Deixar o carregador na tomada gasta muita energia? Nós fizemos as contas
Por Bruno Bertonzin • Editado por Léo Müller | •
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Deixar o carregador conectado à tomada sem nenhum celular na outra ponta gasta energia. Parte dos circuitos eletrônicos permanece ativa, pronta para fornecer eletricidade assim que um aparelho for plugado. Nos carregadores atuais, porém, esse consumo costuma ser muito baixo e dificilmente provoca uma diferença perceptível na conta de luz.
As regras europeias de eficiência energética limitam esse consumo a uma potência de 0,10 W em fontes AC-DC de até 49 W. A Comissão Europeia também informa que essa era a média das fontes externas comercializadas em 2020. E como as fabricantes não querem fazer carregadores diferentes para cada região, a regra de lá acaba sendo seguida aqui também.
Por isso, usamos 0,10 W como referência para os cálculos. O número serve como uma estimativa conservadora para carregadores modernos, não como uma medição aplicável a todos os modelos.
Quanto um carregador gasta sem um celular conectado?
Para descobrir o consumo, é preciso multiplicar a potência pelo tempo que o acessório passa na tomada e dividir o resultado por 1.000:
-
Consumo em kWh = potência em watts × horas de uso ÷ 1.000
Em um mês de 30 dias, um carregador de 0,10 W conectado durante as 24 horas consome:
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0,10 W × 24 horas × 30 dias ÷ 1.000 = 0,072 kWh
Em um ano inteiro, o consumo chega a:
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0,10 W × 24 horas × 365 dias ÷ 1.000 = 0,876 kWh
O custo em reais varia de acordo com a tarifa de cada cidade. Confira os valores:
|
Cidade |
Tarifa por kWh |
Custo mensal |
Custo anual |
|
Fortaleza |
R$ 0,97 |
R$ 0,07 |
R$ 0,85 |
|
São Paulo |
R$ 0,95 |
R$ 0,07 |
R$ 0,83 |
|
Curitiba |
R$ 0,85 |
R$ 0,06 |
R$ 0,74 |
|
Manaus |
R$ 0,84 |
R$ 0,06 |
R$ 0,74 |
|
Brasília |
R$ 0,83 |
R$ 0,06 |
R$ 0,73 |
Portanto, a resposta para a pergunta do título é direta: deixar o carregador na tomada gasta energia, mas bem pouca. Mesmo em Fortaleza, que tem a maior tarifa entre as maiores cidades de cada região do Brasil, o custo fica abaixo de R$ 1 por ano.
Carregadores mais potente gastam mais?
A potência indicada na embalagem, como 25 W, 65 W ou 100 W, mostra quanto o carregador pode entregar a um aparelho. Ela não corresponde ao consumo quando o acessório está sozinho na tomada.
Fontes mais potentes podem ter um gasto residual maior. Pelo limite europeu de 0,21 W aplicado a determinadas fontes acima de 49 W, o custo ficaria entre R$ 0,13 e R$ 0,15 por mês nas cidades analisadas.
Em um ano, a despesa iria de aproximadamente R$ 1,53 em Brasília a R$ 1,78 em Fortaleza.
Vários carregadores podem pesar na conta?
O custo cresce conforme mais acessórios permanecem conectados. Cinco carregadores de 0,10 W gastariam entre R$ 3,64 e R$ 4,25 por ano, conforme a cidade.
Com dez unidades, o valor subiria para uma faixa entre R$ 7,27 e R$ 8,50 anuais. O gasto ainda é baixo, mas deixa de ser apenas uma fração de centavo.
O chamado “consumo fantasma” ganha mais importância quando também inclui televisores, videogames, aparelhos de som e outros eletrônicos em espera. Os carregadores são apenas uma pequena parte desse total.
Vale a pena tirar o carregador da tomada?
Sob o ponto de vista financeiro, desconectar um único carregador moderno gera uma economia quase imperceptível. Nas cidades analisadas, a diferença seria de seis ou sete centavos por mês.
Retirar vários acessórios sem uso ainda evita desperdício, mas esse hábito sozinho dificilmente causará uma redução relevante na conta. Mesmo após um ano inteiro na tomada, um carregador moderno geraria um gasto entre R$ 0,73 e R$ 0,85.