Bateria explodindo? Celular e cabo pegando fogo? Saiba como se proteger

Por Felipe Demartini | 28 de Março de 2019 às 16h43
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Um incêndio foi registrado em uma sala comercial da cidade de Cuiabá (MT) na última semana, com fogo tendo sido causado por um celular que estava conectado à tomada. De acordo com informações do Corpo de Bombeiros, o estrago só não foi maior porque o prédio empresarial tinha sistema de segurança, que entrou em ação para conter as chamas e evitar maiores danos.

Felizmente, não houve feridos, mas as imagens, publicadas pelo UOL Tecnologia, são impressionantes. O aparelho causador do incêndio ficou completamente destruído, assim como a cadeira em que ele estava. Outros danos materiais também foram registrados na sala, enquanto o tipo de problema técnico que causou o fogo ainda é desconhecido.

Celular pegoou fogo enquanto era recarregado sobre uma cadeira (Imagem: Divulgação/Corpo de Bombeiros do Mato Grosso)

Casos desse tipo, infelizmente, são bastante comuns e aconteceram, inclusive, com gente da redação do Canaltech. No início de março, um cabo Lightning queimou em minha própria mesa, durante um dia de trabalho, sem nem mesmo estar conectado a dispositivo algum. O acessório não era oficial, mas foi adquirido em um grande varejista nacional.

Ele estava ligado a um carregador certificado, da marca chinesa CRDC. O cabo estava sobre uma mesa de madeira e nas proximidades de cadernos e papéis, que poderiam levar a um incêndio pois, no momento do problema, eu não estava presente na sala. Felizmente, não aconteceram maiores danos além da queima do próprio conector.

Cabo pegou fogo sem nem mesmo estar em uso, apenas conectado a um carregador certificado (Imagem: Felipe Demartini)

Todos os casos, entretanto, aconteceram devido a práticas ruins na utilização de cabos e carregadores. Como aponta Levi Rodrigues da Silva, engenheiro elétrico com mais de 30 anos no mercado de produtos eletrônicos, deixar adaptadores ligados à tomada quando não estão em uso ou manter o celular carregando sem supervisão são causas frequentes de acidentes e representam grandes riscos aos usuários de smartphone.

Acidentes podem acontecer, por exemplo, caso a ponta do cabo esteja encostando no chão. Uma simples limpeza do ambiente, com água, pode levar a um choque, enquanto um raio, cuja corrente é transportada pela rede elétrica, pode chegar aos habitantes de uma casa da mesma maneira. “O ideal é desconectar o carregador quando não estiver usando. Além da segurança, isso também proporciona uma pequena economia de energia elétrica, já que, mesmo desconectado (do telefone), ele continua consumindo”, explica o especialista.

Silva também faz um alerta claro para os usuários: sempre utilizem carregadores originais, das próprias fabricantes dos smartphones, ou, pelo menos, produtos certificados. “Os circuitos de proteção contra corrente acima da média e outros dispositivos de segurança estão presentes em todos os acessórios oficiais, mas também faz com que os produtos custem mais caro”, explica. Esse é um caso claro em que o barato, no final das contas, pode sair mais caro.

Aparatos de segurança, por exemplo, podem evitar curtos circuitos em caso de corrente acima do normal, evitando um incêndio. Além disso, protegem o celular evitando que o aparelho sofra tais alterações diretamente, algo que pode gerar queima ou avarias à bateria. “Acessórios alternativos tentam sempre ser mais baratos, deixando a segurança de lado. Ainda assim, existem certos componentes que precisam estar presentes, o que faz com que a diferença de preço nem sempre compense”, explica.

Mude os hábitos

"Baterias não são granadas", afirma especialista, mas podem explodir e causar incêndios

Incêndios e choques elétricos causados por telefones celulares têm efeitos semelhantes aos de acidentes de avião quando são publicados na mídia. Os casos são poucos em relação à quantidade de dispositivos em uso, mas o susto é inversamente proporcional. Normalmente, notícias como a do incêndio em Cuiabá geram certo pânico, principalmente quando acompanham informações sobre fabricantes e modelos, o que não é o caso.

“Uma bateria não é uma granada”, explica o especialista, em uma fala que vem para tranquilizar os usuários. “Você não vai ver um componente assim explodindo e jogando cacos para todos os lados.” Os grandes ferimentos acontecem quando o aparelho está no bolso ou em contato com o usuário, enquanto os incêndios ocorrem na interação com outros objetos inflamáveis no ambiente.

Por isso, a recomendação é evitar utilizar o celular durante o carregamento e não conectar o aparelho à tomada durante tempestades com raios ou outros momentos de descargas elétricas. É sempre bom ficar de olho para identificar problemas rapidamente, enquanto o recarregamento acontece sobre uma superfície de pedra ou madeira dura, que resistem mais a incêndios e não transmitem corrente elétrica. Plásticos, papéis, panos, espumas e outros materiais inflamáveis devem ficar longe.

Em mudanças mais difíceis de se fazer, o utilizador deve evitar carregar o celular junto ao corpo, nos bolsos da calça e, principalmente, da camisa. “Guardar o celular perto do coração, desta maneira, pode levar a ferimentos graves e até mesmo à morte”, explica Silva. Para o engenheiro, o método mais seguro de transportar o aparelho é utilizando um coldre, como aqueles que eram populares nos anos 1990. A moda pode ter abandonado o acessório, mas quanto se fala em segurança, o antigo ainda é o melhor. Em último caso, o bolso traseiro acaba sendo a opção menos perigosa.

O especialista também emite um alerta para quem usa o smartphone como despertador. Não se deve manter o aparelho na cama, em meio aos lençóis, para que a soneca possa ser ativada o mais rapidamente possível. “De preferência, evite colocar o celular para carregar antes de dormir. Deixe o aparelho a cerca de um metro de distância e levante para desativar o alarme”, indica. Afinal de contas, se a hora de acordar chegou, infelizmente não há nada que você possa fazer para mudar isso, então é melhor adiantar o processo.

Antecipando-se aos problemas

Evitar o uso do celular durante o carregamento é uma boa maneira de evitar acidentes. Procure sinais de aquecimento, fumaça e fogo durante o processo

O que se percebe na conversa com um especialista é que o perigo não é tão grande na utilização correta, mas, da mesma maneira, não deve ser ignorado. Principalmente quando se fala em uma tendência atual, com baterias maiores e com recarga mais rápida, cresce o risco de acidente. “Os usuários querem cargas que durem mais e baterias que carreguem mais rapidamente. É aí que mora o perigo”, afirma Silva.

As reações químicas que mantêm um smartphone vivo estão sempre acontecendo, mesmo quando o dispositivo está desconectado do carregador ou, até mesmo, descarregado. O engenheiro explica que a porcentagem de carga visto no display do celular, na verdade, é apenas uma indicação visual. “Nenhuma bateria chega a 0%. Sempre há carga dentro dela, senão o aparelho não ligaria novamente quando plugado”, explica.

O especialista também aproveita para derrubar um mito antigo: o tal do efeito memória. De acordo com Silva, as antigas baterias viciavam caso fossem recarregadas antes de chegarem ao fim, entretanto, com os componentes atuais de ion e lítio, essa não é mais uma questão. É seguro carregar o celular a qualquer momento, mas, claro, você estará utilizando ciclos e gerando reações químicas que, no longo prazo, levarão a uma redução na capacidade geral da peça.

Quedas também podem avariar a bateria e levar a incêndios ou problemas durante as reações químicas que acontecem dentro dela. Ela pode até não pegar fogo por causa disso, mas causar danos a outros componentes internos do smartphone. Capinhas resistentes e um pouco mais de cuidado ajudam nesse quesito.

Evite colocar o celular para carregar antes de dormir e não deixe o aparelho na cama

Por fim, é importante prestar atenção na temperatura ambiente, evitando expor o aparelho ao sol e calor durante períodos prolongados. Citando pesquisas, Silva aponta a marca dos 80 graus como o limite para uma bateria começar a apresentar problemas como vazamento ou explosão. “É importante lembrar que o processo de recarregamento é uma reação química, que também gera calor e pode contribuir para falhas desse tipo”, completa.

É importante, ainda, prestar atenção às tomadas nas quais o celular está conectado, preferindo aquelas mais novas, com o tão mal falado formato brasileiro. “Ele evita que as mãos do usuário tenham contato com o plugue, evitando riscos de choques elétricos”, conta. Para a conexão de mais de um equipamento, o ideal é utilizar extensores e filtros de linha, e não os famosos benjamins que dividem a corrente elétrica e podem levar a aquecimento e curtos. Evitar gambiarras é a palavra de ordem aqui.

Para finalizar, o engenheiro indica uma observação simples que pode ajudar a identificar avarias na bateria. Caso seu smartphone permita acesso ao componente, vale a pena retirá-lo e colocar sobre uma mesa plana, girando-o com a ponta dos dedos. Ela deve oferecer alguma resistência, mas se movimentar normalmente.

Girar a bateria do celular em uma mesa pode indicar sinais de avaria. Ele deve permanecer reto, sem levantar as extermidades como um pião

Caso observe um comportamento semelhante ao de um pião, com as extremidades se levantando, isso pode indicar problemas. “Esse é um sinal de que a bateria está estufando, o que é muito perigoso. O ponto de inchação é justamente aquele que, mais tarde, pode acabar pegando fogo”, aponta Silva. O ideal, aqui, é interromper o uso e buscar uma assistência técnica para substituição.

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