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“Senha invisível” pode impedir acesso ao banco após roubo de celular

Por  • Editado por Léo Müller |  • 

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Sophie Dupau/Unsplash
Sophie Dupau/Unsplash

Perder o celular desbloqueado é um pesadelo, principalmente quando pensamos no acesso a apps de banco. Mas uma nova tecnologia promete virar esse jogo: a chamada “senha invisível”. Em vez de depender apenas de senha, digital ou reconhecimento facial, ela analisa como você usa o celular. E isso pode ser a chave para barrar criminosos em tempo real.

A chamada biometria comportamental observa o seu jeito único de interagir com o celular. Isso inclui o ritmo de digitação, a forma como você segura o aparelho, a pressão dos dedos na tela e até o jeito de deslizar.

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Diferente das senhas tradicionais, esse sistema não atua só no momento do login. Ele fica ativo o tempo todo, analisando se quem está usando o celular continua sendo você. É o que especialistas chamam de “autenticação contínua”.

Segundo Ricardo Marciano, professor da Universidade Iguaçu (Unig), "enquanto a digital ou o rosto são traços físicos estáticos, o comportamento é dinâmico. A tecnologia analisa o ritmo da sua digitação, o ângulo em que você segura o celular, a pressão do seu polegar na tela e até a maneira como você desliza o dedo".

Por que a senha invisível pode evitar golpes

Quem pratica o roubo de celular age com pressa, muda o ângulo de uso e navega direto para funções financeiras, como transferências via Pix. Esses padrões são muito diferentes dos hábitos do dono do celular.

O sistema detecta essas alterações em milissegundos. Se algo parecer suspeito, o aplicativo pode bloquear ações automaticamente ou exigir uma nova verificação, como reconhecimento facial. Marciano explica:

"Os algoritmos detectam essas anomalias em milissegundos. Ao perceber que o padrão de toque e a dinâmica de interação não correspondem ao perfil histórico do usuário, o aplicativo pode bloquear transações automaticamente ou exigir uma nova biometria facial, impedindo o acesso ao saldo."

Pode ajudar até em casos de sequestro

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Em casos de coação, como sequestros-relâmpago, o corpo reage liberando hormônios como adrenalina. Isso causa microtremores e mudanças no comportamento, que sensores do celular conseguem captar. A pessoa tende a hesitar mais ao tomar decisões simples, o que também é analisado pelo sistema.

De acordo com o especialista, "se o sistema identifica que o dono do aparelho está operando sob um padrão de estresse extremo e atípico, o banco pode acionar protocolos de segurança de forma autônoma, como reduzir o limite do Pix instantaneamente ou colocar a transferência em uma fila de análise manual, ganhando um tempo que é precioso para a vítima".

Vale lembrar que a biometria comportamental não analisa o conteúdo, mas sim o comportamento. Ou seja, não lê mensagens nem senhas, apenas transforma os padrões de uso em dados matemáticos. Essas informações são criptografadas e não permitem reconstruir o que foi digitado, o que mantém a privacidade do usuário protegida.