Microsoft limpa sua base de imagens de reconhecimento facial

Por Rafael Arbulu | 06 de Junho de 2019 às 15h33
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Continuando seus esforços pelo estabelecimento de um padrão ético de uso em tecnologias de reconhecimento facial, a Microsoft discretamente limpou a sua base de dados com imagens de milhares de pessoas. A chamada “MS Celeb Database” foi originalmente publicada em 2016, contendo mais de 100 milhões de fotos e imagens de aproximadamente 100 mil pessoas.

A base de dados era utilizada em ampla escala por empresas de tecnologia e autoridades policiais no treinamento de aplicações de reconhecimento facial. As pessoas presentes na base de dados não deram o seu consentimento para resguardo das imagens. Entretanto, a Microsoft ressaltou, à época, que, pela base ser inteiramente constituída de imagens de celebridades e influenciadores, as imagens, que eram exclusivamente para treino de aplicações, foram obtidas por meio da licença Creative Commons.

Microsoft deu fim à sua base de dados com imagens para treino de sistemas de reconhecimento facial

Porém, há um impacto negativo na base de dados: ao contrário do que professa a Microsoft, a MS Celeb Database continha imagens de indivíduos anônimos ou influenciadores menores e menos públicos, como jornalistas e escritores. Segundo revelou o pesquisador de segurança Adam Harvey, ao Financial Times, a medida não impede que o material seja compartilhado continuamente pela rede. “Você não pode simplesmente fazer uma série de dados online desaparecer”, apontou Harvey, que coordena o projeto Megapixels, especializado em revelar detalhes sobre esse tipo de informação. “Uma vez que um dado é postado ou publicado, as pessoas podem fazer o download dele, então ele já existe em discos rígidos por todo o planeta”.

A Microsoft explicou que a medida de “limpa” da base de dados é meramente uma questão protocolar: “o canal era utilizado apenas para fins acadêmicos. Foi criado por um ex-funcionário da empresa, que não está mais conosco”, disse a companhia ao Financial Times. Talvez por isso, a Microsoft não tenha divulgado a ação: processos de protocolo interno raramente são utilizados em material de comunicação por empresas.

A Microsoft já mostrou sua voz contra outras fornecedoras da tecnologia: testes feitos por pesquisadores independentes mostraram que o software Rekognition, da Amazon, apresenta dificuldades em reconhecer indivíduos por raça ou gênero, o que levou a tecnologia da Microsoft a ganhar a reputação de ser mais assertiva em seu uso. Mais além, a própria Microsoft recusou, em abril, um contrato de uma força policial dos EUA para uso da sua tecnologia pelas autoridades.

Fonte: Financial Times

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