Fotografei um casamento com este celular e deixei os fotógrafos com inveja
Por Léo Müller | •
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Eu não fui ao casamento do meu amigo para trabalhar. Era padrinho, estava de terno e queria aproveitar a cerimônia. Mesmo assim, coloquei o Jovi X300 Ultra no bolso porque ainda faltava uma última situação para testar suas câmeras: pessoas reais, em um evento real e sem tempo para ficar ajustando configurações.
Até então, eu vinha usando principalmente os extensores de 200 mm e 400 mm do Kit de Fotografia Profissional que acompanha o celular, mas achei que seria inapropriado levar aquele aparato todo para um casamento que não era meu. Resolvi ficar apenas com o smartphone e fazer alguns registros descompromissados.
Foi justamente assim que o X300 Ultra mais me surpreendeu.
Em determinado momento, o videógrafo contratado pelos noivos estava nod filmando enquanto fazíamos uma foto do nosso grupo com o celular. Quando terminou, ele se aproximou para conferir o resultado na tela do aparelho.
Eu já estava impressionado com as imagens e resolvi prestar atenção na reação dele. Alguns de nós percebemos praticamente a mesma expressão que eu tinha feito minutos antes: aquela cara de quem não esperava que uma foto daquele tipo tivesse saído de um smartphone.
No fim da cerimônia, ficou claro que o X300 Ultra tinha chamado atenção até de quem estava ali trabalhando profissionalmente com iPhones e câmeras mirrorless da Canon.
Eu analiso smartphones profissionalmente desde 2014 e posso dizer que nunca vi imagens tão “prontas” saírem de um celular. Digo prontas porque, em várias delas, simplesmente não havia nada que eu quisesse mudar antes de publicar ou imprimir.
A luz também fez sua parte
É importante colocar um enorme asterisco nessa experiência: as condições estavam excelentes para fotografia.
A cerimônia aconteceu em um pátio aberto coberto por uma lona transparente. Era um domingo nublado e frio em Curitiba, então aquela cobertura acabou funcionando praticamente como um enorme difusor de luz natural.
Para o meu gosto, era uma condição quase perfeita para retratos.
Não vi os fotógrafos dispararem flash durante a cerimônia, e a equipe de vídeo também passou praticamente todo o evento sem iluminação artificial. Some a isso uma decoração muito bonita e convidados que realmente capricharam nos looks e fica claro que o Jovi não fez milagre sozinho. O cenário estava ajudando bastante.
Mesmo assim, nenhuma das fotos feitas com iPhone ou Galaxy que vi entre os padrinhos e madrinhas chegou perto do resultado que consegui com a minha câmera favorita do X300 Ultra.
A câmera de 85 mm foi a grande surpresa
No papel, a câmera principal do Jovi X300 Ultra parte com vantagem para fotografar em condições difíceis.
Seu sensor de 1/1,12 polegada é maior que o de 1/1,4 polegada da telefoto, e a lente f/1,9 também deixa entrar consideravelmente mais luz que a f/2,7. A ultrawide, por sua vez, tem pixels maiores e uma abertura bastante respeitável.
Ainda assim, praticamente todas as minhas fotos favoritas foram feitas com a teleobjetiva periscópica de 200 MP e distância focal equivalente a 85 mm.
| Câmera / recurso | Especificações |
|---|---|
| Principal | 200 MP, f/1,9, 35 mm, sensor de 1/1,12", pixels de 0,7 µm, PDAF e OIS |
| Teleobjetiva periscópica | 200 MP, f/2,7, 85 mm, sensor de 1/1,4", pixels de 0,56 µm, PDAF multidirecional, OIS, zoom óptico de 3,7x e macro 3,4:1 |
| Ultrawide | 50 MP, f/2,0, 14 mm, campo de visão de 116°, sensor de 1/1,28", pixels de 1,22 µm, Dual Pixel PDAF e OIS |
| Extensor 200 mm | 200 mm, ampliação óptica de 2,35x, OIS e óptica ZEISS |
| Extensor 400 mm | 400 mm, ampliação óptica de 4,7x, OIS e óptica ZEISS |
A distância focal equivalente a 85 mm é particularmente interessante para fotografar pessoas. Como você precisa se afastar mais para conseguir o mesmo enquadramento, a perspectiva fica mais comprimida, reduzindo a distorção do rosto e aproximando visualmente o plano de fundo.
Não é por acaso que lentes nessa faixa são tão populares para retratos em câmeras tradicionais. Mas isso sozinho não explica por que gostei tanto dessa câmera.
Parece que as fotos já saem do Lightroom
A forma como essa câmera interpreta cores é bastante especial.
O balanço de branco foi extremamente consistente durante o evento, inclusive com cores fortes como verde e vermelho. A saturação também fica em um ponto que considero muito agradável, sem aquela aparência excessivamente quente que algumas fotos de smartphone ganham quando o processamento tenta deixá-las mais “prontas para o Instagram”.
Mas o que mais me impressionou foi a combinação entre textura e contraste, especialmente na pele das pessoas. Parece que o celular adivinhou meu gosto e fez automaticamente o que eu faria no Lightroom.
Quando edito retratos feitos com uma câmera APS-C ou full frame, normalmente tiro um pouco do contraste, recupero determinadas sombras e tento preservar textura de pele sem deixar tudo excessivamente nítido. Não precisei fazer isso nas imagens da câmera de 85 mm.
É difícil colocar esse comportamento em uma ficha técnica, mas é bastante fácil de perceber olhando as fotos.
Curiosamente, não sinto exatamente a mesma coisa nas outras câmeras do X300 Ultra. Elas entregam ótima definição, exposição muito consistente e bastante alcance dinâmico — como praticamente todo smartphone premium moderno deveria fazer.
O problema, se é que posso chamar de "problema", é que elas são “perfeitas demais”.
Você olha para a foto e percebe rapidamente o tratamento típico de fotografia computacional de um smartphone. A câmera de 85 mm tem um caráter diferente. Transições, texturas e perspectiva lembram com mais facilidade o comportamento de uma câmera dedicada.
Fotografar sem ser percebido fez diferença
Os 85 mm também me deram outra vantagem importante naquele casamento: distância.
Consegui ficar longe o suficiente para fazer diversas fotos sem que as pessoas percebessem que estavam sendo fotografadas. Isso rendeu registros espontâneos dos noivos que dificilmente seriam iguais se eu tivesse chegado perto com uma câmera apontada diretamente para eles.
Uma dessas imagens, inclusive, será impressa e emoldurada para o casal.
Infelizmente, não posso mostrar os noivos nesta matéria porque um deles trabalha em um veículo de imprensa que não permite o uso de sua imagem por outras publicações.
Mas algumas dessas fotos acabaram no álbum digital do evento e foram confundidas por convidados com registros feitos pela equipe profissional. Para mim, isso diz bastante.
Lentes “de verdade”
A parceria com a ZEISS poderia facilmente ser apenas um selo colocado ao lado das câmeras, então aproveitei meus testes para perguntar diretamente a Oliver Schindelbeck, gerente sênior de tecnologia de smartphones da marca alemã, até onde vai o envolvimento da empresa no desenvolvimento do conjunto.
Segundo ele, a parceria passa pelo próprio desenvolvimento óptico e pelos critérios usados para avaliar a qualidade da imagem.
“A ZEISS contribui com sua expertise em design óptico, padrões de qualidade de imagem e tecnologias selecionadas”, explicou Schindelbeck.
A empresa também utiliza no projeto parâmetros que são familiares para quem acompanha testes de lentes fotográficas, incluindo MTF, distorção e aberração cromática.
Segundo Oliver, embora câmeras de smartphones e lentes intercambiáveis tenham exigências diferentes de projeto, esses continuam sendo parâmetros importantes na avaliação do resultado óptico.
Isso ajuda a explicar algo que já havia chamado minha atenção antes do casamento: mesmo usando os extensores, não encontrei uma queda dramática de nitidez nas bordas ou aberrações tão evidentes quanto esperaria de acessórios ópticos tão pequenos.
Como uma lente de 400 mm pode ser tão pequena?
Antes do casamento, passei boa parte do teste usando os extensores de 200 mm e 400 mm acoplados justamente à câmera de 85 mm — a minha queridinha.
A matemática é bastante direta: o primeiro trabalha com ampliação de 2,35x sobre os 85 mm; o segundo, com 4,7x. E, segundo a ZEISS, o enquadramento equivalente anunciado não depende de um recorte digital escondido.
“As distâncias focais equivalentes de 200 mm e 400 mm são alcançadas de forma puramente óptica”, afirmou Schindelbeck.
A pergunta mais interessante, então, é outra: como isso cabe em um tubo tão pequeno?
Segundo Oliver, a resposta está na chamada estrutura óptica Kepleriana.
“O sistema Kepleriano permite diâmetros de lente muito menores em ampliações mais altas”, explicou o executivo.
Esse tipo de projeto é mais complexo e gera uma imagem invertida internamente, que depois é corrigida pelo processamento do smartphone. Em compensação, a arquitetura facilita a construção de extensores muito menores e permite um controle mais sofisticado de aberrações ópticas.
É justamente essa miniaturização que torna o kit interessante.
Quem já tentou sair para fotografar com uma câmera e uma teleobjetiva de 400 mm sabe o tamanho e o peso que esse tipo de enquadramento normalmente exige. No Jovi, os dois extensores cabem tranquilamente em uma pequena bolsa — tiracolo ou pochete.
Para pessoas, 85 mm; para natureza, 200 e 400 mm
Os extensores mudam bastante a experiência. Para retratos durante uma festa ou casamento, achei 200 mm e principalmente 400 mm exagerados. Você precisa se afastar muito do assunto, o enquadramento fica bastante fechado e fazer uma composição rápida se torna mais difícil.
Com 85 mm, tudo funciona de forma mais natural. Já para fotografia urbana e de natureza, a história é outra.
Foi justamente nesses cenários que mais gostei de usar as lentes externas. Elas permitem fotografar arquitetura distante, aves e detalhes que seriam praticamente impossíveis de enquadrar daquela maneira usando apenas as câmeras originais do aparelho.
E fiquei impressionado com o quanto o conjunto preserva contraste, definição e cor mesmo adicionando outro sistema óptico na frente da telefoto f/2,7.
A ZEISS também optou por dois extensores de distância focal fixa, em vez de um grande zoom variável. Segundo Schindelbeck, há uma razão prática para isso.
Em 400 mm, acrescentar um mecanismo de zoom significaria aumentar consideravelmente a complexidade óptica e mecânica. Uma lente fixa consegue permanecer comparativamente mais compacta e robusta.
Não tive a chance de fotografar uma partida de futebol com esse celular, mas esse talvez seja um dos cenários em que eu mais gostaria de experimentá-lo: na beira do gramado, com 400 mm disponíveis sem precisar carregar a enorme teleobjetiva que esse enquadramento normalmente exigiria em uma câmera.
Nem tudo é perfeito no Kit de Fotografia
Apesar de toda a qualidade de imagem, ainda existem detalhes que me impediriam de sair para fotografar profissionalmente levando apenas o X300 Ultra.
Curiosamente, minhas maiores reclamações não são sobre lentes ou sensores, mas sim sobre software. Sempre que encaixo um dos extensores na traseira, preciso informar ao celular se estou usando a lente de 200 mm ou a de 400 mm.
O X300 Ultra conseguiu reconhecer automaticamente o acessório algumas poucas vezes durante meus testes, mas isso foi exceção. Na maior parte do tempo, precisei selecionar manualmente o extensor por um atalho dentro do aplicativo da câmera.
São apenas alguns toques, mas eles interrompem o processo fotográfico. Quanto mais rápido o que acontece na sua frente, mais esses segundos importam.
O grip também interrompe o fotógrafo
Algo parecido acontece com o grip. O acessório é excelente para melhorar a ergonomia do celular e aproximar a maneira de segurar o aparelho da experiência de usar uma câmera tradicional. O problema é que sua bateria integrada faz o X300 Ultra exibir repetidamente um pop-up com informações de carga.
Parece uma reclamação pequena até você estar tentando registrar algo que acontece uma única vez.
Durante meus testes, precisei fechar o aviso antes de continuar fotografando e acabei perdendo alguns cliques rápidos que dificilmente perderia com minha mirrorless.
Uma boa câmera profissional precisa praticamente desaparecer na mão do fotógrafo. Você enquadra, aperta o botão e registra o momento.
Quando o software interrompe esse processo para mostrar avisos ou pedir confirmações, a experiência deixa de ser tão confiável quanto a qualidade das imagens sugere.
E aquela pequena folga na lente?
Também percebi durante meus testes que existe uma pequena folga mecânica depois que os extensores são presos ao kit. É possível movimentá-los levemente mesmo depois de concluir o encaixe. Meu colega Bruno Bertonzin também notou isso quando testou o X300 Ultra.
Perguntei diretamente à ZEISS se isso seria um problema de fabricação.
Segundo Oliver, não necessariamente.
“Uma certa tolerância mecânica é normal e é considerada no projeto óptico geral”, explicou.
O executivo ressalta, contudo, que os extensores devem ser montados e manuseados como qualquer acessório óptico de precisão, justamente para preservar alinhamento e desempenho.
Isso me deixa menos preocupado com a pequena movimentação que percebi no meu kit, mas ainda gostaria que o encaixe transmitisse uma sensação um pouco mais rígida — especialmente considerando a proposta profissional do conjunto.
Ele substitui minha câmera?
Ainda não. Se eu fosse contratado amanhã para fotografar um casamento, minha mirrorless continuaria na bolsa.
Uma câmera APS-C ou full frame ainda oferece vantagens importantes em controle óptico, ergonomia, variedade de lentes e, principalmente, previsibilidade durante um trabalho em que você simplesmente não pode perder determinados momentos.
Mas a diferença ficou muito menor do que eu esperava. No X300 Ultra, a qualidade de imagem já chegou a um ponto em que eu usaria tranquilamente algumas das fotos feitas com a teleobjetiva de 85 mmem um trabalho profissional. O que ainda precisa evoluir é o fluxo de operação dos acessórios.
São justamente essas interrupções de software que me impediriam hoje de sair para fotografar um evento sério levando apenas o celular.
A qualidade de imagem já é profissional para vários tipos de trabalho. A experiência de operar a câmera ainda não.
No casamento do meu amigo, porém, eu não estava trabalhando. Só queria guardar boas lembranças sem carregar uma câmera e uma bolsa cheia de lentes durante a festa.
E foi justamente aí que aconteceu a coisa mais interessante de todo o teste: em nenhum momento eu senti falta da minha mirrorless.
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