Pesquisadores trituram iPhone para analisar sua composição

Por Renato Mota | 28 de Março de 2019 às 08h37
Plymouth University/Divulgação

Você sabe o que tem no seu smartphone? Não estamos falando dos arquivos digitais na memória, ou dos componentes eletrônicos dentro dele, mas dos materiais de que ele é feito. Um grupo de cientistas passou um iPhone no liquidificador para saber.

A ideia do pessoal da Universidade de Plymouth, no Reino Unido, é mostrar ao público o quanto de recursos – alguns deles raros – um smartphone consome da natureza.

Para isso, a equipe de geólogos da Escola de Geografia, Terra e Ciências Ambientais da universidade, liderada pelo Dr. Arjan Dijkstra e pelo Dr. Colin Wilkins, transformou um iPhone em pó e fez análise química dos resultados dissolvidos.

“Nós confiamos cada vez mais em nossos celulares, mas quantos de nós realmente pensam no que está por trás da tela? Quando você olha a resposta é muitas vezes tungstênio e cobalto de zonas de conflito na África”, afirma o Dr. Djikstra.

O experimento também pretende incentivar maiores taxas de reciclagem quando os dispositivos chegam ao fim de suas vidas úteis. “Existem também [nos smartphones] elementos raros, como neodímio, praseodímio, gadolínio e disprósio, sem mencionar as quantidades de ouro, prata e outros elementos de alto valor. Todos eles precisam ser extraídos de minério de alto valor, o que coloca uma pressão significativa no planeta", completa o cientista.

Depois de triturar o iPhone no liquidificador, os pesquisadores pegaram o pó resultante e o misturou com um poderoso oxidante, peróxido de sódio, a quase 500 graus celsius. O processo permitiu que os pesquisadores fizessem uma análise detalhada da solução resultante em ácido para determinar seu conteúdo químico preciso.

Cada elemento encontrado no iPhone foi separado e analisado (Plymouth University/Divulgação)

O iPhone usado nos testes tinha 33g de ferro, 13g de silício e 7g de cromo, assim como quantidades menores de outras substâncias comuns. No entanto, o experimento também registrou uma série de elementos críticos, como 900mg de tungstênio, 70mg de cobalto e molibdênio, 160mg de neodímio e 30mg de praseodímio. E cada telefone ainda continha 90mg de prata e 36mg de ouro.

Por causa desse alto grau de concentração de elementos, para criar um único smartphone, seria preciso extrair de 10kg a 15kg de minério, incluindo 7kg de minério de ouro de alta qualidade, 1kg de minério de cobre típico, 750g de minério de tungstênio típico e 200g de minério de níquel típico.

“As pessoas estão se tornando mais socialmente responsáveis ​​e interessadas no conteúdo do que estão comprando. Em parte, por causa disso, várias das principais empresas de telefonia móvel se comprometeram a aumentar suas taxas de reciclagem. É um sinal positivo que a sociedade descartável em que vivemos há décadas está mudando, e esperamos que este projeto encoraje mais pessoas a fazerem perguntas sobre seus próprios comportamentos”, explica o Dr. Wilkins.

Fonte: Universidade de Plymouth

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