Huawei estoca chips para 2 anos de produção após sanções dos EUA

Huawei estoca chips para 2 anos de produção após sanções dos EUA

Por Rubens Eishima | 28 de Maio de 2020 às 14h15
GSM Arena

No meio do fogo cruzado da guerra comercial entre os Estados Unidos e a China, a Huawei foi uma das empresas mais atingidas pelas medidas adotadas pelo país norte-americano. Mas ao que tudo indica, ela se precaveu contra as sanções recentes aplicadas por Donald Trump e companhia.

De acordo com fontes consultadas pelo site japonês Nikkei Asian Review, a gigante chinesa teria acumulado o equivalente a dois anos de componentes norte-americanos. A lista inclui principalmente peças cruciais para seus servidores e as estações-base vendidas às operadoras de telefonia, com destaque para os processadores Intel e chips programáveis da Xilinx.

A Huawei chegou a desenvolver processadores dedicados para servidores, como os modelos da linha HiSilicon Kunpeng 920, mas a produção dos chips próprios da chinesa ficou restrita após as novas medidas dos EUA contra a empresa.

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A estocagem de processadores teria começado já no final de 2018, logo após a detenção, no Canadá, de Meng Wanzhou, filha do fundador da Huawei. Ontem, a defesa da executiva sofreu uma importante derrota no processo que pede a sua extradição para os Estados Unidos.

Um reflexo desse investimento motivado pelo medo das sanções foi revelado na semana passada, quando a empresa anunciou que gastou 167,4 bilhões de iuanes (mais de R$ 124 bilhões) em componentes durante o ano de 2019, um salto de 73% na comparação com 2018.

Detenção de Meng Wanzhou no Canadá a pedido dos EUA teria disparado o alerta para a Huawei (imagem: Alexander Bibik/Reuters)

A operação teria incluído não apenas compras diretas – proibidas desde as primeiras sanções em 2019 – como também aquisições de componentes em distribuidores regionais e até por intermédio de outros fornecedores, afirmaram fontes ouvidas pelo site Nikkei.

Apesar do investimento ter se concentrado em componentes de empresas norte-americanas, o estoque incluiria ainda chips de memória RAM e de armazenamento das fabricantes coreanas Samsung e SK Hynix, além da japonesa Kioxia (ex-Toshiba). O aparente excesso de cuidado pode ser visto como uma preparação para mais sanções comerciais.

Fonte: Asian Nikkei Review

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