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Celular do futuro pode ter chip vivo, feito à base de bactérias

Por  • Editado por Léo Müller | 

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circuitos vivos celular
Reprodução/MIT

Imagine um celular capaz de realizar cálculos usando organismos vivos em vez de componentes eletrônicos tradicionais. Embora pareça coisa de ficção científica, pesquisadores do MIT deram um passo nessa direção ao criar bactérias capazes de funcionar como transistores biológicos e formar circuitos que processam informações.

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A tecnologia ainda está muito distante de chegar aos smartphones. No entanto, ela abre caminho para um possível “chip vivo”, uma versão futura inspirada nesse conceito, na qual bactérias poderiam executar determinadas funções computacionais dentro de sistemas biológicos.

Em computadores, transistores funcionam como interruptores que controlam o fluxo de eletricidade. No experimento do MIT, pesquisadores desenvolveram bactérias que desempenham papel semelhante, mas em vez de controlar corrente elétrica, elas controlam o fluxo de moléculas que carregam sinais entre diferentes partes do circuito.

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Para isso, a equipe utilizou a bactéria Pantoea agglomerans e criou dois tipos de “transistores” biológicos. Os pesquisadores também desenvolveram três linhagens capazes de atuar como relés, transmitindo informações de uma bactéria para outra.

As colônias foram impressas sobre placas de ágar, mantendo uma distância de aproximadamente 5 milímetros entre elas. Dessa maneira, os sinais conseguem passar de uma colônia para a seguinte, formando uma espécie de circuito biológico.

Bactérias já conseguem fazer cálculos

Os pesquisadores combinaram as células para criar diferentes operações lógicas, incluindo circuitos capazes de processar múltiplas entradas e direcionar sinais para diferentes destinos.

O maior circuito construído no estudo tinha 24 colônias bacterianas e conseguia somar duas entradas. A principal limitação é a velocidade, já que cada cálculo leva cerca de oito horas para ser concluído.

Isso não significa que um celular equipado com bactérias substituiria processadores atuais. A proposta é completamente diferente: levar capacidade de processamento para sistemas biológicos.

No futuro, por exemplo, circuitos desse tipo poderiam ser aplicados às raízes ou folhas de plantas para identificar sinais de seca, pragas ou outras formas de estresse e, então, desencadear uma resposta específica.

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Parece coisa de ficção científica (e é)

A ideia não é completamente nova na ficção científica. Em Star Trek: Voyager, a nave USS Voyager usava “circuitos bio-neurais”, apresentados como componentes vivos capazes de participar do processamento de informações.

Na série, entretanto, o conceito era diferente do desenvolvido pelo MIT. O termo “bio-neural” dava a entender que os circuitos usavam estruturas baseadas em neurônios, e não bactérias.

A pesquisa atual está longe de reproduzir a tecnologia da Voyager, mas mostra que usar organismos vivos para realizar funções computacionais pode deixar de ser apenas uma ideia de ficção. Outra coisa que parece ter vindo diretamente de uma ficção é que o celular do futuro vai identificar problemas de pele com uma simples selfie.

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