O que é um smartphone avançado?

Afinal, o que faz um smartphone avançado ser classificado como tal? O que realmente separa este segmento dos modelos mais simples? Não raro se classifica um modelo como avançado, topo de linha ou premium por um conjunto de especificações, o que não chega a ser errado, mas é incompleto. Então vamos nos propor a oferecer uma resposta mais completa.

Componente único

Uma forma mais ou menos segura de ver se um modelo é avançado ou não é olhar o seu chip. Afinal, fabricantes não cobrariam uma fortuna em um modelo que conta somente com um processador potente, correto? Sim, mas trata-se de uma condição necessária, ainda que não suficiente.

Vamos lá: você consegue imaginar um  motor 2.0 turbo… em um Chevrolet Celta? Não precisa, já eles existem graças a modificações. Mas imagine que eventualmente eles voltem a ser vendidos (pararam de ser produzidos em 2015) com essa opção (agora estamos realmente no reino da imaginação). Isso em uma condição ceteris paribus, com o resto do carro sendo exatamente o mesmo. Seria um carro avançado? É claro que não (ainda que este autor com certeza faria questão de dirigí-lo).

Cada fabricante busca oferecer o chip mais poderoso do mercado

É um caso semelhante ao que acontece com smartphones. Há sim modelos com processadores topo de linha (caso do Snapdragon 855 em 2019), mas que não são considerados avançados. Ou um conjunto de câmeras de respeito. Ou uma tela com altíssima resolução. Mas componentes de ponta não fazem um modelo ser avançado, ainda que modelos avançados tragam componentes de ponta.

Então o que está faltando?

Overdose de especificações

Há poucos anos era bastante comum um modelo avançado usar como principal argumento de marketing uma longa e detalhada fichas de especificações. Mais núcleos de processamento que um desktop médio, megapixels de sobra e detalhes que nos faziam dizer “uau” sem sabermos exatamente o motivo eram bastante comuns. A concorrência aumentou, e diversos concorrentes oferecem conjuntos de respeito por aí. Muitos deles bastante semelhantes, aliás. Então como se destacar no segmento avançado?

Modelos Android avançados trazem o Snapdragon 855, mas apenas isto não basta para considerar um modelo avançado

Pela experiência de uso, quesito que vai além da ficha técnica e apela para o nosso emocional. Pouco importa quais são as especificações de um processador ou quantos megapixels a câmera possui: compramos um modelo (caro) com a certeza de que ele vai se destacar em todos os quesitos que nos são importantes.

Mais do que isso, trazem um design diferenciado, materiais premium e possuem uma tela de altíssima qualidade, independentemente se é AMOLED, OLED, IPS LCD ou qualquer outra. Essa experiência começa com a embalagem, que nos convence de que se trata de um modelo avançado antes mesmo de o abrirmos.

Por exemplo, há diferenças técnicas importantes entre as principais tecnologias de tela que devem ser consideradas, e cada uma delas disputa a preferência do consumidor

As especificações deixam de ser importantes. Naturalmente, são de primeira, mas nem é necessário saber quais são. Não é necessário dizer que o processador tem X núcleos a Y GHz com Z GB de memória RAM: ele é rápido, sempre. As fotos saem boas mesmo à noite, independentemente se o fabricante escolher usar 2, 4 ou 30 câmeras de trocentos megapixels.

Um smartphone avançado se destaca em todos os quesitos importantes, tranquilizando o consumidor sobre o que esperar. Chega às prateleiras sendo rápido, capaz de tirar boas fotos, vem com tela de qualidade e assim por diante. "Como" isso será feito pelo fabricante é o menos importante.

Para fechar, vamos falar do preço.

Conclusão

Qual é o preço médio de um modelo avançado/premium? Smartphones são altamente dolarizados, mesmo os fabricados por aqui. Os preços no Brasil não fazem muito sentido, ainda mais quando consideramos os impostos e o posicionamento de um determinado modelo em relação aos concorrentes. E isso já há bastante tempo: basta lembrar do lançamento do PS4 no Brasil, que custava quase o dobro do Xbox One, ainda que nos EUA ele fosse mais barato.

Naturalmente são caros, e até demais em alguns casos. Em geral sabemos qual seria o preço adequado de acordo com o que um certo modelo oferece. R$ 3.000 pode ser uma “pechincha” em um certo modelo, mas também um preço que jamais pagaríamos em outro, ainda que este não seja tão diferente. Só que dizer que um modelo avançado começa com R$ 3.000 é perigoso, já que pode até explicar um pouco o cenário hoje, mas está longe de ser uma regra geral.

Resumindo o que vimos até aqui, sabemos que um modelo é avançado ou premium não apenas pelo conjunto de características que ele oferece, ainda que seja um pré-requisito. Sabemos o histórico do fabricante e o posicionamento do produto. Começamos a escutar rumores sobre eles antes mesmo de serem lançados

Quando ele chega ao mercado, tem a missão de se mostrar a melhor opção que há por aí, e que o fabricante investiu, e muito, na escolha dos componentes, selecionando cuidadosamente cada um deles. O que explica, em parte, os preços, como dissemos. Afinal, representam o melhor que a fabricante tem disponível no momento em termos de experiência de uso. Caso não cumpram seu papel, não é uma respeitável lista de especificações que mudará a opinião do cliente.

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