação com o sistema operacional.
Desde então, a companhia ampliou seu suporte ao Linux em produtos de nuvem, ferramentas para desenvolvedores e soluções de segurança. A chegada do Defender aos desktops é mais uma etapa dessa expansão.