Galaxy Z Fold 8 ressuscitou uma coisa que os celulares mataram: telas pequenas
Por Bruno Bertonzin |
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A Samsung apresentou seus novos celulares dobráveis ao mercado brasileiro na última quinta-feira (06), e um dos modelos anunciados foi o Galaxy Z Fold 8. Agora com uma tela externa menor e mais larga, ele tem a proposta de agradar quem não gosta do painel “minúsculo” do Flip, mas não gosta do formato estreito do Fold tradicional.
Fui ao lançamento dos celulares, e saí de lá com uma unidade do Galaxy Z Fold 8 “normal”. Justamente esse que está na boca do povo. O modelo de tela pequena e mais larga, popularmente conhecido como “formato de passaporte”.
Eu, como amante de celulares grandes (como Galaxy S Ultra e iPhone Pro Max) e fã da linha Fold, fiquei curioso com essa proposta e confesso que me surpreendi ainda mais do que já esperava.
Este não é um texto de primeiras impressões, e também não é um review completo. É a primeira de uma série de análises que pretendo trazer sobre este celular. Nesta primeira, falarei sobre como o Galaxy Z Fold 8 pode ter ressuscitado, de vez, algo que as últimas gerações de smartphones mataram: os telefones com telas pequenas.
Quem são os “órfãos” das telas pequenas?
Quem prefere celulares pequenos ficou praticamente sem opções nos últimos anos. Modelos como iPhone 13 mini, Google Pixel 4a ou Galaxy S10e (se quiser forçar um pouco, já que este beirava as 6 polegadas) agradavam aqueles que queriam um celular potente, mas não gigante.
De 2021 para cá, porém, esses modelos foram praticamente varridos do mercado. Embora a Asus tenha tentado, em 2023, um celular com 5,92 polegadas com o Zenfone 10 (que eu cheguei a testar, inclusive), eles estão praticamente extintos.
E é exatamente esse público que o Z Fold 8 pode agradar. Com uma tela externa bem compacta, de 5,5 polegadas, ele é ainda mais baixo que o iPhone 13 mini, porém mais largo. Em termos mais simples: ele literalmente cabe na palma da mão.
Como é usar o Galaxy Z Fold 8, por quem prefere telas grandes?
Como destaquei, sempre fui mais fã de celulares com tela grande. Venho de um Galaxy S22 Ultra, e o painel de quase 7 polegadas é excelente para quase tudo — exceto mexer com uma mão só.
Mas o maior destaque de um smartphone grande é a possibilidade de assistir a vídeos, ou filmes e séries, com mais conforto.
E o Galaxy Z Fold 8, para mim, uniu o melhor desses dois mundos. Quando estou no transporte público, em pé, consigo mexer no celular com uma só mão. E, quando estou mais confortável, posso desdobrá-lo e assistir a vídeos em um display que um telefone comum não oferece, de 7,6 polegadas.
E, não só o tamanho total, mas a área útil é bem maior. O Galaxy Z Fold 7, por exemplo, também tem uma tela interna grande, mas não aproveitava todo esse espaço para exibir vídeos.
Na prática, o conteúdo ficava concentrado na parte central do display, com duas grandes faixas pretas em cima e embaixo. A sensação era quase a de assistir em um celular “de barra”, só que segurando uma tela muito maior.
Como é “andar por aí” com um celular dobrável?
E, por falar em transporte público, o formato “diminuto” do Fold 8 fechado oferece outra vantagem: ele cabe melhor no bolso.
Mesmo sendo dobrável, ele é quase tão espesso quanto um celular de barra. Para efeito de comparação, ele tem 9,7 mm de espessura quando fechado, contra 8,2 mm do Galaxy S25 Ultra e 8,8 mm do iPhone 17 Pro Max.
Então ele não é um celular que marca tanto no bolso, ou que atrapalha quando estiver com uma calça mais apertada.
E comecei esse bloco falando sobre o transporte público para relembrar uma situação que passei há alguns meses: meu celular foi roubado do meu bolso enquanto eu entrava em um trem lotado.
Por ser “grande demais”, um pedaço dele ficou para fora do bolso, e nem percebi quando ele foi puxado, no meio do tumulto de uma estação muito movimentada de São Paulo.
De lá para cá, estou mais cuidadoso com meu celular, mas acredito que o Z Fold 8 teria sido mais difícil de ser subtraído com tanta facilidade. Eu não vou testar, mas por ser mais baixo, ele fica mais escondido no fundo do bolso, principalmente de calças mais largas.
Quando, exatamente, vale a pena abrir o Galaxy Z Fold 8?
O maior motivo para abrir o Galaxy Z Fold 8 durante esses primeiros dias de uso foi para assistir a vídeos ou séries. Apesar de a proporção da tela externa ainda ser muito boa para o consumo de vídeos, o display maior oferece tanto um bom formato quanto uma área de exibição boa.
Mas essa não é a única situação que me fez recorrer ao modo aberto.
Usar a tela dividida foi especialmente útil em algumas situações: assistir a vídeos no TikTok enquanto mantenho o WhatsApp aberto em uma conversa; abrir o email para pegar um código de autenticação de dois fatores enquanto mantenho o outro app do lado, usar o gravador de voz e o app de notas ao mesmo tempo — para entrevistas isso é ótimo.
Fora esses momentos (por enquanto), ele foi completamente funcional fechado. A tela externa é o suficiente para a maior parte da minha rotina. Até mesmo para digitar — que eu achei que fosse ter problemas — ele se saiu muito bem. O teclado não é tão pequeno assim, mas não é tão grande que atrapalhe a visualização.
Na prática, percebi que raramente preciso abrir o Galaxy Z Fold 8. Eu abro quando quero mais espaço.
Falta alguma coisa para o formato do Galaxy Z Fold 8 ser perfeito?
Infelizmente, ainda não dá para dizer que o formato passaporte do Galaxy Z Fold 8 é perfeito. Nesses quatro dias, notei duas coisas que me incomodaram um pouco.
A primeira é a mais óbvia: a exibição de Reels e TikToks na tela externa ainda precisa de adaptação.
Por ser quase quadrada, os conteúdos ficavam cortados nos primeiros dias. Felizmente, isso parece ter sido corrigido pelos apps, pois hoje tanto o Instagram quanto o TikTok já parecem exibir os vídeos completos, com faixas pretas nas laterais para preservar a orientação vertical.
O segundo problema foi com o app Gringo, que sequer consegui logar porque a proporção não usual do display cortou o ícone de login. Claramente um problema de otimização do app, que pode receber uma atualização que corrija isso.
Apesar da correção de um, e da possibilidade de um update para o outro, esses casos levantam uma preocupação: apps menos populares ou com atualizações menos frequentes podem não ter essa mesma atenção para funcionar perfeitamente em um celular específico.
Também não dá para garantir que todos serão atualizados. O problema, portanto, não é nem o Galaxy Z Fold 8, mas o quanto o ecossistema Android e seus apps estão preparados para ele.
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