Como descobrir se um celular usa um IMEI clonado

Por Rubens Eishima | 12 de Setembro de 2020 às 10h00
Markus Winkler/Pixabay
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Com a possibilidade de bloqueio de celulares roubados por meio do IMEI — uma espécie de RG do aparelho — e o surgimento de dispositivos que modificam este identificador do telefone, como saber se o celular que estão lhe oferecendo não foi roubado e teve o IMEI adulterado? Confira algumas dicas a seguir.

Os aparelhos que trocam o IMEI de celulares chegaram ao Paraguai por volta de 2018 com preços em torno de US$ 350 (cerca de R$ 1.800). Um dos principais usos do equipamento é modificar o identificador do telefone, removendo um número bloqueado no CEMI (Cadastro Nacional de Estações Móveis Impedidas) e registrando outro “limpo”.

Como o número do IMEI geralmente é exibido na caixa do aparelho, é possível que um criminoso consulte o identificador em embalagens de celulares lacrados e o aplique em um smartphone roubado ou furtado, contornando o bloqueio feito pelas operadoras e a Anatel.

Atualmente não é possível saber se o IMEI do seu celular foi clonado. Em tese, as operadoras teriam que criar um cadastro para registrar se um mesmo identificador está conectado em antenas distantes, mas nem as empresas nem a Anatel oferecem um sistema para esse tipo de verificação. Porém, é possível saber se um celular realmente se identifica com o IMEI original de fábrica seguindo as instruções abaixo:

Como verificar se o IMEI é mesmo do celular

Para evitar dores de cabeça, sempre que for comprar um celular usado, verifique se o celular não teve o IMEI adulterado. Para fazer isso, siga as instruções a seguir.

Passo 1: no discador do aparelho, digite o código *#06#

Passo 2: copie o código IMEI exibido na tela

Passo 3: preencha o número exibido na tela em um dos sites abaixo:

Passo 4: confira se a informação de marca e modelo são as do aparelho à venda

Ofereceram um iPhone 11 por R$ 500 e o IMEI é de um Philips? Cilada (imagem: Rubens Eishima/Canaltech)

Como o cadastro dos sites não é completo, pode ser necessário verificar em mais de um site, caso o IMEI não seja identificado.

Opcional: verifique se o celular está no cadastro de bloqueio da Anatel

A Anatel e as operadoras permitem verificar se o celular está na lista de aparelhos bloqueados por furto ou roubo (o CEMI) no site consultaaparelhoimpedido.com.br. Neste caso, vale lembrar que apenas estão registrados os celulares que tiveram o bloqueio solicitado pelos proprietários, o que geralmente requer um boletim de ocorrência e a notificação da operadora, que pode levar até 72 horas até ser incluído no cadastro.

Bloqueio dos clones

A agência e as operadoras atualmente discutem a possibilidade de bloquear celulares com IMEI clonados, mas a adoção da medida apresenta alguns problemas técnicos. Procurado pela reportagem do Canaltech, o SindiTelebrasil (Sindicato Nacional das Empresas de Telefonia e de Serviços Móvel Celular e Pessoal) afirmou que defende o bloqueio como medida "fundamental" para combater a clonagem e a adulteração.

"O SindiTelebrasil defende o bloqueio de celulares irregulares, não homologados, e entende ser fundamental a adoção de outras medidas para combater a clonagem e a adulteração de IMEIs, por meio de reforço da segurança na fabricação dos aparelhos", afirma a organização em nota.

Já a assessoria da Anatel informou que a agência não possui dados consolidados sobre o número de celulares clonados no Brasil, mas confirmou que estuda o bloqueio dos aparelhos no país.

O processo de bloqueio dos clones está sendo estudado em conjunto com as prestadoras, tendo sido um desafio não só no Brasil mas também em outros países. Isso porque o procedimento tem que gerar o menor impacto possível no usuário legítimo, ou seja, aquele consumidor que teve o seu IMEI clonado.

A preocupação por trás de um eventual bloqueio de celulares clonados está no fato de que um criminoso poderia utilizar um IMEI sem impedimentos e aplicá-lo a um aparelho roubado. O bloqueio do IMEI afetaria não apenas o celular irregular, como também o aparelho original, cujo identificador pode ser obtido sem o conhecimento de seu proprietário — por exemplo, consultando o número em uma embalagem descartada.

Como a Anatel ainda não tem um sistema para bloqueio de telefones com IMEI clonado, não há uma orientação para quem desconfia que seu aparelho tem um clone em circulação. Segundo a assessoria da agência, “há que se aguardar até que esse procedimento de bloqueio esteja finalizado para que possamos passar as devidas recomendações”.

Fonte: Anatel e SindiTelebrasil

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