Brasileiros desaceleram ritmo de compra, mas optam por smartphones mais caros

Por Thaís Augusto | 17 de Junho de 2019 às 14h48
Rawpixel/Depositphotos

Os brasileiros estão comprando menos smartphones, mas optando por modelos intermediários e premium. Isso significa que, apesar de uma queda de 6% em unidades vendidas, a receita do setor cresceu 8% no primeiro trimestre deste ano em comparação ao mesmo período de 2018.

Os dados do estudo Mobile Phone Tracker Q1/2019 foram divulgados nesta segunda-feira (17) pela consultoria IDC Brasil. O resultado manteve uma tendência do mercado brasileiro de celulares: nos trimestres anteriores também foi registrado uma queda no volume de vendas, mas aumento na receita. O comportamento ainda contrasta com outros mercados mundiais, que estão sentindo queda em volume e em receita.

De acordo com a IDC Brasil, foram vendidos 10,7 milhões de smartphones no primeiro trimestre deste ano, o que representa uma queda de 6% em relação ao mesmo período de 2018. Apesar disso, o setor movimentou R$ 13,7 milhões no período, uma alta de 8%.

O analista de mercado de Mobile Phones&Devices da IDC Brasil, Renato Meireles, conta que a retração nas vendas foi menor do que o projetado no final do ano passado – a previsão era de uma redução de 11%. Para Meireles, a chegada de novos produtos ao mercado é uma das razões para o resultado menos negativo, enquanto o aumento do valor gasto pelos consumidores e da demanda por aparelhos com especificações mais robustas explica o crescimento da receita.

No primeiro trimestre de 2019, maioria dos consumidos optou por celulares entre R$ 1.200 e R$ 1.699

"Em nível global, o mercado apresenta retração tanto em volume como em receita. No primeiro trimestre, foram vendidas 312 milhões de unidades, 5,9% menos do que em 2018, e a receita foi de US$ 105 bilhões, 12,1% menor. O comportamento do mercado brasileiro, no entanto, se diferencia pelo aumento da receita, apesar da redução no volume", explicou o analista.

Meireles ainda diz que o cenário macroeconômico desfavorável no Brasil e a incerteza sobre a reforma da Previdência mantiveram a freada no consumo. Enquanto isso, a receita maior pode ser explicada pelo aumento dos preços, impactados pela flutuação cambial, e pelo aumento da participação de produtos nas faixas premium e intermediária no mercado.

Mais vendidos

As vendas de smartphones com preço entre R$ 1.200 e R$ 1.699 cresceram 320% no primeiro trimestre de 2019, correspondendo a 18% de participação de mercado. No mesmo período, celulares com preço de R$ 1.700 a R$ 2.499 registraram uma alta de 247% em relação ao mesmo período do ano passado, chegando a 7% de participação no mercado.

Nas outras faixas de preço, houve queda em comparação ao primeiro trimestre de 2018 – os smartphones de preço abaixo de R$ 499 tiveram apenas 5% de participação (variação de -11%), de R$ 500 a R$ 799, 20% (-28%), de R$ 800 a R$ 1199, 44% das vendas – ainda a maior fatia, mas 24% a menos do que há um ano.

A faixa com smartphones acima de R$ 2500, respondeu por 7% das vendas, com queda de 25%. Já as vendas de feature phones se mantiveram estáveis, com 701 mil unidades nos primeiros três meses do ano, o equivalente a 6,5% do mercado mobile em unidades. Entretanto, a receita de R$ 76.726 foi menor do que a do ano passado, devido à redução do valor gasto pelo consumidor, que caiu para R$ 109.

"A demanda por feature phones é pequena, e se concentra em áreas mais remotas ou rurais onde o uso é predominantemente do telefone em si, principalmente nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste", explicou Meireles. "Mas há também um nicho de consumidores minimalistas, que não buscam tecnologia, mas só o essencial, para uma vida mais simples".

Segundo o analista, a previsão é que as vendas de feature phones cresça 0,4% neste ano, chegando a 2,6 milhões de unidades. Para os smartphones, a previsão é que sejam vendidas 43,38 milhões de unidades até o final do ano, 2,4% menos do que em 2018, mas o valor movimentado deve crescer 12%, chegando a R$ 59,6 bilhões, graças a novos lançamentos e novas marcas entrando no mercado, como a Xiaomi que voltou a vender seus produtos no Brasil. Além disso, também existe uma expectativa de melhora do cenário macroeconômico no segundo semestre, com aprovação da reforma da Previdência.

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