Vale a pena pagar mais por celular com RAM Boost? Nós fizemos os testes
Por Renato Moura Jr. • Editado por Léo Müller |

Com a atual crise global das memórias DRAM, as fabricantes de smartphones enfrentam um dilema: aumentar os preços ou reduzir a quantidade de memória RAM dos aparelhos. Nesse cenário, recursos como o RAM Boost passaram a ganhar destaque nas campanhas de marketing, prometendo transformar parte do armazenamento interno em memória adicional.
Será que vale pagar mais por um celular só porque ele oferece essa função? Nossos testes mostram que a resposta é não. A ideia do RAM Boost (também chamado de RAM Plus, Memory Extension ou RAM Expansion, dependendo da marca) é usar o armazenamento disponível para manter mais aplicativos abertos ao mesmo tempo, mas isso não significa um ganho real de desempenho.
O que nossos testes mostraram?
Em nossos testes, celulares com o recurso ativado praticamente não apresentaram diferença em velocidade de abertura de aplicativos, carregamento de jogos ou navegação pelo sistema. Em alguns casos, o tempo de abertura variou apenas alguns décimos de segundo – diferença imperceptível no uso cotidiano.
Os maiores benefícios apareceram apenas em situações muito específicas, como manter um número maior de aplicativos em segundo plano antes que fossem fechados pelo sistema. Ainda assim, o impacto foi pequeno e insuficiente para transformar a experiência de uso.
Na prática, o RAM Boost não torna um smartphone básico equivalente a outro equipado com mais memória RAM física. O recurso funciona como um complemento, mas não substitui o hardware.
A crise das memórias mudou o mercado
O momento atual ajuda a explicar por que esse tipo de recurso passou a receber tanta atenção. A demanda da indústria de inteligência artificial elevou fortemente o preço das memórias DRAM, fazendo fabricantes priorizarem chips destinados a servidores e data centers. Como consequência, smartphones também ficaram mais caros para produzir.
Uma das estratégias adotadas por algumas marcas foi manter faixas de preço semelhantes, mas lançar aparelhos com menos memória RAM do que muitos consumidores esperavam. Já era esperado que celulares intermediários e básicos poderiam perder capacidade de memória para compensar os custos crescentes da DRAM.
Em vez de investir em versões com mais RAM física, diversas fabricantes passaram a destacar o RAM Boost como diferencial competitivo. Embora seja um adicional bem-vindo, ele não entrega os mesmos benefícios de um aparelho equipado originalmente com 8, 12 ou 16 GB de memória.
Compare as gerações anteriores
Antes de comprar um celular novo, vale comparar sua ficha técnica com a geração anterior. Em alguns segmentos, aparelhos lançados há dois ou três anos ofereciam a mesma quantidade de memória RAM (ou até versões superiores) pelo mesmo posicionamento de mercado.
Há exemplos de linhas intermediárias que anteriormente tinham variantes com 8 GB de RAM como padrão e hoje aparecem em configurações de 6 GB, compensadas pelo RAM Boost. Em outros casos, versões que antes traziam 12 GB passaram a oferecer apenas 8 GB nas configurações de entrada.
Isso não significa que todos os fabricantes fizeram um downgrade, mas mostra que a quantidade de RAM física deixou de crescer no mesmo ritmo de anos anteriores justamente por causa da alta nos custos das memórias.
Por isso, o RAM Boost deve ser encarado como um recurso complementar, não como um motivo para pagar mais caro. Se dois modelos custam valores semelhantes, vale mais investir naquele que possui mais RAM física do que escolher outro apenas porque promete adicionar alguns gigabytes virtuais.
Antes da compra, consulte reviews e testes de desempenho independentes: eles mostram de forma mais clara como o aparelho se comporta no dia a dia do que qualquer número destacado na embalagem.