Carregador sem fio pode estragar bateria do celular?

Carregador sem fio pode estragar bateria do celular?

Por Vinícius Moschen | Editado por Wallace Moté | 02 de Setembro de 2021 às 07h43
Imagem: Divulgação/Xiaomi

Os carregadores sem fio estão tendo um grande aumento de popularidade há alguns anos, e cada vez mais aparelhos intermediários trazem a tecnologia de recarga wireless. Vários fatores podem explicar esse fenômeno, em especial a capacidade das fornecedoras de diminuir o tempo para uma carga completa, já que na época de lançamento desse recurso o ritmo era bastante lento.

Porém, uma incerteza persegue alguns possíveis compradores de bases sem fio: a bateria pode ser danificada com o uso contínuo de carregadores wireless? Em geral, a resposta é não, desde que os acessórios sejam de boa qualidade, e o Canaltech te explica melhor como funciona isso para que você não precise se preocupar.

Como funciona uma bateria de íons de lítio

Bateria de íons de lítio são predominantes nos smartphones atuais (Imagem: iStock)

Para entender bem como acontece o carregamento sem fio, é preciso antes compreender como as baterias operam de um modo geral. A bateria é um componente que armazena íons de lítio, com carga negativa. Na física, os opostos se atraem, e quando esses íons estão localizados do lado negativo da bateria, eles tendem a se deslocar para eletrodos transportadores, de carga positiva. Essa movimentação é transformada em energia que mantém o aparelho ligado e funcionando.

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Durante o carregamento, o processo é simplesmente o oposto — ou seja, com a ação de uma corrente elétrica, os íons de lítio migram para o sentido inverso ao que fariam normalmente. Com carga máxima, os íons estão posicionados para recomeçar o ciclo.

Este fenômeno acontece com todas as baterias desse tipo presentes nos smartphones atuais, independente de como eles são carregados. A diferença no caso de carregamento sem fio é basicamente a presença de uma bobina interna que transfere a energia que vem da base carregadora, em vez de vir diretamente pelo cabo. O que pode causar problemas é a dissipação excessiva da energia e o consequente aquecimento da bateria.

Como evitar superaquecimento durante a recarga

Um dos principais motivos da degradação precoce das baterias é o superaquecimento por conta de encaixes pouco precisos e, principalmente, acessórios mal fabricados. Carregadores com a certificação Qi minimizam esse problema, já que passam por testes rigorosos de segurança e eficiência.

Outro fator que pode provocar aquecimentos indesejáveis é o uso de capinhas ou outros obstáculos na parte traseira do dispositivo, por isso é recomendado encostar diretamente o painel traseiro ao carregador.

Carregamentos sem fio — desde que realizados com materiais de qualidade e procedimento correto — podem inclusive aumentar o tempo de uso de bateria, já que acontecem com uma velocidade menor em comparação com o cabo, e em geral causam menos calor no dispositivo, além de menor desgaste no geral.

Como otimizar a vida da bateria

O ideal é manter a bateria do smartphone entre 40% e 60% o máximo de tempo possível (Imagem: Power Your Gadget)

As baterias passam por ciclos naturais de uso, e inevitavelmente perdem um pouco de sua capacidade total ao longo do tempo. A otimização da vida útil desses componentes é base de muita discussão entre especialistas, e experimentos indicam que é melhor manter a bateria com a carga mais equilibrada, próxima de 50%.

Ou seja, independentemente da forma de carregamento, uma dica para aumentar o tempo de vida da bateria é não permitir o esvaziamento completo com muita frequência. Além disso, deixar o aparelho na tomada com a bateria cheia por muito tempo também pode ser prejudicial, pois os dispositivos eletrônicos começam a evitar o sobrecarregamento (overcharging) da bateria, e isso pode causar danos a longo prazo.

Algumas fabricantes de celulares conseguem minimizar esse problema ao diminuir a velocidade de carregamento no final do processo — aparelhos atuais costumam carregar a uma velocidade bem maior entre 0 a 80% do que nos 20% restantes.

No geral, as baterias de smartphones são projetadas para durar de dois a três anos com capacidade próxima da máxima, então aparelhos que estão dentro dessa idade não precisam ter esse componente trocado, a não ser por conta de algum defeito distinto. Os cuidados especificados podem garantir que uma bateria nova permaneça com capacidade próxima da máxima por mais tempo, além de evitar acidentes.

Fonte: Computer World, Digital Trends, Pitaka

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