Ministério Público do Paraguai derruba esquema de contrabando de smartphones

Por Rui Maciel | 24 de Julho de 2019 às 16h01
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A Unidade de Delitos Econômicos e Anticorrupção do Ministério Público do Paraguai encabeçou uma megaoperação para desbaratar uma quadrilha responsável pelo contrabando de quase US$ 700 milhões em smartphones. O grupo atuava desde 2014, sob uma empresa que levava o nome de Mobile Zone International Importação-Exportação S.R.L. e, inclusive, pode ter revendido para algumas lojas brasileiras de smartphones, que podem ser encontradas em redes sociais, como o Instagram.

Segundo as autoridades paraguaias, a Mobile Zone International comprava mercadorias da empresa MZ Electronics INC., localizada em Miami. Os telefones eram enviados por ela ao Paraguai em nome das empresas Excellence Import S.A., Tenug Internacional S.A., Figo S.A., FG Trading S.A. e P&D Import S.A, que funcionariam como empresas de fachada e que também pertenceriam à quadrilha, já que existem entre todas elas vínculos comerciais, de parentesco e contábeis. Com isso, eles seriam responsáveis por introduzir os dispositivos de maneira irregular no Paraguai e, posteriormente, faturá-los em nome da Mobile Zone.

Ainda de acordo com o MP paraguaio, "presumivelmente, a Mobile Zone é responsável pela venda de celulares para lojas em Ciudad del Este e para consumidores finais, nacionais e estrangeiros (revendas de smartphones). Históricos de outras operações indicam que a unidade da empresa nos EUA enviou celulares para o Paraguai, mas ela simulava a importação de outros tipos de bens de menor valor, como impressoras e toners de tinta, com o objetivo de pagar menos impostos. Devido ao rendimento irregular da mercadoria, as empresas de fachada, não tendo como suportar o custo dos itens vendidos à Mobile Zone, justificaram a origem desses produtos como compras locais. Porém, esses supostos fornecedores declararam vendas muito inferiores aos valores que as empresas fantasmas afirmam ter comprado deles, declarando faturas com números repetidos, o que sugere que muitas delas foram clonadas".

Funcionários da Receita paraguaia também participavam do esquema

Em uma coletiva de imprensa, René Fernández, um dos fiscais responsáveis pela operação, indicou parte do esquema contava com a responsabilidade de funcionários da Receita paraguaia, especialmente os encarregados do controle de despacho aduaneiro e com o uso de faturas falsificadas.

Lojas brasileiras podem ter comprado smartphones da Mobile Zone

Além de revender os aparelhos em território paraguaio, principalmente em Ciudad del Este (famoso pólo de venda de eletrônicos), a Mobile Zone também pode ter vendido seus aparelhos para lojas que atuam no Brasil. No Instagram, por exemplo, basta digitar a hashtag #mobilezone para encontrar diversos e-commerces que oferecem smartphones de marcas chinesas, como a Xiaomi, a preços abaixo do praticado no mercado nacional. Além disso, há lojas online de outros países da América Latina, que também revendem dispositivos provenientes da companhia flagrada, mas que prometem entrega no Brasil.

Fonte: A Hora

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